Portugal é destino de turismo de saúde?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, é isso.
Então e afinal, há ou não há turismo de saúde?
Bem, Carla, se falamos de pessoas que vêm de propósito a Portugal para beneficiar dos serviços gratuitos do SNS, sim. A presidente do Conselho de Administração do Amadora-Sintra, Sandra Cavaca, foi muito clara sobre isso e sobre outros assuntos. Disse que a pressão sobre o hospital decorre em parte da falta de cuidados de saúde primários e que também o aumento da população imigrante trouxe novos desafios, por exemplo, ao nível da comunicação entre utentes e médicos. Cerca de 18% dos utentes desta unidade local de saúde são estrangeiros e um valor que dispara para os 40% no serviço de obstetrícia. A responsável diz mesmo que há pessoas que chegam ao aeroporto e vão para o hospital, porque têm, por exemplo, familiares a viver na zona. O hospital não pode negar o acesso aos cuidados de urgência, mas depois fica com o problema de saber a quem cobrar os serviços. E é aqui que está o bizílis da questão. Nós não dispomos de recursos que nos permitam ser tão generosos e, além disso, é uma questão de justiça para todos aqueles que vivem e contribuem para o sistema em Portugal. Ao mesmo tempo, convinha saber exatamente que custos é que este turismo de saúde representam a nível nacional e não só a nível de uma unidade local de saúde.
Paulo, não é fácil ser advogado de José Sócrates.
Não é nada fácil. É uma função de desgaste rápido. E segundo um ranking que eu inventei há pouco, está no top do pior trabalho do mundo. Nas primeiras posições. José Sócrates, de facto, teima em não acertar com os seus advogados ou os advogados teimam em não acertar com ele. E tem acontecido das duas, uma: ou tem um advogado nomeado oficiosamente que ele não quer, que ignora, que não contacta, não atende o telefone e que quer afastar, ou então tem advogados nomeados por si, que ele escolhe, claro, que não duram mais do que uns dias ou poucas semanas na função. Uns adoecem, foi o que aconteceu nos últimos largos meses. Uns adoecem, outros saem incompatibilizados com a juíza, outros simplesmente deixam de representar o ex-primeiro-ministro. O último episódio desta saga aconteceu ontem, quando a juíza encarregue deste caso, deste julgamento, Susana Seca, rejeitou a pretensão de Sócrates. Ele queria anular os atos praticados pelo advogado oficioso que lhe foi destinado nas últimas semanas, o advogado Luís Carlos Esteves. Já se está a ver que esta anulação, enfim, tínhamos aqui mais meses e meses de panos para mangas. Certo é que no meio deste vaivém de advogados, já se perdeu muito tempo no julgamento. Há quem diga que é por isso que estas coisas acontecem, para deixar passar o tempo, mas isso são más línguas.
Bruno, e o CHEGA é ou não um partido fascista?
Olha, há quem diga que sim. O advogado Garcia Pereira, por exemplo, que depois de apresentar uma queixa ao Ministério Público em 2025, para a extinção do CHEGA, reforçou esse pedido já este ano, com o argumento de que se trata de um partido de natureza racista e fascista. Mas só o Tribunal Constitucional é que de facto pode extinguir um movimento político. Já o fez anteriormente com o ERGE-TD, mas aí por razões de incumprimentos de obrigações, visto que o partido falhou a entrega das contas nos três anos anteriores. Quanto a extinguir um partido alegando que é fascista, já é mais difícil, como confirmou uma das juízas conselheiras do Tribunal Constitucional. É mais difícil e digo eu, mais perigoso, porque a ideia de derrotar nos tribunais o que não se derrota nas urnas, é um daqueles casos em que a cura pode bem ser ainda pior do que a doença.
Vamos continuar aqui no tema das doenças, se calhar. A IA, Paulo, afinal vai abrandar ou não?
Olha, esses são mais uns que não se entendem também, da área da inteligência artificial. Os alertas foram feitos pelos responsáveis de algumas das principais empresas que estão a desenvolver os modelos e as plataformas de inteligência artificial. No fundo, o que eles vieram dizer, e eles estão por dentro, foi: "É melhor tirar o pé do acelerador, porque isto está a ir demasiado depressa e não sabemos no que isto pode dar". Mas ontem também foram várias vozes que vieram defender o contrário. É óbvio, é certo que estamos a falar de responsáveis de empresas altamente interessadas, como o caso da NVIDIA, ou seja, as fabricantes de chips, por exemplo, se a IA abrandar, eles abrandam também o seu negócio, porque deixam de fornecer pelo menos tantos equipamentos. Mas os gestores das empresas de IA também são interessados e eles próprios vieram fazer esse alerta. Há aqui muita coisa em jogo, muitas questões até geoestratégicas e quem já veio também a barulho foi, claro, Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos diz que são forças negativas que querem travar o avanço da inteligência artificial apenas por motivos de concorrência. Bom, se Trump acha que está tudo bem, então é mesmo caso para ficarmos preocupados e para desconfiar.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
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