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Tuesday, October 13, 2026

Governo Netanyahu acelera expansão de assentamentos antes da eleição

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Durante duas décadas, líderes israelenses evitaram levar adiante o controverso assentamento E1, temendo a reação internacional caso avançassem com um projeto amplamente visto como o golpe fatal para a viabilidade de um Estado palestino.

Mas, com uma eleição marcada para este mês, o governo de extrema direita de Binyamin Netanyahu está fazendo exatamente isso. Em agosto, o Ministério da Habitação lançou uma licitação para 1.200 unidades habitacionais na faixa de terra castigada pelo sol nos arredores de Jerusalém.

Há duas semanas, abriu outra para mais 2.100 unidades —e marcou o início da apresentação de propostas para apenas dois dias antes da votação de 27 de outubro.

As licitações para E1 —que dividiria em duas partes a Cisjordânia ocupada e a separaria de Jerusalém Oriental— integram uma série de medidas da coalizão de Netanyahu que, segundo analistas, têm como objetivo impedir que um novo governo reverta as iniciativas criadas para reforçar o controle de Israel sobre o território palestino.

As pesquisas indicam que a eleição está, no momento, acirrada demais para permitir previsões e ainda pode terminar em impasse.

O grupo com maior chance de tirar Netanyahu do poder é um conjunto de partidos de oposição liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot. Em sua maioria, eles adotam posições menos linha-dura em relação à Cisjordânia do que os aliados do primeiro-ministro —vários dos quais são colonos ultranacionalistas.

Lá Fora

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"Está claro que o governo está tentando criar fatos consumados que serão muito difíceis de reverter pelo próximo governo", afirmou Yonatan Mizrachi, da organização israelense de direitos humanos Peace Now. "Essa é a ideologia deles, e eles não a escondem."

As licitações para E1 —uma das quais foi adiada diante de preocupações de que seria usada com fins eleitorais— vieram acompanhadas de uma sequência constante de medidas menos chamativas, mas ainda altamente estratégicas, para ampliar os assentamentos israelenses em toda a Cisjordânia. Ao mesmo tempo, os ataques de colonos judeus contra palestinos dispararam para níveis recordes.

O Ministério das Finanças —chefiado por Bezalel Smotrich, ele próprio um colono ultranacionalista— apresentou recentemente um pedido para destinar 36 milhões de shekels (R$ 58,8 milhões) ao registro de terras na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A Peace Now alertou que o processo, ilegal em territórios ocupados, abrirá caminho para uma "apropriação maciça de terras" pelo Estado israelense.

Em agosto, um grupo de colonos retornou a Kadim, um dos quatro assentamentos no norte da Cisjordânia desmantelados em 2005. Ao todo, o governo israelense anunciou planos para 19 assentamentos na região, uma das poucas partes do território onde ainda há relativa continuidade entre as áreas palestinas. Os assentamentos são ilegais segundo o direito internacional.

"Com esses novos assentamentos, Israel poderá fragmentar o norte da Cisjordânia e cercar Jenin", uma cidade palestina, afirmou Yehuda Shaul, codiretor do Ofek, centro israelense de assuntos públicos.

Os líderes dos colonos não fazem segredo de suas intenções. Smotrich afirmou que E1 "sepultará" a ideia de um Estado palestino.

Na inauguração de um novo assentamento, em setembro, ele disse que a coalizão estava "preparando o terreno para 1 milhão de colonos" —um terço a mais do que os 750 mil que atualmente vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Em fevereiro, afirmou que o próximo governo deveria "incentivar a migração" de palestinos.

Alguns colonos alegam que os assentamentos são necessários para a segurança de seu país. Mas muitos acreditam ter um direito divino à Cisjordânia, à qual se referem pelos nomes bíblicos de Judeia e Samaria, e defendem que devem poder se estabelecer em todo o território palestino.

"Estamos retornando à nossa terra natal", afirmou Jeff Prawer, profissional do setor de alta tecnologia que vive no assentamento de Ma’ale Adumim, com vista para a área de E1. "Vivemos nesta terra há milhares de anos."

A intensa expansão dos assentamentos veio acompanhada de uma explosão da violência praticada por colonos, e o número de ataques em 2026 caminha para ser o maior desde que o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) começou a coletar dados.

