Susana Vieira: 'A idade chega, mas a minha cabeça e o meu ritmo continuam a mil'

Susana Vieira, de 84 anos, estreia a série Escola Susana Vieira de Atuação no GloboPop, nesta sexta-feira (16). A trama marca a estreia da atriz no humor vertical e é o primeiro original do app de vídeos curtos da Globo. "Quando me apresentaram esse projeto focado no celular, confesso que tomei um susto inicial, porque estou acostumada com a tela grande da televisão", conta.
Admitindo levar a vida "com leveza, humor e uma pitada de ironia", Susana diz que a reunião com a equipe de desenvolvimento do projeto foi marcada por risadas. "Comecei a contar casos do meu cotidiano, e a equipe não parava de rir. Foi aí que percebemos que o roteiro tinha que nascer dessa espontaneidade."
Protagonista de sucessos como Anjo Mau (Globo, 1973) e Senhora do Destino (Globo, 2004), Susana gostou de experimentar o trabalho em uma série vertical. "Toda a minha trajetória foi construída na dramaturgia tradicional, fazendo vilãs icônicas, mães sofredoras e grandes paixões nas novelas. Trabalhar com esse novo formato, baseado no improviso e em reações rápidas, exige um ritmo diferente, mas foi delicioso."
Quem: Você tem uma carreira consagrada na dramaturgia. O que mais despertou a sua curiosidade para aceitar esse projeto, que mistura humor, improviso e uma linguagem pensada para o consumo no celular?
Susana Vieira: Trabalho na TV Globo há mais de 50 anos e sempre tive o hábito de abraçar com entusiasmo os desafios que me oferecem, porque essa é a carreira que escolhi. Quando me apresentaram esse projeto focado no celular, confesso que tomei um susto inicial, porque estou acostumada com a tela grande da televisão. Mas o celular virou um hábito universal, todo mundo está com o aparelho na mão, especialmente o público jovem e quem busca uma linguagem mais ágil. Achei uma novidade fantástica e me senti muito honrada com o convite.
As reações espontâneas dos atores são diferenciais desta série. Isso muda a forma como você encara uma gravação?
Foi uma experiência incrível. Para desenhar a série, reunimos na minha casa toda a equipe, autores e elenco. Tinha cerca de 20 pessoas na minha sala, e a ideia inicial era simplesmente conversarmos sobre o projeto. Só que eu sou uma pessoa que vê a vida com historinhas, leveza, humor e uma pitada de ironia. Comecei a contar casos do meu cotidiano, e a equipe não parava de rir. Foi aí que percebemos que o roteiro tinha que nascer dessa espontaneidade. O texto foi construído nessa troca: a base foi escrita por eles, mas as minhas falas surgiram ali mesmo, no improviso, trazendo a minha própria forma de falar. Toda a minha trajetória foi construída na dramaturgia tradicional, fazendo vilãs icônicas, mães sofredoras e grandes paixões nas novelas. Trabalhar com esse novo formato, baseado no improviso e em reações rápidas, exige um ritmo diferente, mas foi delicioso.
O formato vertical exige um ritmo diferente da dramaturgia tradicional. Durante os ensaios, houve algum exercício ou orientação para encontrar esse tom?
Na novela tradicional, a atuação é muito corporal e expansiva: a emoção acompanha o movimento das mãos, do rosto, do andar pelo cenário, de interagir com os colegas. Nesse novo formato, a dinâmica é muito mais focada em enquadramentos fechados, closes, piadas rápidas e um ritmo muito acelerado.
O que mais te surpreendeu nesse processo?
Foi uma surpresa ver o próprio elenco gravando as cenas, porque essa garotada já nasceu sabendo mexer com isso e faz tudo de um jeito muito natural. Eu era a única ali que não entendia nada daquele processo no começo. O diretor me explicou cada detalhe com muita paciência e sabedoria, pois eles já vinham estudando esse projeto há bastante tempo. Eu fui ouvindo, observando e aprendendo. No fim, meu avião levou pouquíssimo tempo para se adaptar e levantar voo, porque eu não estou aqui para brincar: vim para aprender, fazer o que amo e ser feliz.
Depois de tantos anos de carreira, o que você acredita que esse projeto acrescenta à sua trajetória como atriz?
É um orgulho enorme, depois de décadas na TV Globo, fazer parte de algo tão diferente para mim e poder experimentar uma nova linguagem. Tenho a alegria de ter um público jovem que se identifica com esse meu jeito descontraído e meio 'palhacinha'. A idade chega, mas a minha cabeça e o meu ritmo continuam a mil! É gratificante poder explorar essa minha veia cômica ao lado da bagagem de tantas personagens dramáticas e marcantes que fiz na TV. Estou feliz demais com esse projeto e pronta para ver todo mundo colado no celular para acompanhar.
Você acompanhou de perto a transformação da televisão ao longo de décadas e agora participa de um projeto pensado desde o início para uma linguagem de vídeos verticais. Como é para você experimentar essa nova forma de contar histórias?
Dou parabéns aos autores, porque nós vivemos do texto e o ator depende fundamentalmente de uma boa escrita. Venho de uma formação clássica e de novelas onde uma única cena longa podia ter uns quatro minutos. Então, no início, era difícil imaginar como contar uma história inteira em apenas dois minutos! É um exercício de síntese impressionante, em que você precisa convencer e agradar ao público em pouquíssimo tempo. Um desafio novo dá aquele frio gostoso na barriga, mas que foi delicioso de fazer.
E qual a sua expectativa para essa série?
A minha maior expectativa é que a série seja um grande sucesso e conquiste públicos de todas as idades! Quero encantar o pessoal jovem que consome tudo no celular, mas também alcançar e divertir quem está em casa buscando um momento de leveza no dia a dia. Para mim, episódios curtos, com bons atores e um texto afiado, têm uma força enorme para prender a atenção e fazer todo mundo rir. Tenho certeza de que o público vai amar e se divertir muito.
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