Marcão analisa oscilações e valoriza vitória do Fluminense: "Não podemos perder a identidade"

— O Corinthians voltou muito bem no segundo tempo. Construindo no nosso e pressionando no terço final. Eles estavam produzindo muito mesmo com nossa equipe organizada. Mas muito tempo perto do nosso gol e era muito risco. A gente perdeu um pouquinho da posse, que é o que a gente vem cobrando. Por isso a gente colocou o Paulo. O Lucho fez 45 minutos muito bons, mas a gente entendeu que precisava do Paulo. Ficou um pouco mais próximo do que a gente queria, conseguiu tirar a bola do Corinthians para acionar o Serna e o Canobbio. A gente deu os parabéns para eles lá dentro. Sabia que jogar com essa pressão eles iriam entregar tudo. Os jogadores foram muito comprometidos taticamente e premiados com uma grande vitória — explicou Marcão.

Corinthians 1 x 3 Fluminense | melhores momentos | 28ª rodada | Brasileirão 2026
As oscilações se tornaram padrão do Fluminense nas últimas partidas, ainda que a equipe consiga sair com resultados esperados em muitas delas. Foram os casos recentes dos jogos contra o Platense, pela Lbibertadores, e contra o Vasco, pelo Brasileirão, nos quais o time foi pressionado e saiu com vitórias.
Para Marcão, isso faz parte da força mental de um elenco recheado de jogadores experientes e que ajudam a segurar a bronca em momentos de dificuldade.

Marcão elogia retorno de Lucho aos titulares do Fluminense: "Grande partida"
— A gente não pode perder nossa identidade, o que temos planejado para os jogos. Hoje você está jogando contra uma bela equipe, com vários jogadores talentosos. Em algum momento do jogo eles vão tomar conta, como foi no jogo contra o Vasco. Fizeram muitas variações, com jogadores que jogam por dentro. E aí precisamos encurtar as linhas e estarmos mais próximos para conseguir se defender para quando tiver a oportunidade, sair a situação do gol. Roubamos a bola por dentro e tivemos a oportunidade de atacar — destacou.
— O mais importante é os jogadores saberem o que estão fazendo nas diferentes fases do jogo, mesmo com o momento sendo do adversário. Sabíamos que o Corinthians vinha jogar, que estava diante do seu torcedor, pressionando para tentar virar... Os jogadores cumpriram nosso plano de jogo de durante a semana e executaram isso muito bem — continuou.

