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Monday, September 14, 2026

"Os Estados Unidos nunca serão um aliado real para a Rússia"

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o Gabinete Guerra das manhãs 360. Esta segunda-feira com a análise do coronel José do Carmo. Olá, coronel, bom dia, bem-vindo.

Olá, bom dia.

Bom dia. Começamos por Donald Trump, que em viagem pela Irlanda apelou diretamente a Zelensky para parar de atacar as refinarias de gasóleo russas, porque diz que estão a provocar uma escassez global de combustível e a prejudicar a economia mundial. Coronel, a hipocrisia deste dito, com o gasóleo a bater recordes nos Estados Unidos e as eleições intercalares à porta, esta tentativa de Trump de culpabilizar a Ucrânia é uma tentativa desesperada de proteger os republicanos nas urnas ou mostra que a Casa Branca está disposta a sacrificar a eficácia militar de Kiev em nome da sua própria agenda?

Sim, o que mostra é que os interesses da Ucrânia não são os mesmos interesses dos Estados Unidos. A Ucrânia quer sobreviver, quer causar ao adversário uma atrição que causa, de fato, certos prejuízos, e Donald Trump está preocupado com o preço do petróleo, da gasolina e dos combustíveis nos seus eleitores. Ele pode apelar ao que quiser, mas ele tem algum grau de pressão sobre a Ucrânia, já tem menos do que tinha anteriormente, porque entretanto ele próprio deslocou o seu centro de gravidade para outro lado e portanto, neste momento, a sua capacidade de pressionar a Ucrânia já não é a que era. Já não fornece coisas a custo zero, no fundo vende, e por isso também tem que pensar muito bem nas consequências de se distanciar mais. Há coisas que, de fato, só ele vende, mas se ninguém lhe comprar, também não ganha nada com isso. O que ele está a fazer é claramente para ver se consegue proteger os seus eleitores.

Não soa também a desespero, já que não consegue resolver o conflito no Irão?

O Donald Trump diz umas coisas, é o que lhe vem à cabeça. É aquela questão também da Irlanda, sobre o estado que cria. Muitas vezes ele diz aquilo que lhe vem à cabeça e nem sequer pensa nas consequências do que diz ou nas aplicações. Muitas vezes não há qualquer coerência entre uma coisa que diz e outra que faz. E eu penso que tentarmos analisar o que Trump diz é como analisar entranhas de galinha, para descobrir qualquer coisa que haja ali que signifique alguma coisa. Eu penso que não significa mais do que aquilo que naquele momento lhe vem à cabeça. Salta-lhe da boca, tem o coração perto da boca ou nem sei o que é que ele tem perto da boca, mas diz coisas que nós analisar isto é como tentar analisar coisas que não têm como fazer qualquer sentido.

É verdade, coronel. Entretanto, depois do encontro na Cimeira dos BRICS, a Rússia diz que a China e a Índia se ofereceram como mediadoras de paz para o conflito com a Ucrânia. Coronel, o objetivo é afastar os Estados Unidos da mesa das negociações ou sem o aval direto de Washington e da NATO, qualquer plano de paz da China e da Índia está condenado ao fracasso?

A China, obviamente, é um fornecedor, é um aliado da Rússia e é um inimigo do Ocidente. Neste momento, mais dos Estados Unidos, porque entretanto também lhe interessa denegrir o Ocidente. Agora, não parece que a Europa ou a Ucrânia encarem a China como mediadora. Agora a Índia pode ser, a Índia embora tenha relações bastante próximas com a Rússia em termos de fornecimento de armamento, está claramente numa postura diferente. A Índia não tem interesse nenhum nestes conflitos, é um país em crescimento, tem uma população enorme, interessa-lhe a estabilidade e não lhe interessa nada disto. Agora, a Índia pode fazer sentido, porque a Índia não tem más relações com ninguém, que se saiba, e portanto, como mediador, é uma possibilidade. E se é aceitável para a Rússia.

Mas onde é que fica Washington no meio disto?

