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Thursday, September 24, 2026

Escultura, pintura, desenho e, só no fim, fotografia

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Chegamos ao último episódio do "A Nossa Cultura", aqui no Museu Quinta da Cruz, em Viseu, onde temos vindo a conhecer a primeira exposição do ciclo Peter Maker, uma mostra que reúne obras de 18 artistas contemporâneos de diferentes geografias. Temos a honra de estar a fazer esta viagem com Miguel Rouge aos comandos, é o curador, o responsável pela seleção das obras e também pela maneira como estão expostas. Vamos agora estar neste último momento desta epopeia. Miguel, neste momento percorremos os corredores, vamos descendo uma rampa. Temos ao nosso lado direito uma obra com uma dimensão significativa, uma fotografia. Pergunto-lhe: esta fotografia é de autoria de quem?

De Augusto Alves da Silva, falecido ano passado. É uma fotografia sem título, de 2001. O Augusto Alves da Silva é um dos três artistas fotógrafos portugueses com grande representatividade na coleção, ao lado de Jorge Molder e Paulo Nozolinho.

Entretanto, ao longo do nosso percurso fomos vendo escultura, pintura, desenho e só agora no final desta viagem é que vemos a fotografia. Acredito que exista uma lógica por trás.

Sim, a exposição parte do núcleo significativo de escultura existente na coleção. Todas as obras, de alguma forma, dialogam e exploram as temáticas do espaço e dos lugares. E aqui temos uma referência direta à questão do lugar. Vemos uma paisagem e temos a questão da altitude, uma paisagem montanhosa. O fotógrafo tirou, provavelmente no miradouro, esta fotografia, e nós podemos relacionar primeiro este lugar e a questão da altitude com a obra e a forma como a obra, aquela obra que estamos a ver, posicionada bem acima, se calhar a cinco metros acima do chão, uma obra de Rui Chafes, chama-se "Yo Cló", em português "De Olhos Fechados", e o artista aqui explora a questão da ascensão, da leveza, muitas vezes associadas a questões da espiritualidade. Esta peça é uma das três peças da série que está também na capela. Ou seja, temos aqui esta obra e temos as outras duas na capela, mais uma vez para dar essa profundidade e essa relação direta com a questão da ascensão, a questão da espiritualidade, da leveza. E criamos estas relações entre fotografia, escultura, desenho, pintura, partindo sempre das questões da temática dos lugares e do espaço.

Só uma curiosidade desta fotografia, não tem título e também não sabemos onde foi tirada a fotografia. Há esse mistério em torno da peça.

Sim, provavelmente, pela grande cumplicidade que o Pedro Alves Ribeiro tinha com o Augusto Alves da Silva, acredito que o colecionador conseguiria contar até uma história de onde é que foi tirada, em que condições foi tirada, e é sempre interessante falar com o Pedro Alves Ribeiro nesse sentido, porque ele acrescenta e dá essa dimensão quase pessoal à obra.

Fica o mistério para quem visita. Aqui, entretanto, fomos descendo a rampa, passamos a porta, entramos no último corredor, onde volta a haver escultura e também fotografia. Temos primeiro estas três esculturas alinhadas na parede. Fala-me um pouco sobre elas.

Sim, essas esculturas são de 2025, chamam-se "Emil" e são da Sydney Schrader, uma das aquisições mais recentes da coleção.

Esta artista que já visitou aqui a exposição, certo?

Exatamente. É uma das artistas que fez uma visita guiada com o colecionador e atualmente expõe parte também desta série de esculturas na Casa São Roque. Daí o envolvimento também do Pedro Alves Ribeiro, sendo presidente da Casa São Roque, o envolvimento também da própria coleção com a Casa São Roque, não só da Casa São Roque explorar, dinamizar e dar a conhecer a coleção, mas também mostra um bocadinho o fascínio que o Pedro tem pelos artistas, no sentido em que conheceu a artista, no sentido em que ela expôs na Casa São Roque e o Pedro ficou completamente apaixonado pelas esculturas da Sydney e mostra uma das aquisições mais recentes da coleção. Há aqui algumas particularidades que posso falar nesta obra. A série é grande, se calhar com 30, 40 esculturas. Aqui mostramos três. Elas são posicionadas assim muito próximas umas das outras e todas têm alguns pontos em comum. Primeira parte da obra está quase colada à parede, encostada à parede, a questão material do espaço. Depois, numa segunda parte, há uma espécie de forma convexa que se sobressai e que ocupa o espaço. Por isso eu costumo falar do lado imaterial da obra. Temos aqui um jogo entre o lado material e o lado imaterial da parte que sai da parede e ocupa o espaço.

Estão também expostas da maior para a menor, há essa dimensão.

