Homem que invadiu CMEI e fez crianças reféns em Curitiba sofria de esquizofrenia, diz polícia

Ele fez 13 crianças reféns dentro de uma sala de aula e foi morto pela polícia por volta das 18h20, depois de mais de três horas de tentativas de negociação, segundo a Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
➡️O g1 não vai divulgar o nome do autor do ataque. A decisão segue as recomendações mais recentes de especialistas no tema, que defendem que dar visibilidade a agressores pode servir como um estímulo a novos ataques.
De acordo com o coronel Alexandre Lopes Dias, que lidera o Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do estado, o agressor só foi identificado depois que a equipe entrou na sala e disparou contra ele. Após a identificação, os policiais constataram que o homem sofria de esquizofrenia.
"Após a neutralização, nós conseguimos identificá-lo. Nós não tínhamos ainda conseguido identificá-lo. Com a identificação soubemos que ele sofre de esquizofrenia. [Durante as negociações, ele] não falava nada conexo, que pudéssemos identificar qual seria a sua real intenção ou o motivo pelo qual ele estava fazendo aquilo", relata o coronel.
Com o autor do ataque, os policiais encontraram uma faca e uma arma de fogo falsa. Segundo o coronel, o homem também espalhou um líquido inflamável pela sala e ameaçava começar um incêndio.
"Tentamos ao máximo acalmar ele e as crianças. Quando percebemos que as crianças começaram a ficar num nível de estresse mais elevado e ele, por não conseguir controlar essas crianças, veio, de certa maneira, a agredi-las de forma verbal e com algumas até segurando de uma forma mais acintosa. [...] No momento oportuno, numa janela de oportunidade, a gente optou pelo adentramento tático. Ele estava com o isqueiro na mão ameaçando botar fogo naquele local", explicou.
O homem foi baleado quando, durante a entrada dos policiais, tentou pegar uma das crianças, segundo o coronel.
Crianças não tiveram ferimentos graves
As 13 crianças foram resgatadas sem ferimentos graves e encaminhadas para atendimento médico e psicológico. — Foto: Reprodução
O coronel Dias destaca que as crianças foram resgatadas em segurança. "No momento em que nos aproximamos delas, elas estavam, logicamente, bem abaladas. Estavam chorando de forma compulsiva", conta. Ele relata que cinco delas foram encaminhadas à UPA, por opção dos pais, mas que apenas uma das 13 crianças tinha ferimentos visíveis, com alguns machucados no rosto.
Durante a ocorrência, a área próxima da escola foi isolada e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foi ao local para tentar negociar com o suspeito. Um helicóptero da polícia acompanhou a ocorrência.
Crianças que estavam em outras salas do CMEI conseguiram deixar o local, segundo a Polícia Militar (PM).
Segundo a polícia, não há informações se o suspeito tem relação com alguma das crianças ou com a escola.
Região da creche foi isolada — Foto: Tony Mattoso/RPC
Mobilização coletiva
Familiares dos estudantes da creche foram acolhidos por equipes da Prefeitura de Curitiba, que também mobilizou psicólogos para oferecer atendimento especializado.
Responsáveis de crianças que estudam em um colégio municipal ao lado do CMEI foram chamados para buscar os estudantes e evacuar a escola.
Por meio de nota, a Prefeitura de Curitiba agradeceu a atuação das forças de segurança e informou que, desde o início da ocorrência, mobilizou suas equipes para prestar todo o apoio necessário às crianças, aos profissionais e às famílias.
Helicóptero da Polícia Militar do Paraná faz parte da operação que atende a ocorrência no CMEI invadido em Curitiba — Foto: PM-PR
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