Fifa projeta superávit histórico no Brasil para a Copa Feminina de 2027


Copa Feminina: Fortaleza recebe nove jogos em 2027 na Arena Castelão
Em inspeção à Arena Castelão, em Fortaleza, neste domingo (20), o diretor-executivo de operações da Copa do Mundo Feminina da Fifa, Thiago Jannuzzi, destacou uma meta da entidade para o evento no Brasil.
A Copa do Mundo Feminina de 2019, na França, tinha o patamar, mas ainda não foi superavitária. Já a Copa da Austrália e Nova Zelândia, em 2023, foi um evento que se pagou. A gente vem observando a evolução financeira e econômica desse tipo de evento com a expectativa de que a próxima edição seja a primeira Copa do Mundo Feminina da Fifa superavitária. Isso mostra para todos os entes que trabalham com a modalidade que, sim, o futebol feminino pode ser superavitário. Depende do investimento que se faz, e não é um investimento de curto prazo, ele demora a retornar, mas, sim, ele retorna."
Diretor-executivo de operações da Copa do Mundo Feminina da Fifa, Thiago Jannuzzi, com o secretário do Esporte do Ceará, Rogério Pinheiro, em inspeção na Arena Castelão — Foto: Samuel Conrado/SVM
Legado cultural
A valorização do futebol feminino passa por uma mudança de pensamento sobre a modalidade. Um dos pontos que a FIFA leva em consideração é a valorização do trabalho das mulheres dentro de clubes e confederações ligadas à entidade, como afirma Thiago Jannuzzi.
A gente tem trabalhado muito essa questão cultural no legado para esta Copa do Mundo Feminina de 2027, buscando uma mudança de cultura, de entendimento e de patamar do futebol feminino. Ver esse estádio lotado nos nove jogos que a Arena Castelão vai receber é mais do que um incentivo ao povo brasileiro para entender o quão desenvolvido e valorizado o futebol feminino é no mundo hoje em dia. O incentivo vem, muitas vezes, do próprio exemplo que a Fifa dá. O investimento que ela vem fazendo no futebol feminino ao longo dos anos é notório."
— Thiago Jannuzzi destaca o legado cultural da Copa do Mundo Feminina 2027.
De acordo com Jannuzzi, o Brasil é um exemplo, dentro da própria FIFA, no que diz respeito à representatividade feminina na equipe. Cerca de 70% do staff é formado por mulheres, que ocupam espaços em todas as etapas do trabalho interno no país.
Amistoso da seleção brasileira feminina entre Brasil x Estados Unidos, na Arena Castelão — Foto: Kid Júnior/SVM
Inspeção nos estádios
A rodada de visitas às cidades-sede conta com uma comitiva formada por cerca de 100 funcionários da Fifa. Eles fazem toda a inspeção na praça esportiva, desde o Wi-Fi disponível para a imprensa, passando pela estrutura física e os acessos para a torcida, até os equipamentos utilizados na manutenção do gramado.
Nós temos no nosso cronograma de planejamento algumas visitas in loco a todos os estádios, isso faz parte da nossa rotina. Nós, que desde 2024 vínhamos realizando essas visitas, além de reuniões virtuais mensais, vemos esses encontros como importantes para nos atualizarmos sobre como está a estrutura do estádio. Assim, todas as áreas funcionais da Fifa podem entender a sua operação, fluxo, ocupação de espaço e infraestrutura para incorporar isso ao nosso mapa operacional."
— Thiago Jannuzzi, diretor-executivo de operações da Fifa.
A inspeção de setembro não é a última da comitiva nos estádios. Em 2027, o grupo deve retornar às arenas que vão receber os jogos da Copa para os ajustes finais do planejamento.
A Arena Castelão foi o antepenúltimo estádio a receber a visita. Antes da capital cearense, o grupo da Fifa passou pelo Beira-Rio, Maracanã, Mineirão, Mané Garrincha e Arena Corinthians. A comitiva passará, nos próximos dias, pela Arena Pernambuco e pela Arena Fonte Nova.
Mosaico na Arena Castelão no amistoso entre Brasil x Estados Unidos — Foto: Giovanna Borges/SVM
Copa de 2014
Um ponto que o diretor-executivo de operações da Fifa, Thiago Jannuzzi, reforça é a estrutura pronta deixada pela Copa do Mundo Masculina de 2014. Segundo o dirigente, esse foi um dos grandes motivos para que a entidade escolhesse o Brasil.
A gente tem batido muito na tecla de que a Copa do Mundo Masculina de 2014 deixou um legado de infraestrutura muito grande no país, não apenas restrito aos estádios, mas também em aeroportos, rodovias e malha ferroviária com metrôs em muitas cidades. Esta Copa do Mundo Feminina vai usufruir desse legado."
— Diretor-executivo de operações da Fifa, Thiago Jannuzzi.
Quem corrobora o discurso de Jannuzzi é o secretário do Esporte do Ceará, Rogério Pinheiro, que aponta as mudanças que o torcedor irá notar no estádio cearense.
O nosso estádio foi modernizado em 2012. Nós estamos trabalhando para entregar uma nova modernização, principalmente em tecnologia da informação, já que 14 anos são quase um século. Hoje o estádio atende muito bem, mas, seguindo as orientações da FIFA, nós vamos trabalhar nessa modernização. Esteticamente não deve mudar muita coisa. Nós vamos trabalhar na reposição de cadeiras, recuperação, identificação, numerações e em toda a parte interna no que tange à manutenção. Mas quando o torcedor vier à Copa do Mundo, com certeza ele vai chegar a um ambiente totalmente diferenciado, um ambiente de Copa, com toda aquela atmosfera que faz parte de um grande evento esportivo."
— Rogério Pinheiro, secretário do Esporte do Ceará.
A Arena Castelão irá receber nove partidas da Copa do Mundo Feminina em 2027. As mudanças na estrutura do estádio devem começar ainda no final desta temporada do futebol brasileiro. A ideia da secretaria é afetar o mínimo possível o calendário de jogos dos times cearenses.
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