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Saturday, November 7, 2026

F1 volta a ter quatro pilotos latino-americanos no GP de São Paulo após dez anos

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A chegada de Rafael Câmara à F1 amplia a presença de latino-americanos na categoria. Haverá quatro na corrida deste final de semana, algo que não acontece há uma década.

O pernambucano de 21 anos, anunciado como titular da Haas a partir de 2027, terá sua estreia antecipada para o GP de São Paulo, no domingo (8), e se juntará ao mexicano Sergio Pérez, da Cadillac, ao argentino Franco Colapinto, da Alpine, e ao brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi.

Câmara entra no lugar do francês Esteban Ocon, afastado após desentendimentos com a equipe no GP do México. Na ocasião, Ryo Hirakawa, reserva do time, assumiu o lugar do francês. O japonês, porém, não viajou ao Brasil por conflito de agenda: ele disputa o Mundial de Endurance em Monza, na Itália. Com isso, Câmara corre em Interlagos e continua como titular na equipe em Las Vegas.

Em 2016, a América Latina tinha quatro representantes no grid: os brasileiros Felipe Massa, da Williams, e Felipe Nasr, da Sauber, e os mexicanos Sergio Pérez, da Force India, e Esteban Gutiérrez, da Haas.

A partir de 2017, porém, a presença de latino-americanos diminuiu. Nasr perdeu sua vaga na Sauber, que contratou o alemão Pascal Wehrlein, e Gutiérrez deixou a Haas, substituído pelo dinamarquês Kevin Magnussen.

Felipe Massa também havia anunciado sua aposentadoria, mas mudou de ideia poucos meses depois e permaneceu na Williams por mais temporada. O brasileiro encerrou sua trajetória na F1 ao fim do campeonato, iniciando o hiato de brasileiros na categoria, que durou até a chegada de Bortoleto em 2025.

Com a saída de Massa, Peréz se tornou o único piloto da região nas pistas —situação que se manteve até 2024, quando Colapinto substituiu o americano Logan Sargeant, da Williams, nas últimas nove etapas.

Em 2025, foi a vez de Bortoleto chegar à F1. Campeão da F3 e da F2, o brasileiro estreou pela Sauber, equipe que passou a competir como Audi neste ano. Colapinto acabou contratado pela Alpine e voltou ao grid no último ano. Já Pérez passou uma temporada fora das pistas e retornou em 2026 para integrar a Cadillac, 11ª equipe do grid, após ter deixado a Red Bull.

Assim como Ayrton Senna, que fez sua estreia em casa, Câmara debuta na principal categoria do automobilismo diante da própria torcida. A presença do jovem no grid encerra outro jejum de dez anos, já que o Brasil volta a ter dois titulares nas pistas pela primeira vez desde 2016.

Para, Bortoleto é "um milagre". "Tem sido cada vez mais caro correr no automobilismo, não pelo Brasil em si, mas por quanto o esporte está se tornando dispendioso na F3, na F2 e em todas as outras categorias, como o kart", disse.

Foi nesse cenário de custos crescentes que Câmara construiu sua trajetória até a F1. O pernambucano integra a academia de pilotos da Ferrari desde 2021 e chegou à F1 após ter vencido a Fórmula Regional Europeia, a Freca, em 2024, e a F3, em 2025. Na atual temporada, lidera a F2.

"Acho que, na vida, independentemente do que se faça, se você ama o que faz, é possível fazer dar certo. É muito bom estar nesta posição e espero que possamos inspirar os mais jovens a perseguir seus objetivos, para que um dia haja mais pilotos da América do Sul aqui", afirmou.

Colapinto também ressaltou as dificuldades financeiras de pilotos latino-americanos para chegar à F1 e defendeu maior acesso de crianças ao automobilismo, além de mais investimentos de patrocinadores nas categorias de base.

"Quando eu era jovem, todos me diziam que era impossível chegar à F1, que era preciso ter muito dinheiro e recursos, que era extremamente difícil vindo de onde viemos", comentou.

"Somos quatro latino-americanos na F1. É algo de que nos orgulhamos muito. Eu me sinto muito honrado por ser um deles. Sou muito grato e fico muito feliz com o apoio que recebo; mas, acima de tudo, por poder inspirar as crianças", disse o argentino.

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