Ser amigo de ACM Neto e Vorcaro não torna Flavio Bolsonaro soteropolitano

Além do oportunismo do momento e dos gastos públicos para realizar o ato fora da sede da Câmara Municipal, a ideia de tornar Flavio Bolsonaro um cidadão soteropolitano não encontra justificativa cabível na relação do político com a cidade.
O único vínculo é uma aliança política, nem sempre transparente, com ACM Neto.
Um levantamento feito pelo BNews no Portal da Transparência do Senado, das passagens aéreas pagas com dinheiro público aos parlamentares, aponta que, desde que se tornou senador, Flávio Bolsonaro só esteve uma única vez em Salvador, em dezembro de 2019, quando o pai, Jair Bolsonaro (PL), era presidente.
Na campanha deste ano, Flávio esteve na Bahia em duas oportunidades (em Luís Eduardo Magalhães, em junho e Vitória da Conquista, em setembro). Mas preferiu não chegar perto da cidade que agora se tornará cidadão e onde a relevância política de ACM Neto dar seus últimos suspiros, por meio da gestão do seu sucessor na prefeitura.
Para não ser prejudicado pela preferência lulista da cidade, a campanha de Neto tentou disfarçar a relação com o candidato do PL, escancarada apenas neste segundo turno. Em comum entre ACM Neto e Flávio Bolsonaro, além do fato de agora ambos serem cidadãos soteropolitanos, está a proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo caso Master. Um elo que merece explicações.
Flávio é investigado pela Polícia Federal, em inquérito no STF, por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse. Áudios revelaram o senador cobrando milhões ao ex-banqueiro, e a destinação integral dos recursos permanece sem esclarecimento público. A PF também encontrou Flávio cadastrado como "usuário master" em uma conta de empresa administrada pelo advogado Willer Tomaz, sócio de Vorcaro em um avião utilizado pelo senador.
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