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Monday, October 5, 2026

9h. Sánchez apela a reforço de "maioria progressista"

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São 9 horas. Está a começar o Jornal das Nove com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, iniciamos este jornal com uma notícia conhecida na última hora. Pedro Sánchez anuncia eleições antecipadas em Espanha para o próximo dia 29 de novembro.

Crise política em Espanha. O presidente do governo espanhol anunciou esta manhã ao país a ida antecipada às urnas.

He decidido convocar um Conselho de Ministros e Ministras extraordinário esta mesma manhã para dissolver as Cortes Generais e convocar unas eleições gerais que se celebrarão el domingo, 29 de novembro, de acordo com os prazos que estabelece a lei.

Conselho de Ministros convocado para às 11h30 da manhã. O El País diz que Pedro Sánchez disse ontem ao rei de Espanha que convocaria eleições gerais já para o próximo mês. Agora, a confirmação, o primeiro-ministro espanhol, antes de revelar esta decisão no comunicado que fez ao país às 09h00 em ponto, horário de Madri, às 08h00 em ponto em Portugal continental. Antes de anunciar a decisão, o primeiro-ministro espanhol disse que é preciso uma maioria progressista mais ampla.

Para fazer mais, precisamos renovar e ampliar o nosso apoio para dar seguimento às reformas de que precisamos, para que a cidadania possa reduzir os níveis de desigualdade, devemos mobilizar-nos e devemos garantir que o Parlamento nos dote de uma maioria muito mais ampla e progressista, com a qual possamos derrotar as elites, conquistar novos avanços sociais e continuar a transformar Espanha.

O que pretende alcançar Pedro Sánchez com essas eleições antecipadas, o presidente do governo espanhol quer reforçar o poder do PSOE no Parlamento. Falou disso mesmo no anúncio que fez ao país. Um anúncio que acontece depois de o Congresso ter rejeitado dois decretos do governo com medidas para a habitação e depois também mais de uma semana de protestos diários com milhares de pessoas nas ruas por causa dos despejos e das dificuldades de acesso a uma casa. Pedro Sánchez diz que essa dificuldade em governar e aprovar decretos leva também a esta decisão de convocar eleições para 29 de novembro. Para analisar esta decisão do Pedro Sánchez, comunicada na última hora, junta-se a nós neste jornal Diogo Noivo, é politólogo, é especialista em assuntos relacionados com a Espanha. Diogo, bem-vindo a este jornal. Já era uma decisão antecipada, já se falava nos últimos dias que Pedro Sánchez podia mesmo tomar esta decisão. Podemos dizer que não tinha alternativa nesta fase, Pedro Sánchez?

Olá, bom dia. Já há muito tempo, mais de um ano, na verdade, que se fala em eleições antecipadas. Espanha vai para o quarto ano sem orçamento de Estado. A maioria que levou Pedro Sánchez ao poder apenas serviu para isso, quer dizer, o Parlamento não funciona. O pouco que Pedro Sánchez governa, governa por decreto e, portanto, há muito que Espanha precisa de eleições antecipadas. Pedro Sánchez tem, contudo, um problema, é que o eleitorado de esquerda não está mobilizado. Nos últimos anos, Sánchez tem tentado vários temas para acender as paixões do eleitorado de esquerda e levá-los às urnas, mas esses temas, como por exemplo, o não à guerra no Irão e o confronto com o Trump, esses temas não têm funcionado para mobilizar o eleitorado de esquerda. Sánchez está agora convencido que este tema da habitação, que a crise da habitação será, por fim, o assunto capaz de retirar os eleitores de esquerda de uma certa letargia e conseguir algum apoio ao Partido Socialista, embora é discutível que isso vá funcionar ou pelo menos que permita ao PSOE ganhar eleições, duvido muito, mas de facto, olhando para o que têm sido os últimos anos, os casos de corrupção, Parlamento bloqueado, país quatro anos sem orçamento de Estado, Pedro Sánchez estava à procura do melhor momento e do melhor assunto para ir a eleições e parece acreditar que a habitação é, de facto, ou dá-lhe pelo menos essa base para se poder apresentar em eleições de maneira menos má.

