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Monday, October 19, 2026

A pintura de António José Pereira e Serafim Lourenço Simões

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a história das histórias. Eu sou o João Paulo Secador e Jorge Adolfo Marques em Viseu. Este historiador e professor continua a homenagear grandes personalidades de Viseu ou da Beira Alta. Hoje, concretamente, são dois viseenses. Vamos falar de António José Pereira e de Serafim Lourenço Simões. Olá, Jorge. Bem-vindo.

Olá, João Paulo.

Quem são os homenageados de hoje?

São dois artistas, cada um no seu modo. De facto, Viseu, a região, porque nem todos são de Viseu, mas a região tem, ao longo da sua história, pessoas com muito valor nas suas atividades que têm saído ou se mantido cá. Nós temos valorizado aqui, nestes últimos dias, alguns artistas, mas também intelectuais. Artistas em várias áreas. Como, por exemplo, o António José Pereira. Nós já falamos aqui várias vezes do António José Pereira. Ele nasceu na Rua Nova. A Rua Nova hoje é a Rua Augusto Hilário, porque o Augusto Hilário nasceu e faleceu precisamente nessa rua.

Nessa rua, exato.

Essa chamada rua antiga, Rua Nova, hoje Rua Augusto Hilário, que era uma rua da judiaria, importa dizer, antes de se chamar Rua Nova, era precisamente uma rua da judiaria de Viseu. Ele nasceu ali em 1821, nessa rua do centro histórico de Viseu, da cidade de Viseu da época. Hoje é que nós dizemos que é centro histórico.

Exatamente.

Ele era um viseense dali daquele núcleo. Casou em 1839 com uma senhora, Rosa Carolina Pereira, que era uma senhora aqui de São João de Lourosa, uma freguesia aqui do Conselho de Viseu. Teve um filho que foi sacerdote, tinha o nome do pai. Portanto, António José Pereira.

Sim.

Foi sacerdote aqui na sede de Viseu. E teve um outro filho que foi licenciado em Direito. Portanto, ele teve uma prole que estudou e que seguiu profissões, atividades, etcétera. Bom, quem foi o António José Pereira? Ele foi professor de desenho no Liceu de Viseu, durante muitos anos, mais de três décadas. Ele aposentou-se em 1895, portanto, quase no final do século. No século 19.

Sim.

E por que eu estou a dizer a data da sua aposentação? Porque é a data do seu falecimento. Ele faleceu nesse mesmo ano de 1895. Ele era um autodidata, mas com uma grande capacidade e sensibilidade no desenho. Ele começou por fazer flores e máscaras, depois aventurou-se na escultura, em pedra e em madeira, e finalmente ficou-se pela pintura, onde se notabilizou com alguns trabalhos a óleo, a têmpera ou a aguarela. Nós já aqui falamos num outro programa, na tal pintura do Nunes de Carvalho, que se encontra na Biblioteca Municipal de Viseu e que é de sua autoria. É curioso, também não foi por acaso que procurei falar aqui um pouquinho do António José Pereira, porque ele sendo um autodidata, mas ele foi um profundo investigador da obra de Vasco Fernandes, o dito Grão Vasco.

Grão Vasco.

Grão Vasco. E a ele se deve a descoberta, em 1862, de uma assinatura do Grão Vasco, de Vasco Fernandes. Num dos quadros.

Nas suas telas. Sim.

Lá aparece Velasquez. É no quadro do Pentecostes. E que pertencia à sacristia da Igreja de Santa Cruz de Coimbra. Portanto, só este contributo já é importante na história da arte e, nomeadamente, no conhecimento da pintura, da produção do grande Vasco. O Grão Vasco.

Vasco Fernandes.

Conviveu com homens da sua época: Alexandre Herculano, José de Oliveira Berardo, que já falamos aqui também do Berardo, do Conde de Razinsky, polaco, com Maximiano Aragão, outra grande personalidade viseense, historiador, um jurista, mas que deixou uma obra como historiador importante. O António José Pereira é autor de várias telas de figuras viseenses, nomeadamente do tal Nunes de Carvalho, que eu já referi, mas também do Dom António Alves Martins, do bispo Dom António Alves Martins, e a Câmara Veio homenageá-lo há não muitos anos, atribuindo-lhe também o nome de um largo na cidade, precisamente num espaço que fica entre o Museu Grão Vasco e a Casa do Miradouro. Há todo um ambiente muito inspirador para quem estuda e investiga o que é a história destas personalidades e a história da cidade, porque estas personalidades também fizeram a cidade.

Claro que sim. E afinal, um espaço que ele cruzou centenas de vezes, certeza.

Exatamente, onde ele viveu. Uma outra figura que eu hoje gostava de referir, também brevemente, é o mestre pedreiro Serafim Lourenço Simões, que nasceu em 1839. Tenho aqui apontado para aquele século XIX, até os finais do século XIX.

Exatamente.

O Serafim Lourenço Simões, mestre pedreiro, nasceu em 1839, numa aldeiazinha chamada Sanguinhedo de Maçãs, que pertence a uma freguesia do Conselho de Viseu. É uma zona muito rural, freguesia de Lordosa. Subiu a pulso a vida, era um homem que veio de um meio muito rural. Era analfabeto e aos 27 anos, foi frequentar a escola noturna para aprender letras, para aprender a ler e a escrever. E foi aprendendo a desenhar, sobretudo em casa de quem? Quem era seu professor? António José Pereira.

