Karim Aïnouz lança ‘Rosebush Pruning’, comédia inspirada ‘pelos monstros que nos cercam’: ‘Não preciso citar nomes, não é?’

Na primeira sessão de seu novo filme no Brasil, o diretor fez um paralelo entre a produção e as eleições deste ano
Henrique Nascimento (@hc_nascimento)
Depois de se arriscar com um thriller noir em Motel Destino (2024), Karim Aïnouz lança o seu novo filme, Rosebush Pruning, no próximo dia 15. Antes disso, o cineasta cearense passou pelo palco do emblemático Cine Odeon, no Centro do Rio de Janeiro, para a premiére nacional do longa, o seu segundo internacional, durante a 28ª edição do Festival do Rio:
“Eu estou muito feliz de por estar aqui no Cine Odeon, no Festival do Rio, para celebrar a estreia no Brasil do meu novo filme, Rosebush Pruning, que, em bom português, chama A Poda das Roseiras“, começou, antes de relembrar: “Eu estava aqui, neste palco, há exatos 24 anos para celebrar a estreia do meu primeiro filme, que chama Madame Satã, acompanhado pela presença, entre outras, da carinhosa e valente Ilda Santiago, diretora desse festival e incansável colaboradora do meu trabalho.”

Definido pelo próprio cineasta como uma “parábola absurda, caótica e bem-humorada”, Rosebush Pruning conta a história de quatro irmãos norte-americanos vivendo isolados em uma mansão com o pai cego, banhados em luxos providos por sua inesgotável fortuna e vivendo relações de dependência mútua que fogem do normal.
A produção é estrelada por grandes nomes de Hollywood como Callum Turner (Só Por Uma Noite), Jamie Bell (Todos Nós Desconhecidos), Elle Fanning (Valor Sentimental), Riley Keough (Daisy Jones & The Six) e Lukas Gage (Acompanhante Perfeita) e, segundo Aïnouz, é baseada “nos monstros que nos cercam” na vida real, traçando um paralelo com as eleições deste ano, cujo primeiro turno aconteceu no dia seguinte à estreia:
“Há exatos 24 anos também, no ano de 2002, eu lembro que a palavra de ordem era esperança, pois acabávamos de eleger um operário nordestino como presidente do Brasil. Um Brasil renovado se anuncia, e que Brasil!”, declarou, sob fortes aplausos dos presentes e gritos em apoio ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva.
“Hoje, passado esse tempo, estamos às véspera daquela que talvez seja a eleição mais importante da história desse país. Uma eleição em que teremos que escolher entre a esperança ou a barbárie, entre o amor e a tortura”, continuou. “[Rosebush Pruning] conta a história de uma família que vive sob o jugo de um pai monstruoso e de como essa família se liberta desse monstro. Quando, lá atrás, imaginei esse filme, me inspirei nos monstros que nos cercam, que vêm nos cercando há anos, por todos os lados, em muitos países do mundo, nas manchetes de jornais, na política e no nosso cotidiano. Não preciso citar nomes aqui, não é?”, acrescentou Karim, novamente arrancando aplausos do público.
“Eu sonho com uma história em que a gente possa se ver livre desses monstros. Eu fico torcendo para que amanhã seja um dia de esperança nesse país e que a gente consiga espantar para bem longe esses monstros que estão à nossa espreita por aí”, ainda disse. “Mas o que eu espero, antes de tudo, é que vocês se divirtam, riam e se assombrem porque, como dizia um conterrâneo meu, cinema é a maior diversão”, finalizou, citando a frase popularizada por Kleber Mendonça Filho.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, em São Paulo, Henrique Nascimento começou como estagiário na Veja São Paulo e passou por veículos como SBT, Exitoína, Yahoo! Brasil e UOL antes de se tornar coordenador do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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