Diretores. Fusão de 1.º e 2.º ciclos pode ser positiva

O presidente da associação de diretores de escolas considerou esta quinta-feira que a decisão de fundir o primeiro e segundo ciclos é positiva, mas tem de ser “explicada urgentemente” a todos os envolvidos para que “não morra à nascença”.
“A medida parece-me ser positiva, até porque nós conhecemos casos que têm essa experiência já há largos anos, a vizinha Espanha tem, e outros países europeus, com sucesso”, declarou Filinto Lima à agência Lusa.
Mas, acrescentou, “é preciso que o ministro da Educação ou uma equipa explique como é que se vai operacionalizar na prática uma medida que me parece que tem pés para andar”.
Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o ministro da Educação anunciou que, a partir do ano letivo 2027/2028, vai decorrer o projeto-piloto de fusão do 1.º e 2.º ciclos do ensino básico num conjunto alargado de escolas do país.
Em declarações esta quinta-feira aos jornalistas em Braga, Fernando Alexandre disse que a medida implicará mudanças curriculares e que uma equipa está a trabalhar no projeto-piloto, do qual não deu muitos pormenores.
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) disse que o facto de se desconhecer como vai ser aplicada a medida “começa a gerar alguma ansiedade junto dos profissionais”.
Estes não sabem, por exemplo, se os professores do segundo ciclo para o ano vão lecionar ao primeiro ciclo e os do primeiro ciclo não sabem se para o ano vão dar aulas ao segundo ciclo e em que escolas é que vão lecionar, explicou.
Se não for explicada, a medida “pode morrer à nascença”, quando “devia germinar”, insistiu Filinto Lima.
A fusão do 1.º e 2.º ciclos foi defendida em 2008 num estudo do Conselho Nacional de Educação, mas não chegou a ser concretizada.
A Federação Nacional de Educação (FNE) admitiu esta quinta-feira vantagens pedagógicas na integração dos 1.º e 2.º ciclos, mas alertou que a reforma não pode ser usada para responder à falta de docentes, reduzir contratações ou aumentar a mobilidade e exigiu a sua negociação.
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