PSD, PS e Chega saem de S. Bento na mesma: a passar culpas

Ventura não cede: nova lei do arrendamento tem de ser a três
O encontro entre Luís Montenegro, que se fez acompanhar por Joaquim Miranda Sarmento e Miguel Pinto Luz, ministro das Finanças e da Habitação, respetivamente, e André Ventura não produziu resultados melhores. Isto porque o líder do Chega reiterou aquilo que vem dizendo ao longo dos últimos dias: se José Luís Carneiro ficar fora da nova lei do arrendamento, é muito difícil que o Chega aceite ficar sozinho na fotografia do Governo.
À pergunta sobre se admitia apoiar esta nova lei apenas com o PSD, Ventura foi claro: “Não vou deixar que os causadores da crise da habitação não se responsabilizem por soluções na habitação. Não vamos deixar. É preciso muita lata e muita falta de vergonha e sair de uma reunião a dizer que não querem ter nada a ver com isto. O Chega que resolva o problema”, apontou o líder do Chega.
“Talvez o Presidente da República, que também é socialista, deva ter aqui alguma intervenção. Parece-me francamente inaceitável que um dos grandes responsáveis da crise de habitação em Portugal, chegado o momento de ir resolver, diga que não tem nada a ver com isso, e espera que o Chega resolva, entre aspas, o problema. Parece-me sinceramente muito estranho e muito hipócrita.”
Ainda assim, também Luís Montenegro foi visado pelas críticas do líder do Chega, que procurou sair destes encontros como o adulto no meio da sala. “É bizarro e caricato que os dois partidos que tiveram responsabilidades estejam agora a empurrar com a barriga, como se não tivessem responsabilidade nesta crise. É impossível consensualizar medidas se elas não forem apresentadas. É impossível haver diálogo se uma ou mais partes não quiserem diálogo nenhum. Fizemos o que nos competia.”
Segundo André Ventura, o Chega apresentou “50 medidas” neste encontro, entre elas a possibilidade de deduzir no IRS os juros pagos no crédito à habitação para contratos posteriores a 2011. Também a necessidade de rever o regime de arrendamento para trazer mais casas para o mercado e de o Estado cuidar dos imóveis devolutos que tem para que possam servir como parte da solução foram temas abordados na reunião com Montenegro.
AD devolve acusações de “infantilidade” ao PS
Os últimos a ser recebidos foram Hugo Soares e Paulo Núncio, líderes parlamentares de PSD e CDS, respetivamente. Sem grande surpresa, os dois apontaram baterias a José Luís Carneiro, acusando o líder socialista de, ele sim, manifestar total inflexibilidade. “Sentiu-se da parte do PS uma grande intransigência relativamente às propostas que apresentaram. O PS mostrou uma enorme intransigência no sentido de criar obstáculos, diria quase intransponíveis, para se poder chegar a um acordo abrangente em matéria de habitação”, denunciou Núncio, o primeiro dos dois a falar.
“As rendas estão elevadas por causa das leis que estão em vigor, designadamente a lei do arrendamento que foi aprovada no tempo do PS. O nosso objetivo é precisamente alterar a lei que produziu maus resultados e que levou ao aumento tão significativo das rendas. É para isso que estamos a trabalhar. Deixo um apelo final para que, não obstante as posições de princípio de cada um dos partidos, que haja bom senso, que haja capacidade de diálogo, que haja poder de negociação e capacidade de chegar a compromissos”, insistiu o democrata-cristão.
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD e braço direito de Luís Montenegro, aconselhou José Luís Carneiro a trocar o “não” pelo trabalho de construir pontes. “Os portugueses não perdoarão aos políticos que aproveitem o clima que está instalado na sociedade civil para discutirem e não para encontrarem um chão comum numa legislação que possa visar baixar os preços da renda. Sei que é mais fácil dizer que não do que trabalhar. Mas, do nosso lado, estamos disponíveis para continuar à procura de um consenso com as principais forças partidárias.”
“O país não está à espera que se entre numa lógica de passa-culpas. Essa lógica gera uma infantilidade na política que não é boa para ninguém. É mais fácil dizer não do que trabalhar numa solução. Um partido que coloca como condição de negociação retirar tudo o que foi feito até agora demonstra intransigência e uma absoluta negação da realidade. Dá a sensação, com franqueza, que o PS, que teve responsabilidade nos oito anos de governação, acha que está tudo bem e que não deve ser mudado”, rematou Hugo Soares.
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