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Friday, September 11, 2026

A fronteira pode ser o novo centro económico

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A PLISAN fica na Galiza, mas a pergunta que coloca é também portuguesa. Uma plataforma logística não termina nos hectares que ocupa. Altera acessos, aproxima mercados e influencia as decisões de localização das empresas. Perante esta nova centralidade, o Minho pode continuar a responder através de territórios separados ou apresentar-se com a dimensão económica que já possui.

A conclusão do terminal ferroviário da Plataforma Logística e Industrial de Salvaterra–As Neves, ligado ao Porto de Vigo e preparado para comboios de mercadorias de 750 metros, dá outra dimensão a uma infraestrutura situada a poucos quilómetros de Portugal. A questão já não é saber se terá impacto no Alto Minho. Terá. É saber se conseguiremos transformá-lo em investimento, emprego e novas cadeias de valor do lado português.

Nada garante que isso aconteça. Uma empresa não escolhe apenas um terreno. Compara acessos, fornecedores, trabalhadores, energia, conhecimento e tempos de licenciamento. A proximidade pode ser uma vantagem, mas também pode facilitar a deslocação do investimento para onde exista uma proposta mais clara. O problema não é a Galiza investir. É o Minho não estar organizado para aproveitar esse investimento.

É aqui que uma Área Metropolitana de todo o Minho poderia mudar o jogo. Uma região que integre Alto Minho, Cávado e Ave conseguiria relacionar-se com a Galiza com outra dimensão económica e capacidade negocial.

Hoje, a resposta portuguesa está distribuída por municípios, comunidades intermunicipais e entidades setoriais. Cada uma cumpre parte da função. Nenhuma apresenta uma solução integrada para toda a região. Perante um investidor, continuamos a oferecer parcelas administrativas quando deveríamos apresentar um ecossistema económico.

E é todo o Minho que pode formar esse ecossistema. O Alto Minho oferece proximidade à Galiza, território e posição logística. O Cávado acrescenta conhecimento, serviços e capacidade tecnológica. O Ave traz densidade industrial, exportadores e cadeias de fornecedores. Separadas, estas sub-regiões disputam parcelas do investimento. Juntas, oferecem uma combinação que nenhuma consegue apresentar isoladamente.

Uma Área Metropolitana permitiria criar uma estratégia comum de captação de investimento, apoiada num mapa único do solo industrial, das qualificações, dos fornecedores e das acessibilidades. Permitiria organizar um corredor logístico entre a PLISAN, o Alto Minho, o Cávado e o Ave, articulado com os portos e a ferrovia. E permitiria planear mobilidade e formação de acordo com os movimentos dos trabalhadores e as necessidades das empresas.

O investidor deixaria de receber várias respostas municipais e passaria a receber uma solução regional. O Governo negociaria prioridades definidas para um território económico. E a Galiza encontraria do lado português um parceiro com escala para construir uma plataforma transfronteiriça equilibrada.

Cooperar não significa deixar de competir. A Galiza procurará captar empresas, investimento e emprego. Portugal deve fazer o mesmo. A cooperação deve ampliar o mercado e as cadeias de valor, não esconder as diferenças entre os dois lados. O objetivo não é impedir que a Galiza cresça. É garantir que o valor criado não termina na margem norte do rio.

Existe uma objeção legítima. Portugal já tem estruturas administrativas a mais e capacidade de execução a menos. Se uma Área Metropolitana do Minho servir para acrescentar cargos e burocracia, será parte do problema. Também não poderá transformar Braga e o Ave num novo centro administrativo que deixe o Alto Minho na periferia.

A proposta só fará sentido com competências reais, governação policêntrica e eliminação de duplicações. Terá de ser avaliada por resultados: investimento captado, tempo de decisão, ligações concretizadas, emprego qualificado e integração das cadeias de valor. A sua finalidade não seria administrar mais. Seria coordenar melhor e executar à escala certa.

O debate não é, por isso, administrativo. É económico. Uma das regiões mais industriais e exportadoras do país não pode continuar fragmentada na forma como planeia o território, organiza a mobilidade e se apresenta ao investimento.

A Galiza está a construir um novo nó económico. Ao Minho cabe decidir se ficará na periferia desse nó ou se terá dimensão para construir com ele uma nova centralidade. A fronteira deixará de ser margem quando o Minho deixar de se apresentar aos pedaços.

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