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Sunday, September 27, 2026

Análise: erro de Mariano Soso muda clássico e pode ser golpe irreversível para o Sport na Série B

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A derrota do Sport por 3 a 1 para o Náutico, neste sábado, nos Aflitos, teve vários fatores, mas a substituição de Fernando Sobral por Juan Alano no intervalo foi determinante para o rumo do clássico. Em um momento decisivo da Série B, a falha de Soso pode representar um golpe irreversível para o Sport.

Confira na íntegra a entrevista do técnico Mariano Soso, após a derrota do Sport para o Náutico pela Série B

Confira na íntegra a entrevista do técnico Mariano Soso, após a derrota do Sport para o Náutico pela Série B

O primeiro tempo terminou com vantagem mínima para o Náutico, mas a partida estava longe de ser controlada pelos donos da casa. Se não fazia uma partida de imposição, o Sport conseguia oferecer ao adversário resistência, em um jogo que pode ser definido como equilibrado até então.

A principal necessidade de ajuste, conforme aponta o comentarista Cabral Neto, da TV Globo, estava nos lados do campo, que apresentavam dificuldades defensivas, e não na cabeça de área. Ainda assim, Soso optou por retirar Sobral, um dos jogadores que mais davam sustento ao meio-campo da equipe na etapa inicial.

A consequência da mudança de Soso apareceu quase imediatamente. Com Juan Alano, que retornava de lesão, o Sport perdeu presença defensiva na cabeça de área e deixou Willian Oliveira exposto demais. O Náutico percebeu rapidamente o novo cenário e passou a explorar os espaços entre as linhas.

Fernando Sobral, volante do Sport — Foto: Paulo Paiva/Sport

Dois minutos após o início do segundo tempo, Jean Carlos encontrou terreno para decidir a partida. Autor de gol, assistência e principal articulador alvirrubro, ele teve liberdade para atuar numa faixa do campo que até então estava mais protegida. A avaliação encontra respaldo no que se viu durante os 90 minutos.

"A saída de Fernando Sobral para a entrada de Juan Alano, no intervalo, foi o que definiu o jogo", disse Cabral Neto.

O comentarista apontou que o treinador "abriu demais o time", deixou o meio-campo exposto e sobrecarregou a proteção à defesa. O resultado foi um Sport vulnerável justamente no momento em que precisava reagir.

- Soso não tinha necessidade de tirar Sobral. Ele precisava ajustar mais a marcação dos lados do campo, sobretudo do lado esquerdo, mas ele acabou abrindo demais o time, deixou o time muito leve. Isso prejudicou muito o Sport - avaliou.

Benevenuto fala sobre impacto da derrota no clássico na tabela "Ficou mais difícil"

Benevenuto fala sobre impacto da derrota no clássico na tabela "Ficou mais difícil"

É importante destacar que esta foi apenas a quarta partida de Mariano Soso no comando rubro-negro. O argentino não pode ser responsabilizado pelos problemas acumulados ao longo de toda a temporada. Alguns deles voltaram a aparecer nos Aflitos.

O Sport voltou a sofrer em lances de bola aérea, repetiu dificuldades para sustentar intensidade durante os 90 minutos e mostrou falhas de tomada de decisão no setor ofensivo. São sintomas que, vale frisar, antecedem a chegada da atual comissão técnica.

Ainda assim, a escolha feita no intervalo teve impacto direto no resultado. A tentativa de correção veio mais tarde, quando Patrick de Paula entrou em campo e recompôs parte da força física do setor, mas o estrago já estava feito. O Náutico havia ampliado a vantagem e controlava emocionalmente a partida.

O peso da derrota vai além do clássico. Na rodada passada, o Sport havia vencido o Juventude por 2 a 1, em uma atuação que renovou a esperança de reação na competição. O revés nos Aflitos interrompe o embalo e reforça um problema que se tornou crônico: o rendimento como visitante.

Mariano Soso, técnico do Sport — Foto: Paulo Paiva / Sport Club do Recife

Foi a quinta derrota consecutiva fora de casa, sequência que também inclui tropeços contra Avaí, Novorizontino, Ceará e CRB. O último triunfo longe da Ilha do Retiro aconteceu em 8 de agosto, diante do Vila Nova.

Na tabela, o impacto é evidente. Com 44 pontos, o Sport permanece na nona posição e vê o G-6 abrir ainda mais distância. O Operário-PR, que fecha a zona de classificação, soma 48. Restando oito rodadas para o fim da competição, cada erro passa a ter peso maior. E, nos Aflitos, o principal deles aconteceu justamente quando o jogo ainda permitia correção.

Soso não comprometeu sozinho a temporada do Sport - longe disso -, mas sua intervenção no intervalo ajudou a transformar um clássico equilibrado em uma derrota que pode cobrar um preço alto na disputa pelo acesso.

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