O problema é que Washington era um aliado da Ucrânia no início deste conflito. Entretanto, deslocou-se para uma posição de mediador, pôs-se fora, mas por outro lado também vende material à Ucrânia e também vende informações. Para a Rússia é um mediador possível, mas também não é o mediador ideal, porque os interesses da Rússia e dos Estados Unidos também não são os mesmos, embora às vezes Trump, pensando mais numa questão transacional de dinheiro, petróleo, mercado, às vezes fica um bocado longe daquilo que é o interesse estratégico e geopolítico dos Estados Unidos. Os Estados Unidos, a prazo, não é um amigo da Rússia, não é um aliado e a Rússia não vê apenas o comércio. A Rússia vê ao longe e vê que, de facto, os Estados Unidos não são um aliado, independentemente de quem lá está, neste momento está lá Trump, mas para amanhã estará outro, e os Estados Unidos nunca serão um aliado da Rússia. Portanto, os interesses dos Estados Unidos não são os interesses da Rússia, por isso nunca é um mediador visto de uma forma tão confiante como a Índia, por exemplo, sobre a qual a Rússia tem alguma influência.

No Médio Oriente, os rebeldes houthis do Iémen reforçaram o domínio no Mar Vermelho e tomaram a ilha estratégica de Perim, no Estreito de Bab-el-Mandeb. Coronel, como é que olha para tudo isto? O que é que podemos esperar nos próximos dias? Muita preocupação? Os Estados Unidos e também Israel arriscam-se a ver o comércio internacional paralisado numa segunda frente naval?

Eu diria mais que sim. Neste momento, há duas perspectivas. Os houthis de fato tomaram toda a costa do Mar Vermelho, até lá baixo ao Estreito de Bab-el-Mandeb, e ocuparam uma ilha. E é curioso, a ironia da história, a indecisão estratégica da Arábia Saudita. A Arábia Saudita tinha uma aliança com os Emirados em relação ao Iémen. Inclusive, tinha uma força muito poderosa, que era o Conselho de Transição do Sul, que tinha forças de infantaria, 80 mil homens que estavam a ser preparados pelos Emirados e pela Arábia Saudita. Os Emirados estavam a construir uma pista nessa ilha, na Ilha de Perim, e uma base aérea, para colocar lá forças. Depois, irritaram-se os comadres, os Emirados e a Arábia Saudita voltaram as costas e neste momento os houthis aproveitaram. As forças que estavam ali eram forças mal comandadas, não tinham unidade de comando, fugiram. Neste momento, a Arábia Saudita está com um problema. Eu diria que antes dos Estados Unidos ou antes de Israel, a Arábia Saudita está com um grande problema, porque neste momento a sua indecisão, a sua incapacidade de atuar quando tinha que o fazer, permitiu a um grupo de homens nuns carrinhos, com uns mísseis, foram por ali abaixo e toda a gente fugiu e a Arábia Saudita não fez nada. Bombardeou, mas o bombardeamento não resolve o problema. Quem tem neste momento o principal problema é a Arábia Saudita, que tem ali uma saída de petróleo que neste momento também está inutilizada, que é o Oléoduto Central, e depois a saída por Iambu. E portanto, neste momento a Arábia Saudita, por ali vai ter muitas dificuldades. Os houthis já fizeram saber, vale o que vale as palavras deles, que passam todos menos a Arábia Saudita, mas hoje dizem isto, amanhã dizem outra coisa. Eles estão às ordens do Irão e o Irão de fato conseguiu, em termos horizontais, fazer uma escalada e neste momento ameaça os dois estreitos. Ameaça duas importantes vias de comunicação, não só de petróleo, mas também do resto, porque pelo Mar Vermelho passa muita coisa. Eu diria que isto não pode continuar. Vai ter que haver uma ação do Egito, de Israel, da Arábia Saudita, todos os países, até os países da Europa, têm todo o interesse em resolver aquele problema ali dos houthis. Isto só lá vai com forças no terreno. Ali não há qualquer dúvida que tem que haver infantaria. Pode ser infantaria do Iémen, pode ser tropas do Iémen, aquela gente mais coordenada.

Sim, não vai lá com diplomacia, com os houthis.

Nem com diplomacia, nem com bombardeamentos. Basta-lhes um drone ou dois, e neste momento já nem precisam disso, porque até se colocarem armas na ilha, armas de artilharia, por exemplo, coisas simples, umas lanchas, conseguem fazer aquilo que neste momento não conseguiam, que era lançar mísseis para conseguir parar os navios.

Coronel José do Carmo, muito obrigada pela sua análise no Gabinete de Guerra. Boa semana para si, e sempre obrigada.

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