Condenado a pagar US$ 477 mil à NBC, Diddy acumula derrotas jurídicas enquanto cumpre pena federal

Juíza arquivou em abril ação de difamação de US$ 100 milhões movida pelo rapper contra a NBCUniversal
Kadu Soares (@kadusoares__)
Sean “Diddy” Combs enfrenta mais uma série de reveses. Na última terça, 6, a juíza Phaedra F. Perry-Bond, do Supremo Tribunal de Nova York, determinou que o rapper e ex-magnata do entretenimento pague US$ 477.700,50 em honorários advocatícios à NBCUniversal, à Peacock e à produtora Ample Entertainment, empresas que ele havia processado por US 100 milhões em fevereiro de 2025. A ação foi arquivada em abril de 2026; agora, a conta chegou ao réu (via People)
O caso teve início com o documentário Diddy: The Making of a Bad Boy (2025), lançado pela Peacock em janeiro de 2025. Com noventa e nove minutos de duração, a produção reunia entrevistas com pessoas que acusaram Combs em processos de abuso sexual e com ex-associados. Entre eles estava o cantor Al B. Sure!, que levantou suspeitas sobre a morte de Kim Porter, ex-parceira de Diddy. A defesa de Combs alegou que o documentário o retratava, sem base factual, como responsável por mortes, crimes sexuais e tráfico de menores. Em abril, a juíza Perry-Bond arquivou o processo com base na lei anti-SLAPP de Nova York — mecanismo destinado a proteger a liberdade de imprensa e a barrar ações sem mérito que tentam silenciar a cobertura jornalística. A juíza concluiu que a NBCUniversal seguiu padrões jornalísticos adequados ao informar que Combs nega todas as acusações e que os entrevistados tinham motivações pessoais contra ele.
Após o arquivamento, a NBCUniversal pediu o reembolso dos gastos com advogados, possibilidade prevista pela própria lei anti-SLAPP. A empresa solicitou US$ 990.292, incluindo os honorários de uma equipe de seis advogados do escritório Gibson Dunn. As taxas horárias variavam de US$ 915 para associados juniores a US$ 1.980 para sócios seniores. A juíza aceitou os valores por hora, mas reduziu o total em mais de US$ 512.000, por considerar parte do tempo cobrado “excessivo e irrazoável”. Entre os itens cortados estavam US$ 269.000 pela elaboração de uma única petição e US$ 78.000 em discussões internas. O porta-voz de Combs, Juda Engelmayer, tentou destacar esse aspecto do resultado: “A NBCUniversal pediu quase US$ 1 milhão e o tribunal considerou que parcelas substanciais eram excessivas, cortando mais da metade”. Ainda assim, Combs terá de pagar quase meio milhão de dólares.
O dinheiro, porém, pode estar escasso. Combs cumpre pena de cinquenta meses na prisão federal de baixa segurança FCI Fort Dix, em Nova Jersey, após ser condenado por dois crimes relacionados à organização de encontros sexuais remunerados. Sua data de soltura foi adiada para março de 2028. Em outro processo de difamação, de US$ 50 milhões, movido contra a NewsNation, o escritório Sher Tremonte pediu, em setembro, autorização para deixar o caso. A equipe alegou que Combs estava “em atraso substancial” com os honorários havia mais de seis meses. A situação ganha contornos irônicos: o mesmo escritório havia contestado os honorários “excessivos” cobrados pela NBCUniversal antes de abandonar o caso de Combs.
O desfecho da ação contra a NBC não encerra os problemas jurídicos de Diddy. Dezenas de ações civis por abuso sexual seguem em andamento, e ele nega todas as acusações. Em pelo menos um caso, sua estratégia ofensiva teve algum avanço: no mês passado, uma juíza decidiu que Combs pode prosseguir com parte de sua ação contra a NewsNation, relacionada a transmissões que sugeriam que ele usava óleo infantil adulterado para incapacitar vítimas. A dívida decorrente da derrota contra a NBCUniversal, somada à saída do escritório de advocacia de outro processo, indica que a situação financeira e jurídica do fundador da Bad Boy Records pode estar cada vez mais apertada.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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