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Monday, September 21, 2026

Estará a Europa cada vez mais exposta à ameaça russa?

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Começa depois das 10 com José Manuel Fernandes. Pode participar em direto, deixar o seu comentário na transmissão vídeo ou usar o nosso número de telefone 910 024 185. Carla Jorge de Carvalho, vamos até à Rússia com amor neste "Contra Corrente" de hoje.

É o que vamos ver. As eleições deste fim de semana, de facto, não correram mal a Vladimir Putin. Na Rússia, o seu partido obteve a vitória que se esperava por uma margem ainda maior, o que não sendo surpresa, pode deixar o Kremlin mais à vontade para aumentar a mobilização militar. Já na Alemanha, a vitória de dois extremos, a AfD no Meclemburgo-Pomerânia Ocidental e o Die Linke, a esquerda, em Berlim, enfraqueceu ainda mais o chanceler Merz e a coligação no poder, além de representar a vitória de dois partidos com simpatias putinistas. Tudo isto depois de semanas em que as ameaças híbridas ao espaço da União Europeia aumentaram. No "Contra Corrente", vamos precisamente querer saber até que ponto estará a Europa cada vez mais exposta à ameaça russa. Bom dia, José Manuel. Há mesmo razões para preocupação?

Eu creio que sim, apesar de não acreditar que estejamos à beira de um conflito, pelo menos um conflito convencional. Por que eu digo isto? Primeiro, as eleições na Rússia não são uma mudança de ciclo, digamos assim, porque não havia eleições desde a invasão da Ucrânia, mas também não se esperavam surpresas. A Rússia hoje em dia já nem sequer é uma democracia fingida, é mesmo um regime autoritário. Partidos, por exemplo, que se opõem à guerra, quem quer que pudesse manifestar-se contra a guerra é liminarmente proibido, portanto, não há mínimo de liberdades. E não nos esqueçamos que houve também uma encenação de votação nos territórios ocupados, nas zonas ocupadas da Ucrânia. Portanto, como se fizessem já parte da Rússia. Os dados que temos ainda são poucos, quer os relativos à participação, quer os relativos à votação, mas os primeiros resultados não apontam para nenhuma surpresa. O que isto pode dar a Vladimir Putin é mais margem de manobra para realizar alguns movimentos que aparentemente ele tem evitado, designadamente a possibilidade de recorrer a mobilizações maiores. O número de baixas na frente tem sido enorme e neste momento, até nos primeiros meses deste ano, tem havido mais baixas do que a capacidade de repor o número de soldados que estão a combater na Ucrânia. O Putin, quando fez a única mobilização especial que fez durante este período, não lhe correu nada bem. Houve inclusivamente muita gente a fugir da Rússia, muita gente em idade de ser mobilizável a fugir da Rússia e, portanto, a possibilidade de ele repetir isso era algo que se dizia que não faria antes das eleições. Agora já houve as eleições, sentir-se-á mais livre. No entanto, não é seguro que seja esse o caminho. A guerra tem evoluído para meios que de alguma forma evitam tantos soldados na frente. É uma guerra cada vez mais de mísseis e drones. Temos a Rússia a atacar as infraestruturas ucranianas, designadamente infraestruturas civis, designadamente infraestruturas de comunicações, como foi o caso de um ataque a um comboio já muito perto da fronteira polaca. E, por outro lado, temos também a própria Ucrânia a ser capaz de atingir agora até Moscovo. Este domingo houve um ataque de mais de 400 drones dirigidos contra Moscovo e atingida uma refinaria nos arredores da cidade. Portanto, vamos ver como é que isto vai decorrer, mas ao mesmo tempo que isto acontece, acentuam-se os chamados ataques híbridos. Houve vários drones que foram intercetados sobre países da NATO, os bálticos por um lado, e Finlândia e Alemanha. Sobretudo na Alemanha os ataques são mais preocupantes, mas não parecem incomodar demasiado os eleitores. Os eleitores parecem estar mais preocupados com outros temas e isso talvez ajude a explicar que dois partidos, um no extremo direito do espectro político, outro no extremo esquerdo do espectro político, tenham ganho as eleições de ontem. Portanto, em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental ganhou a AfD novamente, sem um resultado tão expressivo como teve há 15 dias na Saxónia-Anhalt. E em Berlim foi a vez de ganhar, com uma votação expressiva, mas não tão alta como teve a AfD. Mas aqui foi o Die Linke, um partido que é formado por antigos comunistas e também por uma parte do que foi a esquerda do SPD, ficou à frente nas eleições. Vamos ver se forma governo com o SPD, que teve um péssimo resultado e com os Verdes, ou se mantém a coligação com a CDU, que era a que estava a governar a cidade, com o CDU, Verdes e SPD. Portanto, ambas permitem formar a maioria. Não é claro o que é que vai sair daqui, mas estes partidos têm posições no mínimo ambíguas relativamente à Rússia. Nalguns casos são sobretudo contra a possibilidade de a Alemanha voltar a ter uma política de defesa com músculo, assim como são contra a venda de armas à Ucrânia, mesmo que na retórica possam condenar a invasão e condenar a Rússia. E têm também políticas talvez mais expressivas no caso da AfD relativamente à compra de hidrocarbonetos à Rússia, às sanções. Portanto, tudo isto são notícias positivas para Putin, até porque a Alemanha, que será sempre um pilar de qualquer política de defesa europeia, está com um governo fragilíssimo, cada vez mais frágil, com um chanceler literalmente acossado, e não sabemos quanto tempo mais durará este governo. Portanto, temos uma situação que não é fácil para a Europa e que mostra que apesar da pressão e das dificuldades económicas e de tudo aquilo que se tem feito, o Putin e os putinistas vão continuando em Moscovo e não se sabe se algum dia haverá uma transição minimamente agradável. Vamos falar um pouco disso tudo com a ajuda de quem também conhece muito esta região. Depois das 10.

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