Filho de empresário de Arrascaeta e irmão de atacante: quem é Nico Fonseca, reforço do Coritiba

A possível estreia levará a campo também um sobrenome conhecido no futebol. Aos 27 anos, Nicolás é filho de Daniel Fonseca, ex-atacante da seleção uruguaia que disputou a Copa do Mundo de 1990, conquistou a Copa América de 1995 e teve passagens por clubes como Napoli, Roma e Juventus.
Nicolás, porém, escolheu um caminho diferente. Enquanto o pai construiu a carreira no ataque e o irmão mais novo, Matías, também atua no setor ofensivo, ele recuou algumas posições e se tornou volante.
— Meu ídolo sempre foi meu pai. Meu pai fez muita história no futebol e eu admiro ele como jogador e como pessoa — contou Nicolás à TV Coxa.
Nicolás Ferreira, volante uruguaio do Coritiba — Foto: JP Pacheco/Coritiba
Pai é figura conhecida nos bastidores
A relação de Daniel Fonseca com o futebol não terminou quando ele deixou os gramados. O ex-atacante passou a trabalhar como empresário e se tornou uma figura conhecida no mercado uruguaio. Entre os principais jogadores ligados a ele está Giorgian De Arrascaeta.
Daniel acompanhou a carreira do meia desde a passagem pelo Defensor Sporting e participou da negociação que levou Arrascaeta ao Cruzeiro, em 2015. Quatro anos depois, voltou a ter papel central em outra transferência marcante: a saída do uruguaio do clube mineiro para o Flamengo, em uma negociação cercada por atritos entre o empresário, o jogador e a diretoria cruzeirense.
A relação entre Daniel e Arrascaeta continuou no Flamengo. Em 2023, o empresário voltou a aparecer publicamente em defesa do jogador depois de Arrascaeta terminar em segundo lugar na eleição do Rei da América de 2022, promovida pelo jornal uruguaio El País. Daniel classificou o resultado como uma "injustiça" e exaltou o meia, que ficou quatro votos atrás de Pedro, vencedor do prêmio.
— Meu pai mora no Rio de Janeiro e ama todos os brasileiros. Então, sempre me falou: 'Você tem que vir para o Brasil. É o teu campeonato, é o nosso mundo' — disse o jogador.
Arrascaeta, do Flamengo, e o empresário Daniel Fonseca — Foto: Reprodução/Instagram
O futebol sempre esteve em casa
Foi nesse ambiente que Nicolás e Matías cresceram. Embora tenham nascido na Itália, os irmãos foram criados em uma família em que o futebol fazia parte da rotina. Nicolás conta que vários parentes jogavam e que sempre havia uma bola à disposição.
— Todo mundo na minha família jogou futebol. Meus tios, meus avós, meu pai, meu irmão. Sempre teve bola em casa para jogar. Era a única coisa que a gente podia fazer. E a gente tinha que estudar. Meu pai sempre me falou: 'Se você não estuda, não vai jogar' — falou o volante.
Nicolás nasceu em Nápoles e passou boa parte da vida na Itália, na região do Lago de Como, perto de Milão. Até os 21 anos, voltava ao Uruguai nas férias para visitar a família do pai. A ligação com o país, no entanto, foi além da herança familiar.
— Eu sou italiano, tenho toda a minha família lá, tenho todos os meus amigos, todas as minhas lembranças. Sou italiano, mas sempre tive essa vontade de jogar na seleção do Uruguai pela história do meu pai — lembrou Nicolás.
A escolha o levou à seleção uruguaia. O volante chegou a aparecer na pré-lista de Marcelo Bielsa para a Copa do Mundo e passou a conviver com a disputa por espaço no grupo. Ficou fora da última convocação, mas mantém o objetivo de disputar um Mundial.
— Para mim foi um sonho, é um sonho poder vestir a camisa da seleção. Acho que tenho muito ainda para dar. Lamentavelmente, fiquei fora da última lista, mas também é muito importante para mim ficar entre os caras que brigam por uma vaga e para jogar uma Copa do Mundo, que acho que é o sonho de todos nós — pontou o jogador.
E pretende continuar tentando. Por isso, a escolha pelo Coritiba é vista por Nicolás como uma oportunidade de ficar mais perto desse objetivo.
— Eu sempre falo: tentar até dar certo. Essa experiência aqui no Coritiba também vai me ajudar a conseguir o mesmo objetivo com a seleção — disse.
Nicolás Fonseca, volante do Coritiba — Foto: Rafael Ianoski / Coritiba
Irmão no ataque, Nicolás no meio
A diferença de posição entre os irmãos não impediu que eles dividissem um momento especial da carreira. Nicolás e Matías chegaram a jogar juntos no Montevideo Wanderers, experiência que o novo reforço do Coritiba trata como a maior emoção que viveu no futebol.
— Jogar com meu irmão e poder gritar gols junto com ele foi a melhor emoção da minha carreira. Compartilhar todos os dias, os treinos, as coisas ruins também, porque o futebol tem isso — afirmou o volante.
A formação de Nicolás, no entanto, seguiu outro caminho. Ele passou por diferentes países e trabalhou com treinadores de estilos variados antes de chegar ao Brasil. A passagem pelo futebol espanhol, no Real Oviedo, foi o capítulo mais recente antes do empréstimo ao Coritiba.
— É muito bom poder jogar em diferentes países, trabalhar com diferentes treinadores e também enfrentar os melhores jogadores do mundo. Tudo isso me deixou ensinamentos físicos, táticos, futebolísticos e pessoais — falou.
No Coritiba, ele encontrou também uma atmosfera da qual sentia falta.
— Eu já estava com saudade da torcida sul-americana. Na Espanha é bem diferente. Tinha saudade e foi muito bom ter esse ambiente, poder viver essa energia que eles têm — completou Nicolás.
Agora, a expectativa está voltada para São Januário. Fonseca pode começar diante do Vasco o capítulo brasileiro da carreira. O ge acompanha em Tempo Real.
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