Exatamente, sim. Sendo um corredor e o corredor indicando a questão da passagem, as obras escolhidas para os dois corredores indicam também essa questão de nos movermos. Aqui, se calhar, a forma mais presente da questão do lugar e do espaço é a forma como as temos que observar movendo-nos e aproximando-nos delas. Agora passamos para duas fotografias do Augusto Alves da Silva, tiradas na ilha espanhola La Gomera. Vemos, mais uma vez, uma pessoa que está a olhar para o sentido oposto onde nós estamos a percorrer. Está aqui uma espécie de jogo curatorial em que as obras que vamos ver a seguir estão a indicar-nos a passagem para o sentido oposto da exposição, quase que Empurrando-nos a voltarmos a ver de novo a exposição.

Esta fotografia faz-me lembrar uma frase que eu gosto, que é: aqui nós não sabemos se esta pessoa está a ver isto como um mirador ou como um precipício. Dá essa dualidade. E depois, à nossa esquerda, para finalizar, é a penúltima peça. Temos mais esta fotografia e depois uma escultura. Esta fotografia é da mesma autoria?

Exatamente. Esta fotografia está em ligação direta, é da mesma série do Augusto Alves da Silva, Lágo-Meira. E mais uma vez, há aqui umas particularidades no trabalho do Augusto Alves da Silva. Uma delas é: parece uma fotografia bastante subtil, e quando nos aproximamos dela, quando paramos para olhar, vemos que há aqui algumas características que nos saltam à vista. Neste caso, a espingarda, por exemplo, posicionada aqui na zona pélvica. E se olharmos para a outra fotografia, também temos uma espécie de câmara posicionada na forma pélvica. Então há este jogo subtil do Augusto Alves da Silva de, aparentemente, uma fotografia de um lugar, aqui uma piscina, mas depois tem esta subtileza de nos dar algumas coisas que parecem até confusas. Por que o senhor tem uma espingarda numa piscina, num ambiente tão tranquilo e provavelmente num hotel?

Estamos a chegar ao final do corredor, ainda queríamos abordar os restantes ciclos. Portanto, de forma sintética, explique-me então estas duas esculturas. Uma está colocada do lado direito do corredor e por fim, temos a última colocada do lado esquerdo.

Exatamente. Estas duas esculturas, mais uma vez, indicam-nos a questão da passagem, do andar, e mais uma vez no sentido oposto em que nós estamos a terminar a exposição. Aqui vemos uma pintura, mas é uma pintura que tem uma espécie de figura que se sobressai e ocupa o espaço. Então também há esse diálogo, como tínhamos visto no Pedro Cabrita Reis, no “Dobras Pinturas Negras”, esse limbo entre escultura e pintura está aqui presente também nesta obra de Pavel Althamer, um artista importante também na coleção e um artista e escultor polaco. A última obra, ou a primeira, depende de como começarmos a exposição, é Jean-Luc Moulène, uma espécie de compasso, em que vemos um lápis e depois um prego. A primeira perna tem um lápis, a segunda tem um prego. Mais uma vez, dá-nos essa questão do movimento e, mais uma vez, é uma ligação direta com todas as esculturas que estão neste corredor e com as próprias fotografias, de nos empurrar de novo e propor ao espectador um olhar, de novo, para a exposição e um olhar diferente para a exposição.

Muito bem, para terminarmos, esta é a primeira exposição de um ciclo de três. Como é que vai ser feita a programação deste ciclo, que dura até 2028?

Sim, o ciclo é composto por três posições. Neste momento, está a decorrer a primeira exposição. Interessou tanto à Casa São Roque como à Quinta da Cruz ter uma programação forte, um envolvimento com a comunidade local. Daí termos organizado visitas com artistas. A primeira já foi realizada com a Sydney Schroder. Vamos também ter uma forte aposta do programa educativo, inclusive com visitas orientadas a muitas escolas de ensino superior, ensino secundário, que trabalham de cursos relacionados com arte. E temos também o catálogo, por exemplo, que no final dos três anos serve de registo e como matéria de conhecimento do que é que ficou, do que é que poderá ser pensado a partir daqui e o contributo que este ciclo poderá ter para pensar a arte contemporânea das últimas quatro décadas.

E este ciclo, para finalizar, vai estar aqui exposto até quando?

Esta primeira exposição estará cá até dia 29 de novembro e em breve serão anunciadas visitas guiadas ao público geral, feitas por mim, curador, e também uma visita com o artista, que será anunciada em breve.

Fica a recomendação: estar atento para visitar estas obras do ciclo Peter Mikard, no Museu Quinta da Cruz, em Viseu, e chega assim ao fim este também ciclo de cinco episódios. Estivemos na companhia de Miguel Rujo, o cérebro por detrás da forma como as obras estão expostas, é o curador desta exposição, e também de Ana Rita Antunes, técnica superior dos Museus Municipais Quinta da Cruz. Agradeço aos dois a disponibilidade. Fique por esse lado, está a ouvir a Rádio Observador Viseu.

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