Quer dormir em um jato de luxo particular? Este aceita reservas
Um Boeing 727 que voou como jato particular entre 1981 e 2012 está disponível para hospedagem em Bristol, no oeste da Inglaterra. Batizado de PytchAir, o avião fica em um terreno industrial no bairro de Brislington, em cima de uma estrutura de contêineres de navio. Desde o início de 2024, recebe até quatro hóspedes pelo Airbnb, onde tem nota 4,75 em 145 avaliações.
O dono é o empresário britânico-australiano Johnny Palmer, fundador da empresa de tecnologia Pytch. Ele comprou a fuselagem em 2020 com a ideia inicial de transformar o avião em escritório e espaço de eventos. Em 2024, a diária começava em £ 350 (cerca de R$ 2,4 mil), com mínimo de duas noites.
O avião é um 727-46 que fez o primeiro voo em novembro de 1967 e foi entregue à Japan Airlines no mês seguinte. Em 1975, passou para a companhia alemã Hapag-Lloyd, onde operou até maio de 1981. Naquele ano, foi convertido em jato executivo e passou por diferentes donos privados até ser aposentado em 2012, com um último pouso no aeródromo de Filton, em Bristol. Depois, seguiu para o Cotswold Airport, em Kemble, onde teve peças retiradas para outros aviões.

Área social do PytchAir, com teto de detalhes dourados e decoração original preservada por Johnny Palmer (Reprodução)
Palmer acompanhava a fuselagem desde 2018, mas a prefeitura de Bristol só deu a licença em outubro de 2020. Para isso, ele precisou pedir uma aprovação urbanística completa, igual à exigida para construir uma casa. O empresário nunca revelou quanto pagou pelo 727, mas contou ao Business Insider que ganhou desconto porque o avião veio sem asas, motores e cauda.
A mudança para Bristol aconteceu em fevereiro de 2021, quase um mês depois do previsto, porque o terreno encharcado do aeroporto poderia deixar o avião atolado. A fuselagem, com cerca de 40 metros de comprimento, percorreu as rodovias M5 e M4 com escolta policial, ocupando duas faixas a cerca de 32 km/h. No destino, um guindaste colocou o avião sobre os contêineres.
Nogueira, dourado e cristais

Mesa de jantar do avião, com decanters de cristal e sofá estampado junto às janelas (Reprodução)
Em março de 2022, os artistas de rua Harriet Wood, Curtis Hylton e Hasan Kamil pintaram a fuselagem, e os contêineres que a sustentam foram decorados com nuvens. Por dentro, Palmer decidiu restaurar o que encontrou. Ficaram os painéis de nogueira, os detalhes dourados e os cristais instalados quando o avião virou jato particular, numa estética que ele chama de kitsch bilionário dos anos 1980.
O anúncio lista duas salas, cama king size, duas camas de solteiro, três banheiros, chuveiro, cozinha completa e a cabine de comando equipada. Do lado de fora, um deck tem ofurô, sauna e um chuveiro instalado embaixo da fuselagem. Segundo a revista Maxim, a hospedagem usa energia de mais de 300 painéis solares. No começo de 2025, o Telegraph registrava diárias de até £ 850 (cerca de R$ 5,8 mil).

Suíte do Boeing 727, com cama king size e acabamento em madeira da conversão de 1981 (Reprodução)
A fama de Escobar e o segundo Boeing
O 727 ganhou fama internacional em janeiro de 2025, quando veículos britânicos e americanos passaram a apresentar o avião como antigo jato de Pablo Escobar. Nenhum registro público comprova a ligação com o narcotraficante colombiano, e o próprio Palmer admite que parte da história da aeronave segue desconhecida.
No mesmo terreno, chamado Skyline Park, o empresário instalou um segundo avião, o Ground Force. É um 727-200 fabricado em 1981 e usado como jato VIP durante toda a vida operacional. Registrado como M-STAR, ficou em serviço executivo até o início da década de 2020. O avião está suspenso sobre uma estrutura de vários andares feita com contêineres reaproveitados e mantém cinema, área de festa em estilo boate e suíte privativa.
O complexo tem ainda um spa na cobertura com sauna, banheiras de gelo e ofurô, além de um lounge montado com a primeira classe de um Boeing 747. O Ground Force fica fora do Airbnb e só aceita reservas diretas para fins de semana, eventos e encontros de empresas.
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