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Saturday, September 12, 2026

Análise: Coritiba sai fortalecido pela maneira como se impôs às adversidades no Athletiba

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Festa no Couto Pereira! Veja a comemoração dos jogadores do Coritiba após empate no fim

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Foi um clássico que colocou à prova muito mais do que a capacidade técnica do time de Fernando Seabra. O Coritiba precisou lidar com o gramado encharcado, com as adversidades do próprio jogo e, principalmente, com a necessidade de continuar competindo quando o cenário parecia apontar para uma derrota.

Rodrigo Moledo, com dois gols nos acréscimos, e Josué, com duas assistências, foram os rostos de uma reação que diz muito sobre a personalidade construída por esse elenco.

Rodrigo Moledo em Coritiba x Athletico — Foto: Divulgação/Coritiba

Um jogo que saiu do roteiro

O gramado molhado alterou as condições normais do clássico. A bola parava nas poças e dificultava justamente uma das características que o Coritiba tenta explorar: a transição rápida. Seabra havia preparado a equipe para o cenário, mas não abriu mão da ideia de manter jogadores tecnicamente capazes de executar o plano de jogo. Um erro que se mostrou quase decisivo.

Na prática, porém, o Athletico se adaptou mais rapidamente. O Coritiba demorou para encontrar o ritmo e pagou caro por isso. Os três gols do rival nasceram de bolas paradas, mas não podem ser tratados apenas como acaso. Houve falhas de concentração, marcação e tomada de decisão que deixaram o Coxa em uma situação extremamente delicada.

No primeiro gol, Luiz Gustavo ganhou de Bruno Melo e cabeceou livre, além do vacilo do goleiro Pedro Morisco. Depois, Arthur Dias apareceu dentro da área para ampliar. O 2 a 0 já seria um golpe duro. A expulsão de Breno Lopes, ainda antes do intervalo, tornou o cenário ainda mais complicado.

A expulsão também merece uma leitura à parte. Um jogador experiente caiu em uma provocação e deixou o time em desvantagem numérica justamente quando o Coritiba mais precisava de equilíbrio. Não foi um detalhe. Foi uma escolha individual que aumentou consideravelmente o grau de dificuldade para uma equipe que já estava atrás no placar.

Herói do empate com dois gols, Moledo destaca resultado: "Valorizar esse ponto"

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Foi justamente quando o clássico parecia escapar que apareceu o símbolo da reação. Josué acertou o travessão em uma cobrança de falta, a bola bateu em Tiago Cóser e entrou. O gol não apenas diminuiu a diferença. Devolveu ao Coritiba a sensação de que ainda havia jogo.

No intervalo, Seabra fez quatro mudanças e alterou completamente a estrutura da equipe. Rodrigo Moledo foi uma delas. O zagueiro entraria para jogar 45 minutos que são até agora os mais importantes de sua passagem pelo clube.

O treinador também lançou Richard, Rodrigo Rodrigues e Paulo Roberto, retirou os laterais Bruno Melo e JP Chermont e precisou improvisar. Cóser foi para a direita, Sebas Gómez ocupou a esquerda e o colombiano respondeu com entrega em um momento no qual o jogo já exigia mais força do que controle.

O problema é que, quando o Coritiba crescia, veio o terceiro golpe. Viveros converteu o pênalti cometido por Thiago Santos e recolocou o Athletico com dois gols de vantagem.

Era o tipo de situação em que o resultado poderia ter sido simplesmente aceito. O Coritiba, no entanto, não aceitou.

Rodrigo Moledo em Coritiba x Athletico — Foto: JP Pacheco/Coritiba

A insistência virou estratégia

Depois do terceiro gol, Seabra tomou uma decisão que ajuda a explicar o empate. Com a saída de Viveros, que até então prendia os zagueiros do Coritiba no campo de ataque do Athletico, Moledo passou a atuar praticamente como centroavante.

Não era uma solução sofisticada. Era uma necessidade. E funcionou.

Moledo começou a incomodar a defesa, disputar bolas pelo alto e ocupar uma região que o Coritiba precisava preencher. O time, com um jogador a menos, deixou de buscar necessariamente a construção ideal e passou a jogar o clássico como ele exigia naquele momento: bola na área, segunda bola, disputa e insistência.

Foi aí que a qualidade de Josué fez diferença. Aos 46 minutos, Moledo brigou por uma bola que parecia perdida e conquistou o escanteio. O camisa 10 cobrou com precisão, e o zagueiro apareceu para marcar de cabeça. O 3 a 2 incendiou o Couto Pereira e mudou novamente o ambiente do jogo.

O empate já não parecia impossível. Aos 51, Josué teve outra oportunidade de colocar a bola na área. E repetiu a dose. Moledo ganhou pelo alto, superou Mycael e marcou novamente.

O zagueiro que havia entrado no intervalo terminou a noite como centroavante improvisado e herói do Athletiba.

Jogo nervoso! Veja as confusões do primeiro tempo no Athletiba

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O 3 a 3 não apaga os problemas apresentados pelo Coritiba. Pelo contrário. O clássico expôs falhas defensivas, dificuldades de adaptação ao gramado, uma expulsão evitável e um time que precisou de uma reação quase improvável para evitar a derrota.

Mas é justamente por isso que o empate tem valor.

O Coritiba mostrou que, mesmo em uma noite em que quase tudo parecia conspirar contra, manteve a capacidade de competir. Não foi um empate construído a partir de domínio territorial ou superioridade técnica. Foi construído na insistência.

E isso ajuda a explicar o momento do time de Seabra. O Coxa não parece ser uma equipe que se desmonta facilmente diante da adversidade. Pode cometer erros, pode oscilar e pode ter dificuldades para controlar determinados jogos, mas continua acreditando no resultado.

No Athletiba 401, essa característica chegou ao limite. Dois gols atrás. Um jogador a menos. Gramado pesado. Rival em vantagem. Acréscimos. Ainda assim, o Coritiba encontrou uma maneira de não perder.

Em um campeonato de 38 rodadas, o ponto na tabela será apenas um ponto. Para um elenco que pretende se manter competitivo na parte de cima, porém, a memória de uma reação como essa pode valer muito mais.

O 3 a 3 deixa a sensação de que o Coritiba saiu maior do clássico do que entrou — não necessariamente pelo futebol apresentado durante os 90 minutos, mas pela resposta dada quando o jogo parecia perdido.

Josué, meia do Coritiba, no clássico Athletiba — Foto: JP Pacheco/Coritiba

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