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Thursday, October 15, 2026

A criatura de 'Profundezas' existe? Conheça o animal que inspirou a série

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Uma criatura misteriosa está aterrorizando uma cidadezinha costeira no Canadá e conquistando o público da Netflix. Estreada em 8 de outubro, a minissérie "Profundezas" chegou ao primeiro lugar entre as séries mais assistidas da plataforma no Brasil na última semana.

Estrelada por Josh Hartnett, Mackenzie Davis e Charlie Heaton, a produção acompanha os moradores de uma pequena comunidade canadense que precisam enfrentar uma ameaça vinda do oceano. A trama de seis episódios mistura suspense, terror e mistério, colocando em cena uma pergunta que desperta a curiosidade dos espectadores: será que uma criatura como essa poderia existir na vida real?

A resposta passa por um animal real que parece saído de uma história de ficção: a lula-gigante. Encontrada em águas profundas, ela pode alcançar dimensões impressionantes e ainda guarda mistérios para os cientistas.

A criatura de 'Profundezas' existe?

A resposta é sim. As lulas-gigantes são conhecidas pela ciência e podem atingir entre 10 e 15 metros de comprimento, segundo a bióloga marinha Annie Mercier, pesquisadora do Centro de Ciências do Oceano, em Newfoundland, no Canadá.

A cientista participou da consultoria da produção e ajudou a construir a representação do animal na trama. Apesar de algumas características ficcionais, a série parte de informações reais sobre o grupo de moluscos que inclui lulas e polvos.

Qual é o tamanho do animal?

Segundo Annie Mercier, em entrevista ao Tudum, as lulas-gigantes podem medir de 10 a 15 metros de comprimento e possuem alguns dos maiores olhos encontrados na natureza.

"Quando encontramos os restos de cefalópodes, eles já sofreram um pouco de decomposição, então provavelmente eram ainda maiores enquanto estavam vivos", contou a bióloga.

O tamanho impressionante e os tentáculos compridos ajudaram a alimentar relatos sobre criaturas marinhas gigantes ao longo dos séculos. Muitos desses relatos vieram de pescadores e marinheiros que encontraram animais mortos ou observaram movimentos incomuns na água.

Eles são perigosos para os humanos?

Na ficção, a criatura de "Profundezas" assume um comportamento agressivo e territorialista, colocando a população em risco. Na natureza, segundo Mercier, esses animais costumam ser pacíficos, sentem medo e tendem a se afastar quando se deparam com situações ameaçadoras.

A bióloga considera improvável que esses animais ataquem embarcações, embora avalie que esse comportamento não seja completamente impossível. Ela explica que a estrutura física da espécie limita sua capacidade de atacar pessoas ou objetos. "Elas não têm força no esqueleto para ferir algo acima da água."

Há uma circunstância que merece atenção: a proteção dos filhotes. Segundo a pesquisadora, o comportamento defensivo pode tornar esses animais mais perigosos em determinadas situações.

Essa característica ajuda a entender uma das ideias centrais da minissérie, na qual o animal passa a ameaçar os moradores quando a sobrevivência de seus filhotes é colocada em risco.

Cuidados com os filhotes

A reprodução dos cefalópodes é um dos aspectos que mais chamam a atenção dos pesquisadores. De acordo com Mercier, algumas espécies apresentam estratégias parentais que exigem um grande investimento de energia.

Os animais podem proteger, oxigenar e limpar as bolsas de ovos durante meses. Nesse período, os pais podem deixar de se alimentar e acabar morrendo depois de cumprir essa função reprodutiva.

Esse comportamento ajuda a contextualizar a relação entre a criatura e seus filhotes na série. A produção transforma o instinto de proteção em um elemento de suspense, relacionando o comportamento do animal às mudanças ambientais que ameaçam sua descendência.

Assim como a Mãe, de "Profundezas", os cefalópodes são animais conhecidos pela inteligência e por comportamentos que lembram os humanos. Eles conseguem manipular objetos, se esconder, aprender a usar ferramentas e até imitar animais mais perigosos para afastar predadores.

Por que é tão difícil estudá-los?

As lulas-gigantes vivem em águas profundas, longe da superfície e em regiões de difícil acesso. Essas condições tornam a observação direta complicada e limitam a quantidade de registros disponíveis sobre seus hábitos.

Segundo Mertier, para avançar nas pesquisas, cientistas desenvolveram métodos de observação que incluem câmeras instaladas em cachalotes, predadores naturais de cefalópodes. Os equipamentos ajudam a registrar imagens desses animais em regiões onde a presença humana é limitada.

Mudança climática é um dos temas centrais da série

Em uma das cenas finais de "Profundezas", Fonda revela que os filhotes da Mãe morreram devido ao aquecimento da água do oceano. A trama aborda um problema real: as mudanças climáticas alteram as condições dos ambientes marinhos e colocam diferentes espécies em risco.

De acordo com Mertier, o aumento da temperatura é apenas um dos fatores envolvidos. A química da água também está mudando, e águas mais quentes tendem a apresentar menor disponibilidade de oxigênio, o que afeta a distribuição e a sobrevivência de diversas criaturas marinhas.

"Cientistas marinhos costumam dizer que sabemos mais sobre o universo, a Lua e Marte do que sobre nossos próprios oceanos", afirma Mercier. "Nós chamamos de planeta Terra, mas faz mais sentido chamar de planeta Oceano", conclui.

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