STJ abre investigação sobre vazamento de minutas a advogado amigo de Flávio

"Como não se trata de concursado, o servidor em cargo de confiança foi exonerado nesta sexta-feira (16)", disse o tribunal.
"As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar."
O servidor exonerado, segundo apurou o UOL, é Humberto Pradera, que ocupava o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ.
Procurado, ele disse que não tem acesso a processos em andamento, que seus acessos são restritos e que não tinha sido informado de sua exoneração.
Outro interlocutor de Tomaz é o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, ligado a Flávio Bolsonaro. Ele é suspeito de vazar informações sigilosas e combinar o conteúdo de pareceres com o advogado.
Soares foi subprocurador —topo da carreira no MPF— e chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral da República em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, devido à proximidade com Flávio e Willer. Ele se aposentou em março deste ano.
O escritório recebia informações antecipadas de qual seria o resultado de julgamentos —favorável ou não— e, com base nisso, mudava sua estratégia, deixando de apresentar determinados recursos, por exemplo, diz a PF.
O UOL não conseguiu contato com Soares —o espaço está aberto a manifestações.
Tomaz "nega categoricamente ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou pareceres sigilosos, assim como ter interferido ou ajustado o conteúdo de manifestações do Ministério Público Federal".
"Sua atuação profissional sempre observou a legislação e as prerrogativas profissionais da advocacia, pelos meios institucionais e processuais legítimos. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da atividade profissional e configuram desinformação", disse, em nota.
Como o UOL revelou, Willer e Flávio Bolsonaro eram beneficiários de uma mesma conta bancária no Santander, segundo a investigação da PF, e o advogado bancou viagens de Flávio na Europa.
Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado.
Terreno em Brasília
Em um caso julgado em setembro deste ano em que advoga para duas construtoras, por exemplo, o escritório de Willer recebeu a minuta de um acórdão do STJ em 16 de setembro, antes da assinatura, no dia 18.
O processo se refere ao destino de um terreno em Brasília onde ficava a antiga Academia de Tênis. O STJ reconheceu que uma família de herdeiros tem valores a receber de construtoras —eles brigam na Justiça por R$ 176,4 milhões.
Willer advoga para as construtoras, Attos Empreendimentos Imobiliários e HC Incorporadora. Em setembro, antes da decisão do STJ, elas desistiram de um recurso que já estava na pauta para julgamento.
Pedidos de desistência
Em outro processo, o senador Weverton Rocha, cliente de Tomaz, processa a Editora Abril, que publica a revista Veja, por danos morais. O recurso entrou na pauta da quarta turma do STJ em setembro de 2025.
Na noite anterior à sessão, Weverton e a Abril protocolaram pedidos de desistência dos recursos. Segundo a PF, o escritório de Willer já sabia qual seria o resultado do julgamento quando decidiu desistir.
Outros casos em que Willer também teria recebido informações sigilosas envolvem a disputa entre J&F e a Paper pela Eldorado Celulose, o espólio de Cid Ferreira, fundador do falido Banco Santos, e a Difusora Comunicação, empresa do advogado.
Há sete casos elencados pela PF em que Soares é suspeito de antecipar e moldar o conteúdo de pareceres do MPF aos interesses de Willer.
O material foi enviado ao MPF para opinar sobre o foro adequado ao procurador. Como subprocurador, ele seria investigado pelo STJ, mas, após a aposentadoria, o entendimento atual é que o caso iria para a primeira instância.
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.