As 9 ações que mais se repetem nas carteiras recomendadas após a reeleição de Lula
Petrobras (PETR4) é a única ação presente nas carteiras principais de Genial, Safra, BB Investimentos, XP, BTG Pactual e Planner em novembro
Caixa Seguridade (CXSE3) foi o movimento mais coordenado do mês e entrou de uma vez nas carteiras do BB, da XP e do BTG
As casas trocaram empresas domésticas por exportadoras, pagadoras de dividendos e balanços com pouca dívida
Em outubro, BTG, XP e Genial perderam menos que o Ibovespa; Planner e BB caíram mais de 12%
As carteiras recomendadas de ações de novembro chegaram com a marca da semana mais violenta da bolsa brasileira em mais de seis anos. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva derrubou o Ibovespa em 18,12% em cinco pregões, a maior queda semanal desde março de 2020, e obrigou as casas de análise a refazer apostas para o mês.
A EXAME comparou as carteiras principais de seis instituições, a Ibovespa 10+, da Genial; Top 10, do Safra; Carteira 5+, do BB Investimentos; Top Ações, da XP; 10SIM, do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME); e a Carteira Mensal da Planner. Nove ações aparecem em pelo menos duas delas, e o perfil dos nomes repetidos mostra para onde o dinheiro dos analistas migrou depois do resultado das urnas.
O diagnóstico é parecido em todos os relatórios. A volta do risco fiscal abriu os juros longos e levou o dólar à casa de R$ 5,40. Nesse ambiente, as empresas com receita em dólar resistiram, enquanto as companhias domésticas e endividadas concentraram as perdas. No pregão de 26 de outubro, quando a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%.
A resposta das casas também foi parecida. Cinco das seis carteiras ficaram mais defensivas, com mais exportadoras e pagadoras de dividendos e menos exposição a juros e ao consumo interno.

1. Petrobras (PETR4), presente em 6 de 6 carteiras
A Petrobras é a unanimidade de novembro. Está nas seis carteiras e voltou à Ibovespa 10+ da Genial neste mês. A ação subiu 7,3% em outubro, na contramão do índice, sustentada pelo petróleo caro e pela expectativa de dividendos. O BB Investimentos manteve o papel citando o baixo patamar de alavancagem e as boas perspectivas de proventos.
A alta vem de antes da eleição. Em meados de outubro, a estatal chegou a dobrar de valor no ano e bater recorde na bolsa, com o Brent acima de US$ 100.
2. Caixa Seguridade (CXSE3), presente em 5 de 6 carteiras
A seguradora foi a escolha mais coordenada do mês. BB, XP e BTG incluíram a ação ao mesmo tempo, e ela só não aparece na carteira da Planner. Foi também uma das poucas ações que subiram em outubro, com alta de 7,55%.
A tese se repete nos relatórios. O BTG colocou a Caixa Seguridade no lugar do Itaú, destacando dividend yield de 7% e crescimento de lucro entre 8% e 12%. A XP chamou o papel de "nome defensivo, mais resiliente aos juros altos" e ainda dobrou o peso dele na carteira de dividendos, de 5% para 10%. O BB trocou BTG Pactual (BPAC11) pela seguradora em busca de resultados mais previsíveis, já que o caixa da companhia rende mais com juros altos.
3. WEG (WEGE3), presente em 3 de 6 carteiras
A XP incluiu a WEG com peso de 5%, descrevendo a fabricante como uma exportadora com hedge cambial natural, capaz de proteger a carteira em um ambiente doméstico mais difícil. Safra e Planner já tinham a ação.
A virada é curiosa. Antes do segundo turno, a WEG foi a ação do Ibovespa que mais caiu no rali eleitoral, justamente porque o dólar em queda reduzia o valor das receitas externas. Com o câmbio de volta acima de R$ 5,40, o mesmo argumento passou a jogar a favor.
