Na Bienal do Livro SP, Fátima Bernardes fala sobre liberdade na produção de conteúdo na internet: 'Essa é a maior vitória'

Fátima Bernardes, de 63 anos, esteve na Bienal Internacional do Livro de São Paulo nesta quinta-feira (10) em uma mesa chamada "Quem cuida da sua atenção?" ao lado do jornalista João Pedro Paes Leme. Durante a conversa, a apresentadora falou sobre a forma como enxerga a produção de conteúdo atualmente e fez um paralelo com o período em que trabalhou na imprensa tradicional.
Para ela, uma das principais vantagens de produzir conteúdo para a internet é ter mais liberdade para escolher o que quer fazer e como deseja apresentar seu trabalho. Ela explicou que, diferentemente da televisão, não precisa se prender às mesmas regras de tempo, formato e aparência.
“A liberdade de, por exemplo, se eu quiser, e eu já fiz isso algumas vezes, postar sem estar produzida como estaria para uma TV", contou. “Eu acho que é a possibilidade de não ter que pensar tanto em uma audiência e poder pensar naquilo que eu estou disposta [a fazer]", completou.
"Então, eu posso fazer uma entrevista longa com uma pessoa que eu acho que pode não render, mas que considero interessante para mim e para quem quiser ver. Quem não quiser, pode pular. Mas eu posso fazer. A questão do tempo, essa é a maior vitória para mim no veículo que a gente usa hoje", explicou
Fátima comparou essa liberdade com a realidade da televisão, em que o espaço disponível para cada conteúdo era limitado.
“A gente, na televisão costumava dizer que o jornal não era de elástico. Ou seja, não adiantava eu tentar esticar para enfiar mais uma notícia. Para colocar uma, você tem que tirar outra. E aqui não [na internet], eu posso fazer uma entrevista com você e, se ela render uma hora e meia, eu posso postar uma hora e meia. Se eu fizer uma outra pessoa render 20 minutos, ela vai ter 20 minutos. Isso é um tipo de liberdade que foi muito interessante de descobrir", afirmou.
Aprendizado com os novos formatos
Atualmente, a apresentadora está focada em produzir vídeos para serem publicados no seu canal oficial no Youtube, que já acumula mais de 400 mil inscritos.
Questionada sobre como essa liberdade também permite misturar forma e conteúdo e experimentar novos formatos, Fátima afirmou que a convivência com profissionais mais jovens tem sido importante para que ela conheça novas possibilidades na internet.
Fátima Bernardes fala sobre liberdade na produção de conteúdo na internet
“Ah, com certeza. Com certeza. De experimentar. E aí é muito bom a gente trabalhar com gente que é mais jovem do que a gente. Porque, é claro, eu, por não ser uma nativa digital, às vezes sou refratária a algumas coisas que acho verdadeiramente uma bobagem, né? Então, ‘vamos gravar um vídeo de você tirando a maquiagem’ ou ‘vamos fazer um vídeo de você reagindo ao seu primeiro vídeo no YouTube’. Eu falo: ‘Mas, gente, quem vai querer ver isso?’. Aí está lá, 400 mil visualizações”, contou.
Ela ainda relembrou uma situação em que publicou uma foto sem maquiagem e recebeu um comentário sobre a “coragem” de aparecer daquele jeito. Fátima, brincou que nunca enxergou a maquiagem como uma obrigação para aparecer diante do público. “Eu não sabia que precisava de maquiagem, só de demaquilante”, disse.
O intuito do painel foi refletir sobre o papel das redes sociais na saúde mental e no dia a dia das pessoas, desde o consumo de notícias até relacionamentos.
Em meio aos feeds infinitos e muita informação, a mesa buscou refletir sobre quem disputa a atenção do público e como fazer escolhas conscientes nas redes. Esse é um tópico discutido no novo lançam ento de João Pedro, A Era da Influência, lançamento da Editora Sextante.
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