Na França, protestos estudantis se espalham por 40 cidades, com prisões e confronto com a polícia

Na França, estudantes foram às ruas em mais de 40 cidades para pedir condições melhores nas escolas do ensino médio. O governo afirmou que as marchas reuniram 260 mil pessoas. Os manifestantes disseram que foram quase 500 mil. Esses protestos ocorrem em meio à crise fiscal da França, que tem uma dívida pública de 3,5 trilhões de euros.
Um caixão de papelão e o alerta: “Juventude ainda viva - por quanto tempo?”. Os alunos do ensino médio reclamam de salas superlotadas, falta de professores, instalações de ensino deterioradas.
“Há ratos, infiltrações, teto caindo sobre os alunos”, relatou a jovem.
O movimento começou em setembro, nos subúrbios pobres da capital. Mas se espalhou pelo país. Nesta terça-feira (6), mais da metade dos cerca de 3,7 mil colégios franceses foram bloqueados ou fecharam as portas. Foi o maior dia da mobilização.
“É uma luta por dignidade”, disse o presidente do sindicato estudantil.
Na França, protestos estudantis se espalham por 40 cidades, com prisões e confronto com a polícia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
As preocupações uniram estudantes e professores. Filhos e pais e também avós. Em Marselha, uma senhora voltou às ruas com o marido. Os dois participaram do Maio de 68 - o histórico movimento estudantil que acabou parando a França há quase seis décadas.
“Cada governo, em vez de resolver, só piorou as coisas. O que os governos querem? Querem pessoas passivas para poder controlar”, disse ela.
Ruas de cidades como Estrasburgo, Lyon e Paris pegaram fogo. Houve confrontos. A polícia disparou gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar os manifestantes. Mais de 6 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, a maioria menores de idade. Segundo o governo, mais de 700 policiais e mais de 200 adolescentes ficaram feridos. Entre eles, um de 15 anos, que perdeu a mão ao pegar uma granada de efeito moral lançada pela polícia, e outro de 14, que fraturou a mandíbula ao ser atingido por uma bomba de gás.
Organizações de direitos humanos denunciam uso desproporcional de força contra menores e anunciaram que vão levar as denúncias de violência policial aos relatores especiais das Nações Unidas.
Na França, protestos estudantis se espalham por 40 cidades, com prisões e confronto com a polícia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Seis meses antes da eleição presidencial, o governo de Emmanuel Macron e a extrema-direita de Marine Le Pen acusam a esquerda radical de estimular os protestos. O partido França Insubmissa nega. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, falou que são os protestos estudantis mais violentos em décadas, mas reconheceu que as reivindicações são legítimas e prometeu anunciar propostas até o fim de outubro.
Só que a cobrança por mais verba para a educação atinge um governo que tenta cortar gastos para reduzir o déficit, no momento mais delicado do ano. O Parlamento se prepara para votar o novo Orçamento. Com a divisão interna, vai ser difícil fechar essa conta.
A França não tem um Orçamento equilibrado há mais de 50 anos. O governo propôs economizar 43 bilhões de euros em 2027, cortando benefícios sociais, congelando parte de salários do setor público e dos reajustes das aposentadorias.
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