Segundo o OCHA, desde que o partido de Netanyahu assumiu o poder em 2022, colonos realizaram 6.100 ataques contra palestinos e suas propriedades. Mais de 6.500 palestinos e 132 comunidades foram deslocados total ou parcialmente.

Juntamente com as restrições impostas pelos militares e a pressão econômica do governo, a violência transformou a vida no território.

Uma rede de postos de controle militares transformou trajetos curtos em odisseias de várias horas. A proliferação de postos de assentamentos isolou palestinos de suas terras.

A retenção israelense das receitas tributárias palestinas levou a Autoridade Palestina à beira da falência, obrigando-a a pagar aos servidores públicos apenas uma fração de seus salários e muitas escolas a funcionar somente três dias por semana.

Entre os afetados está Loui Ridi, um palestino-americano cuja casa, no vilarejo de Qusra, foi sitiada por colonos que cortaram o fornecimento de eletricidade e água.

Após a repercussão internacional, os militares israelenses finalmente obrigaram os colonos a se afastar algumas centenas de metros.

Mas, em seguida, instalaram um posto de controle diante da casa de Ridi e restringiram, durante os 30 dias seguintes, a possibilidade de sua família entrar e sair da propriedade, para sua "própria proteção". Essas restrições acabaram sendo flexibilizadas. Mas os colonos continuam circulando nas proximidades.

"Minha irmã é professora e tem medo de sair sozinha", disse Ridi. "As [tropas israelenses] não estão fazendo seu trabalho de retirar os colonos. Não nos sentimos seguros dentro de nossas próprias casas."

Defensores dos colonos alegam que a violência desenfreada é obra de um pequeno número de jovens. "É antissemita chamar isso de violência de colonos", afirmou Chaim Silberstein, fundador do Jerusalem Center for Applied Policy, um centro de estudos de direita, alegando que "no máximo" 300 "delinquentes judeus" estavam envolvidos.

Mas organizações de direitos humanos afirmam que o número é muito maior. No início desta semana, os próprios militares israelenses disseram que mais de 100 colonos participaram de um único ataque ao vilarejo de Jalud, no qual incendiaram prédios e carros para impedir que uma família palestina deslocada por ataques anteriores voltasse para casa.

Colonos violentos agem em um clima de impunidade quase total. As Forças de Defesa de Israel raramente os impedem de realizar ataques, e quase nenhum deles chega a ser condenado.

Um estudo da organização de direitos humanos Yesh Din constatou que, entre 2005 e 2024, apenas 3% das investigações sobre crimes cometidos por israelenses contra palestinos na Cisjordânia terminaram em condenações.

A violência também abriu caminho para novos assentamentos, afirmou Mizrachi, destacando que Metzoke Eretz era um dos vários novos assentamentos situados no local ou nas proximidades de comunidades deslocadas.

Diplomatas afirmam que o grau de mudança de rumo do Estado israelense depende dos partidos que vão integrá-lo. Várias composições continuam possíveis, mas as pesquisas indicam atualmente que a mais provável é uma coalizão liderada por Eisenkot, reunindo a atual oposição sionista.

As posições desses partidos sobre a Cisjordânia são variadas, indo do apoio ao desmantelamento de postos avançados ilegais à defesa da anexação do território cisjordaniano.

Apesar das divergências, os diplomatas esperam que uma coalizão desse tipo adote uma postura mais dura contra a violência dos colonos e talvez também tome medidas para reduzir as tensões, como liberar parte das receitas palestinas retidas por Israel.

No entanto, diante do clima político em Israel —uma pesquisa de agosto do Jewish People Policy Institute constatou que 55% dos judeus israelenses eram favoráveis à manutenção do controle sobre todos os assentamentos—, poucos observadores esperam que um novo governo reverta de forma significativa projetos já em andamento.

"O que vemos agora não é uma corrida para levar os projetos até a linha de chegada", afirmou Shaul. "A corrida é para fazer com que o máximo possível deles ultrapasse a linha de largada, de modo que, mesmo que haja um governo de mudança depois desta eleição... seja politicamente muito, muito difícil desfazer o que foi feito."

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