Pezzolano comenta saída do Inter e ser técnico no Brasil: "Para o torcedor você é Deus ou o pior"


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De volta ao Uruguai, Pezzolano conversou com a imprensa local nesta terça-feira. Sobretudo, destacou a realidade dos técnicos no Brasil, muitas vezes reféns dos resultados, como ocorreu na passagem pelo Beira-Rio.
– Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano. Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior. Não tivemos resultados que podiam nos deixar um pouco melhor, estávamos embaixo na tabela. Mas na verdade, sinto um carinho tremendo das pessoas. Essa é a felicidade que resta – disse Pezzolano à rádio Carve Deportiva.
Paulo Pezzolano, ex-técnico do Inter — Foto: Liamara Polli/AGIF
A crise financeira do Inter também foi abordada pelo técnico. No último ano da gestão Alessandro Barcellos, o clube colecionou transfer bans, teve problemas com vencimentos de atletas, entre outros casos. Segundo ele, a proibição de contratar e a própria falta de recursos impactaram diretamente no trabalho, e que a equipe deveria estar acima no Brasileirão.
– Temas econômicos vêm de anos, como uma bola de neve que se formou. Muito dinheiro se foi e custou repor. Te bloqueiam com transfer ban, não se pode contratar, tiveram muitos. Então, não havia dinheiro, ano de eleições, é um ano diferente em um clube gigante como Inter. Isso no futebol brasileiro interfere muito, clubes investem muito e se nota quando não pode contratar ao nível que o Inter deveria contratar – afirmou.
– O trabalho no dia a dia foi espetacular e vou estar agradecido sempre com o presidente, com Abel Braga, com Fabinho Soldado. Uma lástima que futebol não é merecimento, mas merecia ter muitos mais pontos. Não é um treinador que está dizendo, mas as estatísticas. Inter era para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos abaixo – acrescentou.
Livre no mercado, Pezzolano disse estar tranquilo para escolher o próximo desafio. Disse ter recebido sondagens, inclusive do Brasil, mas não houve negociações. Apesar da temporada turbulenta e da consequente demissão do Inter, ressaltou o carinho recebido pelo torcedor.
– O grande aprendizado foi o carinho que as pessoas me deram. Quando fiz o post, que um amigo faz, que administra minhas redes, espera outro tipo de resposta. Mas não, disseram "você vai voltar", "não era o ano para você", "o trabalho foi espetacular", isso não é normal para um clube gigante. O mais lindo foi que, apesar dos resultados, há lugares no mundo que te valorizam a maneira de trabalhar.
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