Relação com Congresso está entre os principais desafios do governo Lula nos próximos 4 anos; entenda

O Congresso que saiu das urnas em outubro é majoritariamente de oposição. No domingo (25), ao comemorar a vitória, Lula disse que o povo escolheu os parlamentares e que é com esse Congresso que ele vai conversar, discutir para aprovar projetos de interesse do governo – são muitos.
O Senado ainda não aprovou a PEC da segurança pública, que aumenta a participação do governo federal nas ações de combate às organizações criminosas. O Congresso também deve receber nos próximos dias o projeto para regulamentar o fim da escala 6x1. E seguem em discussão a regulamentação do trabalho por aplicativos, regras para o funcionamento das big techs e do mercado digital e a PEC para transporte gratuito nos fins de semana.
Com o fortalecimento do PL na Câmara e no Senado, vai ser mais difícil para o governo formar maioria de votos. Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar, o Diap, mostra que o presidente Lula vai ter a menor bancada de apoio de todos os quatro mandatos.
Na Câmara, a base de sustentação irá variar de 124 a 370 deputados. E ainda, segundo o estudo, desses deputados, 124 são considerados de apoio consistente e 246 condicionados a cada projeto, votação a votação. Cento e quarenta e três são de oposição. No Senado, o apoio pode variar de 16 a 47 votos, sendo 16 consistentes, da base de governo, 31 condicionados às propostas e 34 de oposição.
Relação com Congresso está entre os principais desafios do governo Lula nos próximos 4 anos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Para conseguir aprovar projetos nas duas Casas superando os votos dos partidos de direita, o governo vai precisar, além da base aliada, ter o apoio do Centrão. O cientista político Carlos Melo afirma que o presidente reeleito precisa ir além da negociação com o Congresso. Vai ter que ouvir outros setores da sociedade:
“Terá que recorrer à negociação dentro do Congresso, mas também a buscar na sociedade apoio. E, na sociedade, quando eu digo apoio, não é dentro de uma bolha de aficionados. Vai ter que procurar setores econômicos importantes, vai ter que estabelecer outra relação com o agronegócio, outra relação com o mercado financeiro, outra relação com o empresariado de uma forma geral. Vai ter que ser mais aberto, menos preconceituoso e, portanto, mais efetivo”.
Já no início de fevereiro, o presidente Lula vai ter uma noção clara de como vai trabalhar com o novo Congresso. No dia 1º, Câmara e Senado vão eleger seus novos presidentes, que têm papel decisivo na pauta do Congresso. Decidem, por exemplo, o que vai ser votado. Aliados de Lula, Davi Alcolumbre, do União Brasil, e Hugo Motta, do Republicanos, tentam a reeleição.
No Senado, o atual presidente Alcolumbre deve enfrentar dois senadores da oposição ao governo Lula. Rogério Marinho, do PL, e Teresa Cristina, do Progressistas, já falam em disputar a vaga com o apoio de partidos da direita. Na Câmara, Motta costura o apoio de partidos de centro e de esquerda. No domingo (25), logo após a confirmação do resultado das urnas, os dois declararam apoio a Lula.
“Ele terá, sem dúvida alguma, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal todo apoio necessário para podermos apoiar as pautas que são necessárias para melhorar a vida de quem mais precisa”, afirma Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados.
“O Congresso brasileiro não se furtará em debater todos os temas, não se furtará em fazer os enfrentamentos necessários para buscar, na agenda do Parlamento brasileiro, uma agenda de resposta ao que a sociedade espera do Poder Legislativo. Isso que nós vamos fazer até o último dia dos nossos mandatos à frente da presidência do Senado e da Câmara”, diz Davi Alcolumbre, presidente do Senado.
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