וואלהרעידת אדמה בעוצמה 6.12 הורגשה בפפואה גינאה החדשהThe Jerusalem PostThe thought that changes everything - opinionESPNAfter Watson's rough opener, Browns to evaluate QB situation before Week 3Punch2027: Over 6,000 NDC members defect to PDP in EnuguInquirerCalabarzon cleanup hauls 35,105 kilos of coastal wasteUOLQuem protege os brasileiros dos protetores da democracia?3DNewsУчёные нашли способ замедлить остывание электронов в солнечных панелях в 1000 раз — это путь за нынешний предел КПД경향신문‘게리맨더링’보다 더 노골적인 공화당의 꼼수 ‘투표 사막화’The GuardianCeltic v Rangers: Scottish Premiership – liveDaily MailChloe Ferry says she will expose a 'friend' who has sent her 'extremely hurtful and threatening messages on social media'OnetPutin knuje przy granicy Rosji z NATO. "Dąży do stworzenia innej Europy"20 MinutenNach 14-Mio.-Sanierung stürzte Decke ein – und nun Pilzbefall
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, September 20, 2026

Quando passar o calor, como vai ser este ano o inverno?

Translate

E o Copernicus3S faz um bom resumo dos vários modelos sobre o El Niño. Os diferentes sistemas estão em “acordo qualitativo”, mas “não concordam inteiramente quanto à amplitude no pico do evento”. A Organização Meteorológica Mundial, WMO, diz no entanto que o El Niño muito forte esperado para este inverno aumentará os riscos de “cheias, secas e calor extremo em diferentes partes do mundo” e que a reorganização da circulação vai alterar as probabilidades climáticas à escala global. Isto não significa que cada região sofra tudo isto. Mas sim que vai haver uma reorganização da circulação associada ao fenómeno que pode mudar as probabilidades climáticas à escala global.

Rita Cardoso explica que o “El Niño vai fazer aquecer o planeta o ano inteiro”, mas “com Portugal não tem nenhuma relação direta”. Mas o impacto será enorme: “O El Nino vai aquecer o Pacífico, vai aquecer o Índico, na zona junta Moçambique, e depois vai ter alguma consequência no Atlântico Equatorial. Vamos ouvir falar de problemas em África. Vamos ouvir falar sobre problemas na América do Norte que é diretamente afetada, na Califórnia e em toda a bacia do Pacífico. Mas não na Europa”.

A metereologista lembra ainda que o “El Niño vem em cima de um aquecimento global” e que”tudo isso vai alterar todo o globo”, mas não podemos dizer que em Portugal “teremos mais ou menos chuva.” Até porque os efeitos podem demorar: “A temperatura do globo vai estar mais elevada, as temperaturas do mar também serão mais elevadas. Teremos outra vez um Atlântico mais quente na zona equatorial. Mas será já para o próximo Verão, não agora”.

Porque é mais fácil prever eventos no Pacífico do que no Atlântico?

O Pacífico tropical e a atmosfera do Atlântico Norte são muito diferentes. O Pacífico muda lentamente. Os modelos conseguem acompanhar a sua evolução durante meses. Já a atmosfera do Atlântico nas latitudes médias reorganiza-se muito rapidamente. Por isso é muito fácil fazer a previsão sazonal do El Niño. Até porque as alterações no Pacífico tropical modificam a circulação atmosférica. Geram ondas que se propagam a grandes distâncias e alteram os padrões de pressão e as correntes de jato. Estas ligações entre regiões distantes chamam-se teleconexões.

As teleconexões são conhecidas e existem sobretudo em regiões tropicais e subtropicais da América do Norte. Na Europa ocidental são muito menores. Mas é possível deslocar áreas de precipitação tropical, alterar o jet stream e favorecer padrões de chuva, seca e temperaturas em várias regiões.

Ou seja, a teleconexão não é uma ligação direta entre o Pacífico e Portugal. Mas o sinal pode ser mudado em muito local, por muita coisa. Pelo Atlântico, pela estratosfera e por vários padrões atmosféricos. O El Niño tem muito mais influência em algumas regiões do mundo do que na Europa ocidental. Mas o seu impacto é global.

A Météo-France resume o impacto europeu. “Na Europa, a sua influência é estatisticamente mais forte durante o inverno” — mas acrescenta que as previsões dos impactos deste El Niño fora do Pacífico equatorial “continuam a precisar de ser afinadas ao longo do tempo”. Para o Mediterrâneo, o CMCC é ainda mais direto: “No Mediterrâneo, o impacto de El Niño é indireto.”

O El Niño não está sozinho

Se o El Niño é o fenómeno deste ano, não é a única peça deste puzzle. A Organização Meteorológica Mundial prevê também o desenvolvimento de uma fase positiva do IOD — Indian Ocean Dipole, ou Dipolo do Oceano Índico. Trata-se da diferença de temperatura das águas superficiais entre as zonas ocidental e oriental do Índico tropical. A WMO prevê ainda temperaturas acima do normal tanto no Atlântico tropical Norte como no Sul.

Como a atmosfera funciona como um sistema interligado, isto importa. E muito. Alterações da convecção tropical no Pacífico e no Índico podem gerar ondas atmosféricas que chegam às latitudes médias. Onde está Portugal. E o calor do Atlântico influencia a atmosfera a oeste da Europa.

Felizmente para Portugal, estas influências indiretas têm ainda de atravessar um filtro decisivo: a circulação do Atlântico Norte. É por isso que NAO, EA, jet stream e trajetória das depressões acabam por ser mais diretamente importantes para saber se vamos ter chuva ou frio do que o El Niño.

O que já se sabe e o que ainda é impossível prever?

Primeira conclusão a ganhar consistência: a temperatura deverá ficar acima do normal. O IPMA já encontra esse sinal em dezembro. O Copernicus3S descobriu-o no conjunto do inverno europeu através dos principais modelos que mantêm anomalias positivas em dezembro, janeiro e fevereiro.

Sobre a chuva há ainda muitas dúvidas. O IPMA antecipa precipitação acima do normal no Norte e Centro em novembro e dezembro. Os restantes modelos também apontam para um inverno húmido em praticamente toda a Europa. Só que Portugal fica perto da fronteira sul desse sinal detetado, onde as pequenas diferenças entre os modelos contam muito na meteorologia do país.

Neste momento ainda não há dados para dizer que 2026/27 repetirá o inverno das tempestades. Não basta um El Niño muito forte, nem um inverno europeu mais húmido. Era preciso que a circulação do Atlântico colocasse de novo Portugal na trajetória das depressões. É essa parte da previsão que falta acertar nas próximas atualizações. À medida que dezembro se aproximar, será mais percetível perceber a posição do jet stream, a evolução da NAO e do EA, a força do vórtice polar e, sobretudo, onde é que ficará construída a rota das depressões atlânticas.

Para já, vamos entrar no outono em onda de calor. “Este ano vieram cedo demais e estão a continuar até cada vez mais tarde. Temos uma extensão do verão. Não é nada que não tivéssemos já previsto que acontecesse”, diz a especialista Rita Cardoso.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.