Marcão reage a críticas: "Prefiro que falem do treinador do que os meus jogadores"
Os três pontos somados colocam os tricolores com 48 e garantiu ao menos a quarta colocação na pausa de 16 para a Data Fifa. Bahia e Athletico-PR se enfrentam ainda neste domingo e, em caso de empate, os comandados de Marcão ficam em terceiro. Veja outras respostas de Marcão:
Domínio no primeiro tempo e mudanças no segundo
— Falamos no intervalo. O Fernando (Diniz) esteve conosco muito tempo. A gente sabia que ele poderia colocar o Raniele de zagueiro. Eles conseguiram empurrar a nossa equipe um pouco para trás, mas estávamos preparados para isso. Baixamos uma linha de cinco, em outros momentos até uma linha de seis para se proteger, e os jogadores fizeram isso de forma excepcional. Soubemos sofrer naquele momento, mas depois precisávamos de posse para poder acionar nossos homens de transição. Estou aqui para dar os parabéns para estes jogadores.
Força mental
— Esse foi o tema na palestra que a gente teve antes do jogo. Falamos sobre eles terem o controle do jogo no momento mais adverso. Por isso falo da nossa identidade. Platense foi em cima disso também. Primeiro tempo totalmente adverso. Se fosse outra equipe, não conseguiria voltar para o jogo. São grandes jogadores que já passaram por tudo isso. Você tem o Paulo, o Thiago, o Fábio e o Hulk. Jogadores que já passaram por tudo no futebol. Isso vai ao encontro do que a gente planeja e quer para esse time. Contra o Platense, o segundo tempo já foi mais o que a gente quer do time. Organizada e controlando o jogo. Hoje, a gente sabia que ia ter que tirar a bola do Corinthians em algum momento. Foi difícil quando eles empataram, mas eles mantiveram a cabeça no lugar e o time está sabendo sair desses momentos difíceis, revertendo e conseguindo grandes vitórias.
Marcão em Corinthians x Fluminense pelo Campeonato Brasileiro — Foto: Marcello Zambrana/AGIF
Lucho Acosta
— Fez uma grande partida. Na primeira parte do jogo conseguiu sair um pouquinho de dentro, foi para o lado, acelerou o jogo. Ele é grande, habilidoso, acelera o jogo... Esse é o Lucho que a gente conhece. Recuperamos, ele está treinando bem e teve a oportunidade de mostrar o que sabe. Temos dois ou três jogadores com quem podemos contar, hoje optamos pelo Lucho, no outro jogo atuou o Paulo (Henrique Ganso), a gente vai poder fazer isso mais vezes.
Conexão com os jogadores contribui para que sejam aplicados taticamente?
— De verdade, é nisso que eu acredito. Se temos jogadores tão grandes no elenco, que viveram tudo, temos a obrigação de escutá-los. Sabemos do que eles não gostam. Não pode ser só eu. A gente dá duas, três situações e vê de que forma vamos fazer. Ver a identidade do nosso time. O Fluminense consegue jogar em transição toda hora? Temos Hulk, Thiago, Paulo... jogadores acima da idade média do futebol brasileiro. Temos que achar um meio-termo para que fique confortável para eles sem deixar de ser incisivo, forte. Achamos juntos a identidade de um time mais próximo, controlando as ações. Quando precisávamos de velocidade, acionamos nossos extremos e foi isso que construímos ao longo da semana.
Hulk
— A gente tem jogadores grandiosos, talentosos, e não podia jogar separado. Um jogo toda hora de transição para o Hulk atacar espaço toda hora. Precisava de equilíbrio para aproveitar o melhor dele. Hoje, ele vai no espaço, vem dentro e consegue jogar. Está leve, nos ajudando diariamente. Está fazendo uma temporada muito brilhante e acredito que vai assim até o final do ano.
Pensou em tirar Hulk e Serna?
— A gente vai sentindo o jogo, Samuel sentiu (lesão), Nonato baixou um pouquinho, vi que precisava do Paulo (Ganso) para organizar o jogo... A gente vai vendo quem está baixando. Trabalhamos junto com a fisiologia e o departamento físico. Não é que entregamos a bola e baixamos, eu queria marcar lá em cima sempre, só que tem variações do adversário que nos empurram para trás. Em certo momento eu pensei em colocar mais um volante ou um zagueiro, mas aí o Corinthians iria nos atacar mais... A gente vai sentindo o jogo. Colocamos o Riquelme, Serna estava bem encaixado na linha de cinco. Tanto Hulk quanto Serna foram brilhantes, cumpriram funções e foram premiados. Quando o time está comprometido, quer dizer que valeu a pena. Marcaram lá atrás e tiveram força para fazer o gol. Serna roubou lá atrás e teve força para marcar.
Sistema defensivo
— A gente vai encaixando conforme o adversário vai produzindo seu jogo. A equipe do Fernando tem um volante que entra, os laterais vão alto... Em algum momento do jogo precisamos dos nossos extremos, de uma linha de seis para defender os homens de frente do Corinthians. Tínhamos que estar bem organizados porque, se a gente espaça as linhas, eles tiram proveito. Tem que dar mérito aos jogadores pelo que fizeram. Foram premiados com esse jogo fantástico.
Críticas da torcida
— Todas as vezes que a gente assume, acaba caindo nessa situação. O Marcão não está preparado, é amigo do jogador. Não estou preocupado com isso. Só em trabalhar muito e ter a confiança dos jogadores. Trabalhar para o jogo e cada dia, partida a partida. Esse é o meu compromisso. Até prefiro que questionem o Marcão, e não os jogadores. Eu sei o que eu posso fazer junto com a minha comissão e jogadores. Eu não penso nisso. Só digo que estou ali para entregar tudo, como desde a primeira vez que assumi. Fazer tudo por eles e para eles, para fazer o Fluminense o melhor possível.
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