As notícias das 9h
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Observador 93. O Presidente da República tem agenda esta manhã e poderá falar pela primeira vez sobre as manifestações pela habitação e a intervenção da PSP. O Primeiro-Ministro vai estar hoje no Parlamento e também deverá ser confrontado com estes temas.
Ao fim de quase duas semanas e depois de críticas e pressão para romperem o silêncio, António José Seguro e Luís Montenegro voltam hoje a ter agenda pública. Destaque para o Presidente da República, que ainda não se pronunciou publicamente desde que começaram estes protestos pela habitação. António José Seguro tem sido pressionado da esquerda à direita a reagir e também alguns apoiantes do presidente pedem para que intervenha.
Um grupo de manifestantes juntou-se em frente à casa do Presidente da República, ontem à noite, nas Caldas da Rainha, em protesto contra a inação de António José Seguro.
Foi por volta das 10 da noite. De acordo com o Jornal das Caldas, o grupo era composto por cerca de 30 pessoas. Pertencem ao Coro Social do Bairro, um grupo de cantares em português das Caldas, e pediram, através de um coro, a intervenção do Presidente da República.
Mostra a cara, mostra a cara. Abre a boca, senhor Presidente. Quebras o silêncio, temos voto. Temos voto.
Mostra a cara. É o que se ouve deste grupo de cantares a pedir ao Presidente da República. De acordo com o Jornal das Caldas, não houve qualquer intervenção da polícia. O grupo acabou, por iniciativa própria, por abandonar o local. O presidente tem agenda esta manhã em Lisboa e depois novamente ao fim da tarde. Quanto ao Primeiro-Ministro, deve falar sobre as manifestações esta tarde no Parlamento. Vai abrir o debate na generalidade sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2027.
Os manifestantes pela habitação vão fazer um protesto precisamente junto à Assembleia da República enquanto estiver a decorrer esse debate.
Prometem montar algumas tendas de forma simbólica para alertar para a crise da habitação, mesmo em frente ao Parlamento. Ao que apurou o Observador, não há certezas sobre se vão pernoitar no local, como tem acontecido no Rossio. Hão de decidir depois da manifestação, através das chamadas assembleias populares de voto. Daqui a uma hora está marcado um outro protesto, desta vez junto ao Campus de Justiça, onde vão ser ouvidos os 55 manifestantes detidos há uma semana no Rossio. O movimento acampado organizou uma vigília de protesto junto ao tribunal em solidariedade para com estes manifestantes. Na análise, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, considera evidente que o governo não concorda com estes protestos. No "Juventude", da Rádio Observador, recorda a garantia deixada pelo ministro Luís Neves.
O posicionamento geral do governo foi sempre de não permitir aquele tipo de protesto, nomeadamente através do ministro da Administração Interna, que disse que não iam existir mais tendas. E, portanto, acho que é absolutamente clara a ideia de que o governo não concorda muito com aquela forma de protesto. Inclusivamente, faz uma interpretação da lei que a tenta limitar no espaço horário, ou seja, que termine sempre à 00:30, pelo menos se existirem tendas.
O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, há instantes aqui, aponta ainda alguma incoerência na forma de agir da PSP nas manifestações da semana passada e deste domingo, que terminaram com confrontos e detenções.
E Carla, já se vota em Israel, os eleitores vão eleger os 120 deputados do Parlamento e daí sairá o próximo governo. De acordo com as sondagens, está tudo em aberto.
São necessários 61 lugares no Parlamento para um partido ou uma coligação conseguirem a maioria absoluta. Ora, as sondagens não têm mostrado essa possibilidade. A escolha divide-se, sobretudo, entre o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o general na reserva, Gadi Eizenkot. Voltamos em direto ao encontro dos enviados especiais do Observador a Israel. Pedro Jorge Castro, bom dia. Estamos de facto perante dois líderes e dois programas eleitorais muito diferentes?