Ok.

António José Pereira.

Que acabamos de falar.

Exatamente. Está aqui esta relação. Ele aprendeu rapidamente, não era por falta de inteligência, que era analfabeto. E ele vem a fazer obras, como mestre pedreiro, de igrejas matrizes, por exemplo, de Budiosa, de Rio de Loba, de Calde, igrejas paroquiais. Foi de sua responsabilidade a edificação do Asilo da Viscondessa de São Caetano. Estou a falar tudo de edifícios que continuam a existir hoje. Continua o Asilo da Viscondessa de São Caetano, embora hoje tenha outro nome, Lar Viscondessa de São Caetano. Trabalhou em obras de conservação da Igreja da Misericórdia e no hospital, também da Igreja da Misericórdia. Mas ele tem uma obra muito interessante, que é: ele restaurou as escadas suspensas do antigo convento dos Néries, que era o tal seminário diocesano. E que tinha 57 graus, aquilo é uma obra extraordinária. As pessoas que não conhecem, eu acho que todos os estudantes de arte e de história da arte deveriam visitar essa construção.

E arquitetos.

E arquitetos, sim.

Exato.

Foi preciso desmontar essas escadarias, uma a uma, e reconstruí-las com segurança, e que ainda hoje estão lá.

Ninguém se safa.

Nunca irão. Isto é como a Torre de Pisa, sendo que as escadarias não estão inclinadas. Atenção.

Pois.

As escadas não estão inclinadas como a Torre de Pisa. É um feito arquitetônico muito importante. Ele depois também vai renovar as abóbadas de nós.

Dos nós, da Sé.

São obras extraordinárias da cidade. Restaurou a capela-mor da Igreja do Seminário. Em 1876, edificou o Asilo da Infância e o Hospício de Expostos. Em 1884, ele vai reconstruir a Casa Solar de Vasco Luís de Carvalho Pessanha, em São Cipriano, mais concretamente na povoação de Figueiró. E para além disso, ele dedicou-se ao desenho e à construção de muitos mausoléus que se encontram no cemitério da cidade de Viseu, dentro de um estilo muito próprio do século XIX, dessa fase, ao contrário daquilo que era muito comum na cidade. Ele vai ser o responsável também pela construção do pedestal da estátua do Dom António Alves Martins, que foi inaugurada em 1908.

O ano em que ele morreu.

Exato.

O ano do regicídio.

Exatamente. É um homem com umas datas muito associadas à história nacional. E pedestal esse, que depois foi inaugurado em 1911 por António José de Almeida.

Sim.

Também um bispo liberal.

Exato.

Isto é importante referir esse aspecto.

Exatamente.

E para além disso, é um homem que vai também talhar muitos dos brasões de casas, de solares, de palácios, aqui da Beira, porque era um exímio executante, como mestre pedreiro. É uma figura vinda de um meio completamente diferente daqueles que nós abordamos até agora, que vimos até agora, que referimos até agora. Mas é um homem que vai marcar a história da arquitetura, particularmente da segunda metade e fim de século do século XIX.

Final de 1800.

Serafim Lourenço Simões, um mestre de obras extraordinário e que tem muitas obras na região e que são sua lavra.

E que bonita homenagem estarem ainda muitas de pé e poder ver e estudar o trabalho deles. E agora lembrei-me disso porque outro dia, Jorge, fizeste-me chegar também aquela fotografia muito bonita daquela aldraba em ferro do Mestre Malho. Incrível. Tu falaste nisso nesta crônica e eu nem percebi que estava assinada, e está. Diz mesmo Malho, Viseu, e com aquele repouso. É lindo, achei aquilo fabuloso.

É muito curiosa.

Em Évora. Ou Arraiolos. Encontraste onde?

Em Arraiolos.

Arraiolos. Que coisa incrível.

Na Casa Califa. É curioso. Califa.

Porque a grande vida destes homens fica depois nas obras que eles fizeram.

Quero dizer que não estou aqui a fazer publicidade a nenhuma casa, porque ela está fechada seguramente há muito tempo.

Sim.

Mas curioso é nós encontrarmos a produção de personalidades, que já referimos aqui algumas.

Exatamente.

Que encontramos longe da nossa terra, mas com essa ligação. Quer dizer que estamos a falar de artistas cuja produção e cujos artigos, ali com caráter industrial, de produção em massa. Mas lá estava o nome do Mestre Malho.

Exatamente.

É isso que está lá marcado. Mestre Malho.

Incrível, gostei imenso. Ainda bem que tiraste a fotografia e mandaste.

Mestre Malho e não há mais nenhum.

Gostei imenso de ver. O grande amigo Bacolino que o salvou da cadeia. Muito bem. Jorge, estamos então conversados por hoje. Marcamos encontro amanhã, onde temos uma grande homenagem a um grande edifício que tu vais fazer, que eu sei, mas não vou sequer fazer nenhum spoiler, não vou contar o quê. Marcamos encontro então amanhã. Até amanhã, Jorge. Bem-hajas.

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