Ou seja, Diogo Noivo, para perceber, ao convocar eleições neste momento, Pedro Sánchez, e como lhe dizia, Diogo, já podia ter feito isto várias vezes, houve vários momentos de crise. Ao escolher fazer neste momento, as eleições seriam no próximo ano, Pedro Sánchez está a tentar cavalgar aqui uma onda que lhe possa colocar a campanha eleitoral centrada num tema mais favorável às políticas de esquerda nesta fase ou com mais apoio da população a políticas de esquerda do que, por exemplo, teria noutras fases e que se provavelmente adiasse estas eleições, poderia ter uma campanha mais centrada, por exemplo, em políticas de imigração, com os casos de Ceuta ou com a política de Espanha a nível internacional, com os conflitos em que a Espanha tem tomado posição?

É exatamente isso. Quer dizer, Pedro Sánchez não quer falar de Ceuta, porque Ceuta correu francamente mal. Não quer falar de corrupção, porque o seu partido, o seu governo e a sua família estão soterrados em casos de corrupção. Não quer falar de um Parlamento que não funciona, não quer falar de um país há quatro anos sem orçamento de Estado e, portanto, precisava de mudar de assunto. Anda à procura desse assunto há muito tempo. O confronto com Donald Trump sobre a guerra no Irão não foi outra coisa senão uma tentativa de mudar de assunto e de instigar o eleitorado de esquerda. Bom, ele depois foi a eleições regionais e não conseguiu ter bons resultados, aliás, teve derrotas históricas. Portanto, Pedro Sánchez anda há muito tempo à procura de um tema que lhe permita mudar de assunto e entusiasmar os votantes de esquerda. Aparentemente é isto, é a habitação. Daí Pedro Sánchez ter marcado eleições para o primeiro momento possível, que é agora, ou será agora, o dia 29.

De novembro.

Já, próximo. Exatamente. E, portanto, Sánchez está claramente a tentar cavalgar esta onda de protesto

Com a crise da habitação, tanto quanto possível.

Diogo Nova, muito obrigado por esta análise aqui na Rádio Observador.

Obrigado, Albano.

Politólogo a comentar o anúncio destas eleições antecipadas em Espanha. Pedro Sánchez reúne esta manhã o governo, um conselho de ministros, para dissolver o Parlamento. O presidente do governo espanhol anunciou estas eleições para 29 de novembro.

E no Brasil, Flávio Bolsonaro é o vencedor da primeira volta das eleições gerais. A votação de ontem adiou a decisão presidencial para a segunda volta, mas o Partido Liberal sai na frente.

47% para Flávio Bolsonaro, Lula da Silva consegue 45%. À segunda volta, no próximo dia 25 de outubro. Nunca um candidato derrotado na primeira volta conseguiu reverter o cenário na segunda eleição. No Rio de Janeiro, rodeado de jornalistas e apoiantes e com recurso a um púlpito improvisado, Flávio Bolsonaro mostrou-se muito satisfeito e quis decretar já o fim do PT.

Estou muito feliz, de verdade. São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança pra mudança. A palavra é mudança. É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país. O Brasil dá uma resposta definitiva de que quer um governo moderno, um governo com menos ministérios, um governo que vai resgatar a democracia. O que eu tenho pra falar é que o Lula está disputando o poder. Ele já disputou sete eleições presidenciais. Eu só preciso de um mandato.

Lula Silva falou praticamente ao mesmo tempo que Flávio Bolsonaro. Sem tanta confusão como no caso de Flávio Bolsonaro, o líder da esquerda brasileira confessou surpresa por não vencer a primeira volta, não escondeu confiança e disse que a verdadeira fotografia do Brasil só é tirada na segunda volta.

Eu gostaria de ter ganho as eleições no primeiro turno, mas não é a primeira vez que eu penso nisso. Não deu certo. Sabe por que não deu certo? Porque o povo gosta que eu dispute o segundo turno. Eu sou muito bom no mata-mata. Vinte e oito milhões de pessoas que não votaram. Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do Brasil, o voto é necessário pra gente definir o futuro desse país. Os bolsonaristas se preparem porque nós vamos derrotá-los.

Lula Silva a acreditar numa vitória na segunda volta, nunca aconteceu em território brasileiro.

E a escolha para o próximo presidente do Brasil ainda não está fechada, mas o mesmo não se pode dizer da questão do Senado. A votação de ontem confirma que o Partido Liberal de Bolsonaro sai destas eleições com a maior bancada no início de uma legislatura em quase 40 anos.

A eleição presidencial vai ter segunda volta. Há governadores também que vão para uma segunda volta, mas há muito que fica já decidido neste primeiro turno. É isso que nos explica o jornalista Hugo Fortunato de Oliveira.

