Jornal Nacional viaja por estados que serão decisivos na eleição do novo Congresso americano

Cara ou coroa? Quer dizer: Partido Democrata ou Partido Republicano? A disputa pela Câmara e pelo Senado está tão acirrada em alguns estados que fica difícil dizer quem vai levar. Está tipo: 50 a 50. Esses estados indefinidos são chamados de “tossups” - traduzindo: é jogar a moeda para o alto e esperar o que as urnas vão dizer.
Nos Estados Unidos, de dois em dois anos, um terço do Senado é renovado. Desta vez, 35 cadeiras estão em disputa em alguns estados. Disputa? Na verdade, na maioria deles, não dá para chamar assim. É que um partido ou outro está muito na frente e a vitória já é dada como certa. Disputa, disputa, só em outros. São aqueles que vão dizer quem vai conquistar a maioria no Congresso. Os estados que vão colocar o poder do presidente à prova.
Em amarelo, os estados que vão dizer quem vai conquistar a maioria no Congresso americano — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
E Iowa é um deles. Um estado com a economia fortemente agrícola. Um eleitor que se transformou majoritariamente em republicano na última década, mas que foi diretamente afetado pelas últimas medidas de Donald Trump. O que voltou a deixar a disputa mais competitiva por lá. Em Iowa, o campo guarda as explicações dessa disputa. Do alto, dá para entender a razão. As propriedades rurais ocupam 85% do estado. Uma delas pertence à família do Joe. Ele e o irmão Dane tocam a produção.
"Somos a quinta geração de fazendeiros aqui”, conta Joe.
Kent e a mulher, Cherie, também têm uma história com o campo:
"Meu bisavô comprou um terreno em 1882. E, desde então, as gerações foram passando de uma para outra”.
A guerra tarifária afetou especialmente os produtores de soja dos Estados Unidos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Os irmãos produzem soja e milho. Na época do tataravô deles, não tinha uma máquina moderna para ajudar, não. Mas não se engane. Uma coisa não mudou. Em Iowa, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, tem um negócio do qual o agricultor não consegue escapar: a incerteza. Seja por causa do clima, seja por causa da política.
“É um estresse só. A minha filosofia é me preocupar com as coisas que eu posso controlar e tentar criar planos e ideias para as coisas que eu não posso”, conta Joe.
Foi exatamente o que ele fez quando a coisa saiu do controle no Oriente Médio:
“Você tem que prestar atenção no que está acontecendo no mundo e no que está acontecendo em Washington. E, por sorte, a gente conseguiu comprar combustível vários meses antes, por muito menos do que custa agora. O grandalhão ajuda muito, mas bebe muito também. E, do início da guerra para cá, o preço do diesel disparou em torno de 70%.
"Está muito caro. É vergonhoso”, afirma Cherie.
Da alta do diesel, os irmãos escaparam. Mas não dá para ganhar todas. A guerra tarifária afetou especialmente os produtores de soja dos Estados Unidos. É que a China era um dos principais destinos da exportação americana e decidiu revidar com tarifas aos produtos produzidos nos Estados Unidos. Resultado: houve uma queda significativa na venda para lá.
Foi aí que um concorrente ganhou ainda mais espaço. O Brasil ampliou a venda de soja para a China, na ausência dos americanos. Donald Trump percebeu o tamanho do estrago e negociou com os chineses uma trégua para retomar a compra da soja americana. Apesar do impacto negativo das tarifas, Joe diz apoiar o presidente:
“Negociações comerciais podem ser delicadas. Mas ter alguém que quer acordos bons e justos para a gente, acho que é bom para todo mundo”.
Não é o que pensam Kent e Cherie.
“É difícil entender como alguém pode apoiar essas políticas, ainda mais um agricultor. Mas, quando saem os resultados, eles têm muitos votos nas áreas rurais", afirma Kent.
"Saber que alguém apoia isso me causa repulsa. Acho simplesmente revoltante”, diz Cherie.
Joe vota no Partido Republicano – de Trump. Kent e Cherie, no Democrata – de oposição. Só que eles não são tão distantes assim. Joe é um dos sobrinhos de Kent que assumiram a fazenda da família.
“Não concordamos com tudo. Mas tem coisas mais importantes na vida do que política, e a família está no topo dessa lista”, diz Joe.
A família está dividida nas eleições para o Congresso. Uma divisão que simboliza o que é Iowa hoje. O resultado, só a urna vai dizer. A moeda foi lançada.
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