A noite em que as tendas voltaram à rua no Porto

Quatro noites depois, a Praça D. João I voltou a receber tendas. A decisão, que dividiu os presentes na Assembleia Popular, começou a ser posta em prática por volta das 22h30, com a montagem da primeira tenda. Numa hora, somaram-se mais dez, na perspetiva de uma nova noite de protestos. Mas, ao contrário do que já aconteceu, o braço de ferro com as autoridades não se traduziu numa intervenção policial. O diálogo prevaleceu e os manifestantes concordaram em retirar as tendas, com a PSP e permitir a permanência, “sem ruído”, no local.
Durante a tarde, a presença policial numa praça que recebeu vários concertos — desde B Fachada a Xtinto ou João Maia Ferreira — foi discreta, com a vigilância a variar entre um ou dois carros da PSP e da Polícia Municipal. A decisão saída da Assembleia Popular não alterou o dispositivo, que só ganhou maior número depois da montagem de mais tendas.
Perto da meia-noite, e com dezenas de agentes nas imediações da praça, a subcomissária Eduarda Fã explicou ao Observador que o diálogo ainda não tinha sido iniciado, mas que não faltaria muito. E não tardou: 20 minutos depois, um contingente policial entrou na praça e dirigiu-se ao grupo de manifestantes que preparava a noite.
O 1.º diálogo: PSP pede retirada das tendas
“Solicitamos que a partir da 00h30 dispersem do local e que, ao fazerem isso, retirem as tendas”, começou por dizer a subcomissária Eduarda Fã, no primeiro de três diálogos entre ambas as partes. A agente foi questionada sobre se o problema era a continuidade na praça ou as tendas e esclareceu que a prioridade continuava a ser, num primeiro momento, a retirada das tendas, mas adiantou: “a partir da 00h30 o ideal seria dispersarem”. Leonor Figueiredo questionou essa visão, lembrando que o decreto-lei que limita esse horário tem sido amplamente debatido e posto em causa, antes de recentrar o debate com a polícia na retirada das tendas.
Como Renata Cambra quer convencer um tribunal a autorizar a acampada no Rossio até 25 de novembro
Leonor Figueiredo: “Gostaríamos de perceber se a questão é termos tendas montadas? É estarmos aqui depois da 00h30? Disseram-nos que temos que dispersar, foi o que [a subcomissária] nos disse inicialmente. Temos que dispersar de uma praça pública por ser 00h30?”
Subcomissária Eduarda Fã: “A questão principal é efetivamente as tendas…”
LF: “…não foi o que nos foi comunicado quando aqui chegou, foi a questão da 00h30. Estou a perguntar para clarificar.”
EF: “Quis dar-vos o enquadramento geral. Para nós o ponto principal será a remoção das tendas. Depois de percebermos da vossa parte qual é o vosso entendimento, poderemos ver tudo o resto. (…) Mediante aquilo que vocês me transmitam, falarei com os meus superiores e comunicar-vos-ei qual é o equilíbrio a que podemos chegar.”
LF: “Se retirarmos as tendas — não estou a dizer que é isso que vamos fazer — podemos permanecer na praça?”
EF: “Não me posso já comprometer com isso… mas à partida sim.”
Durante a conversa com os manifestantes, a subcomissária ouviu um homem questionar se a PSP também recebia ordens para ir à rua Cândido dos Reis (associada à movida portuense), onde “pessoas ficam a noite toda a incomodar os moradores da cidade”.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.