Ventura, Deus e o mistério das garrafas de 5 mil euros

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Momentos de glória.
Ora bem, André Ventura, sabemos, é presidente do Chega, é deputado, mas ele acumula estas com outra função muito importante. Ele é o representante de uma entidade divina, não é?
Já passaram tempo demais aqui para o bem que fizeram. Em nome de Deus, vão-se embora. Senhor Ministro Luís Neves, em nome de Deus, em nome do país, em nome de Portugal, vá-se embora!
Sabemos, isto foi no debate da moção de censura. Mas esta não foi a primeira vez que Ventura invocou Deus, como patrono da sua missão política. Há uns anos ele falou disso com Manuel Luís Goucha.
Mas eu vejo a política como uma missão quase religiosa. Eu nunca disse isto.
Você hoje estava a dizer coisas assim.
É verdade, estou mesmo. Eu sei que isto vai ser mal interpretado, mas eu acho que é uma espécie de uma missão de Deus.
Outro título. Você só está a dar rachas, porque isto depois tudo fora do contexto fica ridicularizado.
Eu sinto que é uma espécie de missão de Deus. No dia da eleição senti mesmo e por isso eu nunca vou desistir. Digam o que disserem, escrevam o que escreverem.
Pode lá agora ser mal interpretado ou uma coisa destas. E não se fala, obviamente, por falar em boas e más interpretações, de Ventura e de Deus, sem recordar aquele clássico.
André Ventura, há dias escreveu esta frase nas redes sociais: "Deus confiou-me a difícil, mas honrosa missão de transformar Portugal." Quando é que isso aconteceu?
Tem acontecido ao longo do tempo. Como é sabido, sou uma pessoa religiosa e acredito que o papel que o Chega conseguiu na sociedade portuguesa num espaço, nós costumamos chamar-lhe o milagre da ascensão política, porque na verdade foi que foi. Nunca nenhum partido teve esta ascensão.
Ascensão.
Como se ouviu, a pergunta foi muito direta, mas a resposta não foi esclarecedora sobre onde aconteceu e quando aconteceu.
A que horas.
A que horas, claro. Quando é que foi? Em conversa, uma coisa qualquer. Fica a dúvida se foi antes ou depois do reinado de Dona Maria, que como todos sabemos, aconteceu no século XX.
Foi.
Onde é que estão os defensores e os arautos da Constituição? Hoje não vieram. Afinal, só a partir dos 10 milhões de euros é que é a Constituição. Até aí, chapéu. Depois, olhamos para isto e percebemos. Dona Maria II, durante o seu reinado, quando em 1949 instituiu o Tribunal de Contas, nunca pensou, de certeza, que estariam aqui meia dúzia de pessoas a debater e a dizer que fiscalizar é uma forma de proibir o desenvolvimento.
Afinal, é a queda de um mito.
Tínhamos monarquia e não sabíamos.
O deputado Bruno queria dizer 1849. Por 100 anos, é normal. Foi essa a data da fundação do Tribunal de Contas. Enganos em datas, contas, números, acontece a todos. Provavelmente, até o PCP se enganou nos preços que cobrou na Festa do Avante.
Comunismo para os outros, capitalismo para nós. É assim que funciona o PCP. Não sei se viram a tabela de preços da Festa do Avante, das bebidas, que anda aí a circular pela internet. É um balúrdio. O PCP parece o grande grupo económico, aqueles malvadões que eles tantas vezes criticam. Uma cerveja de lata custa €0,64 no continente. Na Festa do Avante custa €2,30. Um fino, uma imperial, que aí nas comissões de festas fazem €1, €1,20, €1,50, foi isso que eu apanhei no mês de agosto. Ora, na Festa do Avante é €1,90, quase €2 o fino. Vejam bem. E a sangria a €2,50 o copo. Isto é uma vergonha. Quer dizer, o PCP faz-me lembrar aquele ditado antigo: "Com as calças do meu pai também eu sou homem". Pois é, têm razão. Com o capitalismo nos governamos nós, com o comunismo governem-se vocês. Isto está bonito.
Está bonito. Está aqui o deputado Chega Rui Cardoso, uma espécie de função da ASAE na Festa do Avante, inspetor da ASAE. E sobre o sistema Volta anda muita gente a fazer contas.
Essa máquina do Volta veio para ajudar muitas pessoas em Portugal. Isso vai gerar muito trabalho e renda para quem está desempregado ou para pessoas pobres que queiram trabalhar e estão desempregadas. Por exemplo, isso vai ajudar na reciclagem das garrafas, latas. Então você que não tem trabalho, sai por aí catando latas e garrafas, venha e faça seu dinheiro. Se você pegar mil garrafas ou latas, isso já são €100. Eu estava agora há pouco nas praias, o que mais tem são latas e garrafas. Para a pessoa fazer mil unidades por dia e depois trocar e ganhar €100, é muito fácil. E quem hoje ganha €100 o dia? Então não tem preguiça de trabalhar, saia por aí nas praias recolhendo.
Ia tendo para dizer.
Aliás, ele sabe muito bem do que fala. Ele sabe bem do que fala.
O rei do Volta de Portugal. €5.100 já de faturamento em 30 dias.
Olha, vai, vai.
O mês passado foi 3 mil e alguma coisa. Esse mês já cheguei a 5.100 € de faturamento em 30 dias. É o rei. Eu sou o rei do Volta em Portugal. Cadê meus concorrentes aí? Eu duvido quem está fazendo 5 mil €/mês. Eu duvido. Essas porcarias. Olha, 5.100 € já em 30 dias.
Quanto é que ele fez mesmo em 30 dias? Ele não disse, pois não?
Não referiu.
Não referiu, não disse. Ora bem.
São muitas garrafas.
São muitas garrafas, feitas as contas, são 51 mil garrafas para chegar aos 5.100 €.
Depende da pessoa que estiver atrás.
Sem dúvida. E ele a apresentar isto como um emprego, uma fonte de rendimento. Ora, agora imaginem que estão a dar um concerto e que na fila da frente há ali alguém que está sempre a fazer uns gestos de aprovação, a fazer sempre aquele gesto com o polegar para baixo. Agora imaginem também que vocês são o Tony Carreira.
Acho que é a primeira vez numa turnê que me acontece. Está uma senhora aqui à frente desde o início a fazer-me assim. O que eu acho que é uma coisa estranha, porque para estar aqui à frente, certamente perdeu algum tempo. Então, se calhar, deixe o lugar a uma pessoa que goste, é só isso. Então se veio cá a propósito só para fazer isso, tem uma alma que não deve ser grande coisa. Estava agora, mas tenho tempo ainda para melhorar, porque parece que estou bastante jovem. A vida é uma escola de aprendizado.
E pronto, não vão aos concertos fazer o sinalzinho de polegar para baixo, porque as pessoas não gostam.
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