Brasil apresenta muitas oscilações contra a Seleção da Austrália

No primeiro jogo, a Seleção Canarinho simplesmente não apresentou performance coletiva, ficando muito aquém do esperado. Talvez por isso, pudemos observar na segunda partida, leve melhora no rendimento, pois foram feitas alterações em todos os setores da equipe e no esquema tático.
O empate por 1 a 1 no primeiro jogo e a vitória do Brasil por 4 a 2 no jogo seguinte, não servem para dar uma radiografia do momento atual da Seleção Brasileira, pois só pode ser notada melhora nos minutos iniciais e finais da segunda partida, com extenso intervalo de oscilação no rendimento. Foram cometidos erros coletivos que ocasionaram a reversão do placar pelos australianos em apenas quatro minutos, o que denuncia a fragilidade tática.
Apesar de bem treinada, a Seleção da Austrália tem limitações técnicas e táticas claramente perceptíveis, que não foram aproveitadas. Pelo histórico e títulos que o Brasil possui, a expectativa é que o nossa Seleção fosse favorita nestes confrontos, independentemente do momento que está vivendo. Mas, as forças se tornaram equilibradas devido ao estágio em que se encontra a Seleção Canarinho.
No primeiro jogo, o goleiro Hugo Souza falhou bisonhamente na defesa de uma cobrança de falta, que resultou no empate. No jogo seguinte o goleiro escalado foi Otávio, que por sua vez também não teve atuação de destaque, demonstrando claro nervosismo em algumas saídas de bola com os pés.
A zaga foi formada por Marquinhos e Vitor Reis no primeiro jogo. No segundo confronto, os zagueiros foram Jair Cunha e Gabriel Magalhães, que apresentaram melhor rendimento. Os laterais Matheuzinho e Douglas Santos foram substituídos na escalação inicial por Vanderson e Mauro Júnior, porém não houve grande impacto na formação do grupo.
A dupla de volantes foi formada inicialmente por Danilo e Bruno Guimarães que não conseguiram dar a proteção necessária ao setor defensivo e nem municiar o ataque. A lacuna deixada entre os setores foi importante e muito bem aproveitada pelos australianos no primeiro jogo, dando a sensação de vazio no principal setor do time.
Já no segundo jogo, Carlo Ancelotti corrigiu essa falha e povoou o setor de meio-campo com Gabriel Bontempo se juntando a dupla volantes do primeiro jogo. Essa formação trouxe maior sustentação ao setor defensivo, além de proporcionar maior criatividade no setor ofensivo. Mas, essa melhora não foi capaz de se traduzir em rendimento linear, pois com o passar do tempo, a Austrália foi se habituando a essa formação, tornando-se mais ofensiva.
No entanto, a presença de Bontempo proporcionou mudança de posicionamento de Raphinha, aos moldes que ele atua no Barcelona. O teste durou apenas meio tempo da partida, porque Raphinha foi substituído com incomodo muscular, que o tirou do próximo jogo. Mas, é uma formação interessante que se repetida poderá dar maior dinâmica à equipe.
Endrick, no segundo jogo, modificou a postura tática da equipe, porém acredito que Pedro poderia efetuar funções similares sem prejudicar o time taticamente. Vini Jr. apresentou melhora de rendimento individual no final da segunda partida, mas nada comparado ao rendimento que já teve anteriormente no Real Madrid e na própria Seleção Brasileira.
Na verdade, a rotatividade foi total, o que leva a formação de muitas variantes, que acabam dificultando a efetividade das análises. Vale lembrar que a baixa qualidade técnica do adversário também prejudica os testes, ficando difícil identificar o real patamar tático da Seleção Brasileira no momento.
Apesar de estarmos falando de realidades diferentes, o nível de organização tática mostrado pelas Seleções da Argentina e da Espanha nesta Data FIFA, escancara a defasagem do nível de evolução das comissões técnicas e mostra a fase embrionária que se encontra a Seleção Brasileira. A grande questão é o quanto irá demorar para se ter um futebol minimamente competitivo contra grandes potências do cenário mundial.
O próximo confronto é inédito, com a Seleção da Índia, que provavelmente não trará nada mais do que alguns indícios de adequação ao sistema tático, que deverão ser testados novamente para ratificar a evolução propriamente dita.
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