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Wednesday, October 28, 2026

Há tanta coisa que o Presidente Seguro não sabe…

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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o teu bom de hoje?

O bom são os portugueses que já perceberam o que se vai passar com eles, e não vai ser bom. Ontem foi divulgado um estudo que revela que quase metade dos portugueses já estão a preparar-se pra pancada que vão receber quando se reformarem. Como se sabe, nas próximas décadas, o valor da reforma, quando comparada com o último salário, pode baixar pra menos de 50%, e antecipando isso, 45% dos portugueses estão a tentar arranjar já uma almofada que possam usar nessa altura. Não estão cá à espera do Estado pra nada e fazem muitíssimo bem. Mais do que isso, o estudo da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, que revelou este número, tem outro dado interessante: é que um quinto dos portugueses está a preparar essa almofada investindo na compra de casas. Além daquela em que vivem, claro. Vivem numa casa e estão a comprar outra ou outras casas. Não são fundos abutre, não são estrangeiros ricos, são portugueses normais, pessoas que estão preocupadas com o que aí vem. Nós não sabemos, o estudo não nos explica se a ideia das pessoas que estão a comprar essas casas é depois vendê-las ou arrendá-las, mas seguramente muitos desses imóveis vão acabar no mercado de uma forma ou de outra. Ou seja, essas casas que estão a ser construídas ou reabilitadas vão ajudar a resolver o problema da habitação. Isto, claro, desde que os políticos não se ponham a fazer asneiras. Se de repente começarem a assustar as pessoas, elas pegam no pouco dinheiro que têm, na almofada que têm, e vão procurar outro sítio para preparar a reforma. Claro, outro tipo de instrumentos. Certo. Portanto, essa tua premissa, se os políticos não fizerem asneiras, isso é que é altamente duvidoso, não é? Não, Paulo. Que azar. Está tudo a correr muito bem. Tenho fé e confiança. Vamos lá, dar as mãos. Ainda hoje rezei dois Pai Nossos e uma Ave Maria. Então vai se resolver o problema. Vai.

Miguel, o teu mau é o líder do PS.

Sim, José Luís Carneiro finalmente teve ontem a oportunidade, no Parlamento, de confrontar cara a cara o primeiro-ministro a propósito das manifestações pela habitação, mas não se percebeu nada do que ele queria. Depois da ação policial na madrugada de sábado pra domingo, José Luís Carneiro tinha condenado aquilo que disse ser um uso da força aparentemente desproporcionado por parte da PSP, mas ontem, afinal, veio dizer isto, vou citá-lo: "A minha crítica não é à polícia." E a tese do líder do PS é de que é sempre o poder político quem dá orientações à polícia e ela, coitada, limita-se a cumprir ordens estritas. Ora, o poder político até pode dar orientações genéricas à PSP, mas seguramente não toma decisões operacionais. Usa-se bastões, não se usa bastões, usa-se cães, não se usa, avança-se à 01:00 da manhã, às 14:00, às 15:00. Nada disso é decidido pelos políticos, e José Luís Carneiro sabe, porque por incrível que possa parecer, eu sei que as pessoas não vão acreditar nisto, mas até há muito pouco tempo, José Luís Carneiro foi ministro da Administração Interna. É difícil de acreditar, mas é verdade. E o líder do PS aqui não tem grande volta a dar, porque se critica o governo, critica a PSP. Se absolve a PSP, absolve o governo. Este equilibrismo aí que eu não estou a ver muito bem como é que vai funcionar. Não é fácil, de facto. Olha, mas ó Paulo. É como fumar e não inalar. Se fosse fácil, não era uma missão pra José Luís Carneiro. Exato. Portanto, vamos ver. Não é a musiquinha da "Missão Impossível".

Não, aqui a mão não há.

Mas o José Luís Carneiro fuma? Não faço ideia. Era uma metáfora. Eu sei, era uma metáfora, mas se fumasse, não inalava, certamente. Sim, de certeza.

Só falta o teu vilão que falou ao país.

Sim, António José Seguro falou ao país e eu fiquei genuinamente preocupado com o estado de nervos em que o presidente da República se apresentou ao país. António José Seguro estava irritadíssimo quando falou sobre a crise da habitação. Eu não vou comentar o que ele disse sobre as manifestações e sobre a polícia, não é isso que me interessa agora. Pode haver uma outra oportunidade no futuro. Aquilo que me deixou perplexo foi ouvi-lo falar sobre os partidos, porque com o ar de quem está perdido, ele perguntou: "Por que os partidos não se entendem?" E insistiu: "Custa alguma coisa sentarem-se e encontrarem soluções, não só na habitação, e na saúde?", perguntou ele. E depois continuou: "Quais são as propostas? Quais são as soluções?" E ele estava até assim a bater com os braços estendidos e estava a bater com os braços assim no corpo, assim em sinal de frustração, e prosseguiu assim: "A certa altura, olho pra alguns acontecimentos e sinto que verdadeiramente já não sei o que estão a discutir." E de facto parece que o presidente não sabe que, por exemplo, o PCP e o PSD têm propostas e soluções para a habitação, além de todos os outros partidos. O presidente não sabe que essas propostas e soluções dos diferentes partidos são inconciliáveis. O presidente não sabe que em política não basta dar as mãos e querer muito para as coisas acontecerem. O presidente, pelos vistos, não sabe que em política estas coisas só há uma maneira, decidem-se pelo voto. Quem tem mais votos aplica as suas soluções e depois ao fim de um tempo, os eleitores decidirão se a coisa correu bem ou não e votarão novamente. Há tanta coisa que o presidente Seguro não sabe que eu fiquei um pouco preocupado quando o ouvi, porque se estamos neste nível. É uma coisa que as crianças de tenra idade costumam perguntar aos pais: "Ó pai, ó mãe, porque é que eles não se entendem? Não se podiam todos sentar à mesma mesa e resolver o problema da habitação?", pergunta o Zézinho. Não é assim que as coisas se passam. Têm ideias diferentes, objectivos diferentes. Soluções diferentes, pontos de vista diferentes, é a beleza da democracia. Vamos ver, se houvesse uma solução para o problema com a qual toda a gente concordasse, isto já se tinha resolvido. É verdade. Estamos em idade dos porquês. Muito bem, é isso mesmo. Bom resumo.

Miguel, regressas depois do meio-dia para mais um "RealPolitik" com o Sérgio Sousa Pinto. Do que vão falar hoje?

Vamos falar das acampadas, claro. Temos que voltar a esse tema e o que é que vai sair disto tudo, por onde é que vamos. E também vamos conversar um pouco sobre Israel. Vamos ver só ao meio-dia quando falarmos, se as coisas estão ainda mais claras.

Mais claras, pois.

E sobre o Brasil, o que é que vai acontecendo no Brasil, à esquerda e à direita, depois das eleições e depois da fuga de Flávio Bolsonaro.

É o "RealPolitik" para ouvir depois do jornal do meio-dia. Quanto ao bom, mau e o vilão de hoje, o bom são os portugueses, o mau é José Luís Carneiro e o vilão é António José Seguro. São as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que daqui a instantes fica disponível em podcast.

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