Parlasul vê pressão externa como risco para eleições na América do Sul
A Missão de Observação Eleitoral do Parlasul (Parlamento do Mercosul) acompanha com atenção os efeitos de decisões tomadas por países de fora da América do Sul sobre os processos políticos e eleitorais da região. O alerta foi feito pelo vice-presidente do órgão pelo Uruguai, Nicolás Viera Díaz, durante entrevista neste domingo (4), no acompanhamento das eleições brasileiras.
“Evidentemente, sim, existem determinadas definições políticas de alguns Estados que, no final do dia, terminam condicionando determinadas decisões políticas”, afirmou Viera.
Segundo o parlamentar, entre os fatores que podem dificultar os processos eleitorais estão decisões unilaterais relacionadas a tarifas, medidas diplomáticas e manifestações públicas sobre a soberania de outros países.
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“Por exemplo, o aumento unilateral de uma tarifa, determinadas decisões diplomáticas, determinadas opiniões públicas sobre a soberania de outros países, podem terminar dificultando processos eleitorais”, disse.
Ao ser questionado sobre possíveis interferências dos Estados Unidos em eleições da América Latina e no processo eleitoral brasileiro, Viera disse que a missão presta atenção a esse tipo de situação, mas que ainda não tem uma avaliação definitiva sobre o tema.
“Estamos prestando muita atenção nisso. Mas, evidentemente, ainda não temos um julgamento, porque estamos fazendo o processo eleitoral. Depois vamos fazer um relatório e vamos ter uma opinião mais concreta”, afirmou.
A missão também destacou a importância da integração regional diante do cenário de polarização política. Viera afirmou que o papel do Parlasul é contribuir para o diálogo entre os países do bloco e para a solução de eventuais problemas diplomáticos.
O tema ganhou espaço no debate político brasileiro nas últimas semanas. Em setembro, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) informou ao governo e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter elevado para “nível de criticidade” a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições. O relatório mencionou uma escalada de pressão sobre o Brasil.
A preocupação também aparece em meio a uma discussão mais ampla sobre a atuação dos Estados Unidos na política latino-americana.
Como mostrou a CNN, integrantes do governo brasileiro avaliam que o modelo de pressão política adotado por Washington guarda semelhanças com movimentos recentes em países como Colômbia e Honduras, onde Donald Trump manifestou publicamente apoio a candidatos de direita.
No Brasil, além das manifestações políticas, o governo também passou a considerar o tarifaço e outras medidas americanas como possíveis formas de influência sobre o processo eleitoral.
A missão informou ainda que conversou com representantes da sociedade civil, universidades e movimentos políticos brasileiros para reunir diferentes percepções sobre o processo eleitoral.
A equipe é chefiada pelo parlamentar argentino Raúl Bittel e conta ainda com Bettiana Díaz Rey, Josué Gagliardi, Nicolás Viera Díaz e Lucas Incicco.
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