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Tuesday, October 13, 2026

EUA querem que compra de diesel russo facilite paz na Ucrânia, dizem fontes

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Enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informaram autoridades ucranianas na sexta-feira (9) que um acordo para permitir a exportação de diesel russo faz parte de uma tentativa de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações, após o fracasso de esforços anteriores para iniciar conversas duradouras visando encerrar a guerra; a informação foi dada à Reuters por três pessoas a par da reunião.

O enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, disseram aos ucranianos, em uma reunião em Miami, que o presidente russo, Vladimir Putin, não estava disposto a negociar o fim da guerra na Ucrânia — que já dura quatro anos e meio — e que o acordo anunciado na semana passada poderia ajudar a retomar as negociações trilaterais.

Essa informação veio de duas das pessoas consultadas, que falaram sob condição de anonimato.

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A terceira pessoa afirmou que os EUA transmitiram aos ucranianos a ideia de que o acordo sobre o diesel poderia ajudar a "suavizar" a posição de Moscou, em parte porque "envia um sinal de que Trump está aberto a realizar ações" em conjunto com a Rússia.

Esse acordo, pelo qual a Rússia fornecerá mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados dos EUA e global, provocou críticas de alguns legisladores americanos. Eles argumentam que a medida fornecerá recursos financeiros para Moscou continuar a guerra, sem obrigar Putin a fazer concessões para encerrar o conflito. Nesta segunda-feira (12), Trump defendeu publicamente o acordo, classificando-o como "a escolha certa para o povo americano".

Trump afirma que o acordo reduzirá os preços de energia nos EUA — uma questão que se tornou uma dor de cabeça política para o Partido Republicano antes das cruciais eleições de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso.

O presidente americano também queria que os ucranianos parassem de atacar refinarias russas, disse Kushner na reunião, reiterando que o governo já havia feito esse pedido várias vezes, segundo as duas pessoas. Trump alegou que os ataques da Ucrânia estão elevando os preços globais dos combustíveis, embora a maioria dos especialistas aponte a guerra no Irã como o principal fator para os custos elevados.

"A ideia era que os EUA pudessem voltar à Rússia e dizer: 'Vejam, os ucranianos pararam de atacar e nós lhes demos este acordo. Agora é a vez de vocês fazerem algo'", disse uma das pessoas.

No domingo (11), Trump anunciou uma trégua energética entre a Rússia e a Ucrânia, poucos dias depois de divulgar o acordo sobre o diesel. No entanto, os lados em conflito não confirmaram o cessar-fogo, e a Rússia atacou alvos do setor de energia dentro da Ucrânia nesta segunda-feira.

A embaixada da Rússia em Washington e o gabinete presidencial em Kiev não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Uma pessoa próxima ao Kremlin afirmou que o acordo sobre o diesel "é uma maneira de trazer a Rússia de volta" às negociações.

Uma das pessoas a par da reunião disse que o acordo sobre o diesel é apenas uma parte de uma discussão mais ampla sobre como trazer a Ucrânia e a Rússia de volta à mesa de negociações e encerrar a guerra. A reunião também abordou garantias de segurança para Kiev, disse a pessoa, sem dar mais detalhes.

Dúvidas sobre a disposição de Moscou em negociar

Trump afirmou repetidamente que Putin quer chegar a um acordo para encerrar a guerra — uma afirmação que ele reiterou no sábado. Autoridades ucranianas e europeias expressaram dúvidas de que o líder russo esteja disposto a encerrar a campanha militar em breve.

Alguns especialistas afirmaram que o acordo sobre o diesel terá pouco impacto na redução dos preços nos EUA. A quantidade adicional fornecida ao mercado será inferior ao consumo de um único dia apenas pelo setor de transportes dos Estados Unidos.

As autoridades ucranianas presentes na reunião mostraram-se céticas em relação à abordagem dos EUA, que elas veem como uma tentativa de usar acordos comerciais para apaziguar a Rússia, segundo duas pessoas informadas sobre o assunto e uma pessoa que participou da reunião.

A administração Trump já tentou anteriormente atrair Putin, inclusive por meio de propostas de alívio de sanções e possíveis acordos envolvendo minerais. Nenhuma dessas iniciativas alterou substancialmente as principais exigências da Rússia nem a convenceu a aceitar um acordo abrangente de cessar-fogo.

A pessoa próxima ao Kremlin disse que Putin só retornará à mesa de negociações quando "conseguir os 11% restantes de Donbas, o que ele poderá apresentar internamente como uma vitória". A Ucrânia declarou que não cederá mais territórios à Rússia, mas que o congelamento do conflito nas linhas de frente atuais poderia servir de base para um acordo de paz.

Sem ameaça de retirar o apoio dos EUA a Kiev

Na reunião em Miami, Kushner e Witkoff destacaram para as autoridades ucranianas "tudo o que os EUA fizeram pela Ucrânia", disse uma das pessoas, incluindo o fornecimento de apoio militar e de inteligência às suas forças. Os americanos não ameaçaram cortar esse apoio caso a Ucrânia não concordasse em parar de atacar refinarias russas, segundo as duas pessoas informadas sobre o assunto e a pessoa que participou da reunião.

O encontro, que também contou com a presença de autoridades europeias e a participação virtual de representantes do Banco Mundial, ocorreu após visitas de Witkoff e Kushner a Moscou e Kiev, em setembro. Na ocasião, Witkoff afirmou que as partes haviam criado um "novo impulso" e que uma nova rodada de negociações poderia começar em breve.

O Banco Mundial não quis comentar.

As tensões entre os EUA e a Ucrânia se intensificaram após o anúncio do acordo sobre diesel entre EUA e Rússia. Zelensky classificou a medida como uma "decisão fraca" dos EUA e um "presente para Putin". No sábado, Trump afirmou que Zelensky "poderia ter encerrado essa guerra muitas vezes" e que os ucranianos precisavam "escolher um novo presidente".

Parte da reunião em Miami, que durou várias horas, concentrou-se em fundos de reconstrução para a Ucrânia e na necessidade de Kiev formalizar planos de investimento no país, segundo pessoas a par do encontro.

Os ucranianos deixaram a reunião sem firmar nenhum acordo formal, mas sinalizaram disposição em aceitar uma trégua no setor energético, desde que a Rússia fizesse o mesmo.

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