Já mudou o desenho do Senado brasileiro. O Partido Liberal de Jair Bolsonaro sai reforçado. Elegeu 19 senadores e vai passar dos atuais 15 para 28, já a partir de fevereiro do próximo ano. Com isso, passa a representar mais de um terço das 81 cadeiras do Senado, mas estes 28 lugares não chegam para garantir uma maioria. O Partido dos Trabalhadores de Lula da Silva mantém nove lugares do Senado. O Movimento Democrático Brasileiro fica com oito. Já os Progressistas e os Republicanos conseguem seis cada. Para lá do Senado, estão já definidos também 20 dos 27 governos estaduais. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas, apoiado pela família Bolsonaro, conseguiu a reeleição logo à primeira volta. Derrota Fernando Haddad, do PT, que já foi candidato presidencial. No Paraná, Sérgio Moro foi eleito governador. O antigo juiz da Operação Lava Jato, que condenou Lula em primeira instância, chega agora ao governo deste estado federal. Em Minas Gerais, triunfaram os Republicanos. Já na Bahia, o PT conseguiu manter o Estado. É um novo mapa político no Brasil que só vai ficar completo depois da segunda volta.

Há ainda sete governos estaduais a decidir, para além da decisão presidencial entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Ainda sobre os resultados de ontem. As contas ainda não estavam fechadas, mas já existiam várias novidades, vários recordes já alcançados nesta eleição.

A começar pelo número de inscritos. Foram mais de 158 milhões de eleitores nesta votação. Também em Portugal nunca foram tantos os brasileiros inscritos para votar, mais de 134 mil. Nas duas Câmaras do Congresso, foram batidos recordes de votação. Na Câmara dos Deputados, Lucas Pavonatto e Nikolas Ferreira, ambos do PL de Bolsonaro, ultrapassaram os dois milhões de votos. Erika Hilton, do PSOL, tornou-se a mulher mais votada de sempre para a Câmara, com mais de 1 milhão e 400 mil votos. No Senado, o Partido Liberal também fez história. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas pelo Distrito Federal, ultrapassaram os 800 mil votos, cada uma. A ela junta-se Damares Alves, dos Republicanos, e assim, pela primeira vez, o Senado brasileiro terá uma bancada totalmente feminina. Também nos estados houve um resultado sem precedentes. Vinte dos 27 governos estaduais ficaram decididos logo à primeira volta. Em máximos ficou também a abstenção a rondar os 21%.

Números desta primeira volta das eleições gerais no Brasil, a segunda volta a 25 de outubro.

E no futebol, a seleção portuguesa venceu ontem a Noruega por 2 x 1 e garantiu o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações.

Quatro jogos, quatro vitórias. Ontem, frente à Noruega, gols de João Cancelo e de Gonçalo Ramos, nesta vitória por 2 x 1. No final, Jorge Jesus era um homem feliz.

E hoje ganhamos sem fazer o jogo como fizemos com a Dinamarca, mas o importante era ganhar, era o apuramento, e neste momento já estamos apurados, já carimbamos o apuramento. Quatro jogos, quatro vitórias. É um percurso Se calhar, eu quando comecei não pensava que era capaz de ter quatro jogos, quatro vitórias, independentemente de acreditar muito nesta equipa. E agora há que esperar pelos últimos dois jogos na próxima convocatória.

Para além de falar do jogo, Jorge Jesus falou novamente da novela Cristiano Ronaldo, abriu porta a um regresso do capitão, diz que está disponível para esse regresso, sendo que também depois do jogo, à RTP falou Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que referiu que Portugal precisa de fazer uma vénia a Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo hoje representa o símbolo maior da portugalidade e, portanto, nós temos que prestar a vénia ao Cristiano Ronaldo. E deixe-me lhe dizer uma coisa, o Cristiano Ronaldo está na seleção nacional por mérito desportivo próprio e isso tem que ser absolutamente inquestionável. E, portanto, ele fará sempre parte deste grupo de trabalho, sempre que tecnicamente ele se tiver capaz. O Cristiano sabe disso, sabe que é esse o sentimento. Sobre o tema em concreto, deixe-me lhe dizer que estamos claramente perante um mal-entendido que tem que ser resolvido dentro de casa.

Palavras de Pedro Proença nessa final de jogo entre Portugal e Noruega, que Portugal venceu por 2 x 1.

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