4. Embraer (EMBJ3), presente em 3 de 6 carteiras
Genial, XP e BTG mantiveram a fabricante de aviões, que tem peso de 10% nas carteiras da XP e do BTG. A Embraer subiu 2,4% em outubro e esteve entre as exportadoras que subiam enquanto o Ibovespa desabava mais de 17% na manhã de 26 de outubro.
5. Gerdau (GGBR4), presente em 3 de 6 carteiras
A siderúrgica segue nas carteiras da Genial, da XP e do BTG, apoiada na operação nos Estados Unidos, que gera receita em dólar. A ação subiu 3,5% em outubro. A Safra foi na direção oposta e tirou a Gerdau para abrir espaço para a Suzano, embora tenha dito que gosta da exposição da companhia ao aço americano.
6. Sabesp (SBSP3), presente em 3 de 6 carteiras
XP, BTG e Planner mantiveram a Sabesp, com peso de 10% nas duas primeiras. É o caso de uma ação doméstica que sobreviveu ao rearranjo, mesmo depois de cair 10% em outubro.
7. Itaú Unibanco (ITUB4), presente em 3 de 6 carteiras
O Itaú é o nome que mais divide as casas. BB, XP e Planner mantiveram o banco, que caiu 12,6% em outubro. O BTG retirou a ação da 10SIM por causa da deterioração das condições de crédito. A Safra preferiu ficar com a Itaúsa (ITSA4), holding que controla o banco, argumentando que o desconto da holding em relação ao Itaú aumentou ao longo de outubro.
8. Vale (VALE3), presente em 3 de 6 carteiras
Safra, BB e XP têm a mineradora, mas com pouco entusiasmo. A Safra reduziu o peso de 10% para 7,5% após o balanço do terceiro trimestre, e a XP mantém a ação com recomendação neutra. O BB conservou o papel mesmo após menores preços realizados do minério e pressão de custos no trimestre. A Vale caiu 11,3% em outubro.
9. Suzano (SUZB3), presente em 2 de 6 carteiras
A Suzano completa a lista como estreante. Genial e Safra incluíram a produtora de celulose em novembro, e a Safra citou os anúncios de aumento de preço da celulose. A ação subiu 13,4% em outubro, segundo a XP. A companhia recebe a maior parte da receita em dólar, enquanto boa parte dos custos fica em reais.
Quem perdeu menos que o Ibovespa em outubro
As carteiras que já estavam mais expostas a dólar e a nomes defensivos antes da eleição atravessaram melhor o mês. A 10SIM do BTG caiu 6,5%, a Top Ações da XP perdeu 7% e a Ibovespa 10+ da Genial recuou 7,46%, contra queda de 9,88% do Ibovespa. No ano, o BTG lidera, com alta de 8,6%.
Na outra ponta, a Carteira 5+ do BB recuou 12,42%, e a Planner cedeu 13,56%. A Planner foi a única casa que não mexeu em nenhuma ação e manteve empresas ligadas à economia doméstica, como Cogna, Direcional, Renner e Grupo SBF, por avaliar que os múltiplos ficaram ainda mais atrativos.

O que as casas esperam para a bolsa
A convergência nas ações não se repete na visão sobre o Ibovespa. A XP rebaixou a recomendação para a bolsa brasileira para neutra e fixou valor justo de 200 mil pontos para o fim de 2027, com potencial de alta parecido com o da renda fixa. A Genial afirma que a correção ainda não terminou e prefere esperar que os lucros confirmem os preços antes de voltar a comprar.
O BTG lembra que, nas 17 vezes em que o circuit breaker foi acionado desde 1998, o Ibovespa estava pelo menos 30% acima um ano depois. A Planner projeta o índice em 185 mil pontos, potencial de 10,2% sobre o fechamento de outubro.
No curto prazo, o próximo teste é o Copom, que termina a reunião nesta quarta-feira, 4. Os contratos de opções na B3 passaram a indicar manutenção da Selic em 13,75%, depois de os juros futuros dispararem quase 2 pontos nos vencimentos longos e de o Tesouro recomprar R$ 14,8 bilhões em títulos no primeiro dia após a eleição.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.