Ministros do STF sugerem ignorar Flávio e fortalecer ponte com Alcolumbre

As investigações sobre o caso Dark Horse e sobre a suspeita de lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz devem seguir seu curso normal nesse plano.
A nova estratégia esbarra no histórico de Moraes. O ministro ficou conhecido como "xerife da democracia" em reportagem do jornal americano Washington Post por ser perfil combativo.
A questão hoje no Supremo é o que fazer no curto prazo. Flávio descumpriu uma ordem judicial ao não entregar seus passaportes à PF (Polícia Federal) e abandonar o país, em ação supostamente coordenada com autoridades dos Estados Unidos e da Argentina.
A PF pediu autorização para fazer buscas em endereços ligados a Flávio Bolsonaro depois de constatar o descumprimento da medida. A PGR (Procuradoria-Geral da República) concordou com a medida.
Era tão comum o aceite de Moraes para operações preparadas de um dia para o outro que a própria PF deixou uma equipe mobilizada à espera da decisão do ministro do Supremo. A autorização, porém, não chegou.
A opção do ministro por não tomar a decisão foi interpretada por colegas de Supremo como uma mudança de postura. No domingo (25), horas após Flávio perder a eleição presidencial, Moraes determinou a apreensão dos passaportes do filho mais velho de Jair Bolsonaro pelo risco de fuga que se concretizou dois dias depois.
Dosimetria
Um grupo de ministros do STF, do qual Moraes faz parte, acredita que o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ganhou força para se manter na Presidência do Senado na eleição que ocorrerá em fevereiro de 2027.
Alcolumbre já tem feito acenos para integrantes da direita bolsonarista no Senado, como a indicação de que pode propor um indulto ou anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro em troca de apoio à sua reeleição.
No Supremo, segue pendente de julgamento no plenário um processo que analisa a constitucionalidade da Lei da Dosimetria. O texto aprovado pelo Congresso reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado e encurta os prazos para a progressão de regime.
A aplicação da lei está suspensa por decisão de Alexandre de Moraes desde 9 de maio. Todas as partes do processo já se manifestaram, e a PGR foi contra a suspensão da legislação mais benéfica a Jair Bolsonaro.
Um ministro ouvido pelo UOL afirmou que tem defendido que a decisão seja submetida ao plenário do Supremo ainda este ano, para evitar que o tema invada 2027 e tenha impacto ainda maior em um momento de maior exposição do tribunal.
Reportagem
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