Dois líderes muito diferentes, sim, em termos de personalidade, programas eleitorais nem tanto assim. Deixe-me recordar que eles trabalharam juntos. Gadi Eizenkot foi chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel enquanto Netanyahu era primeiro-ministro, durante quatro anos. Conheceram-se bem, conhecem os pontos fortes e fracos um do outro. Isto tem sido muito visível também nesta campanha. Depois afastaram-se. Netanyahu chamou Eizenkot para o gabinete de guerra a seguir aos atentados, ao massacre do 5 de outubro, para dar uma imagem de união nacional face à tragédia. Eizenkot tinha o filho reservista, estava com ele nesse momento, no momento dos ataques. Foi ele próprio levá-lo à base militar para ele dar o seu contributo para o esforço de defesa do país. E dois meses depois, o filho morreu. Morreu na Faixa de Gaza, às mãos do Hamas. Três dias depois da morte do filho, Eizenkot decidiu ir trabalhar, juntou-se novamente ao gabinete de guerra para tentar seguir em frente. Acabou por se demitir uns meses mais tarde, quando perguntou a Netanyahu qual era, afinal, o seu plano para sair da Faixa de Gaza e percebeu que não havia plano, não havia nada que não fosse além do militar. Sentiu que faltava a parte diplomática para tentar resolver a questão. Eizenkot tem um calendário de medidas claro, aqui entramos nalgumas diferenças programáticas. Ele promete, logo no primeiro dia de governo, se for eleito e se conseguir formar governo, instaurar a comissão de inquérito aos atentados de 7 de outubro. Ao fim da primeira semana, criar uma lei de serviço militar igualitária para todos, incluindo os ultraortodoxos, uma questão muito sensível aqui. Há muitos homens ultraortodoxos que não cumprem serviço militar. Isto provoca uma grande fúria na parte da população israelita, que vê os seus familiares servirem e morrerem em combate. E também promete que, ao fim de 18 meses, o Hamas deixará de governar em Gaza. Em termos de política externa, eles defendem objetivos muito parecidos, mas há diferenças no estilo. Netanyahu parece mais agressivo, sobretudo mais desesperado neste momento, em que as sondagens indicam que ele está atrás de Eizenkot nas intenções de voto. A segurança é aqui, naturalmente, o tema mais sensível em Israel. E Netanyahu parece achar que quanto mais tensão houver, quanto mais dramática for a situação, mais as pessoas vão resistir a arriscar numa mudança. Isso tem-se notado nestes últimos dias de campanha, muito radicalizada, em que ele tem dito coisas como esta: se ganhar algum dos adversários, eles não vão ter força para enfrentar os inimigos e os israelitas arriscam um segundo Holocausto. Há, aliás, uma controvérsia neste momento, porque há relatos de que Netanyahu queria ter atacado o Irão imediatamente antes das eleições e foi travado pelo chefe das Forças de Defesa de Israel, que terá recusado isto. Isto tem sido uma enorme controvérsia no país. Neste momento, por outro lado, apesar desta desvantagem nas sondagens, Netanyahu é um sobrevivente. Já lhe decretaram a morte política demasiadas vezes e ele ainda anda aqui. Foi eleito pela primeira vez em 1996, há 30 anos. É um carismático, é amado por uma base fiel, de pessoas que o adoram e que de facto confiam nele para os defender, mas também é odiado por uma base ainda mais ferrenha, que o rejeita e que há muita gente a dizer que se vai embora de Israel se ele vencer as eleições ou voltar a conseguir condições para formar governo. Quanto a Eizenkot, há vários adversários a elogiar a integridade dele e a honestidade dele, e também o apoio constante que ele deu às famílias das vítimas e dos reféns do 7 de outubro. Ele não é um grande orador. Há dúvidas também sobre a sua experiência política, e isto pode vir a ser importante para negociar as alianças necessárias para formar governo a seguir às eleições. Vamos saber isso mais logo à noite, com o encerro dos resultados, mas isso será tema para falarmos no noticiário das 22h.
Pois é, fica combinado voltarmos a falar, sobretudo, Pedro Jorge Castro, com a questão dos partidos árabes, que podem de facto decidir quem forma governo. Para já, é a altura da escolha. Os eleitores israelitas estão nesta altura a votar.
E a Rádio Observador vai ter uma emissão especial em simultâneo em vídeo, no YouTube e na rádio. Vai ser a partir das 10 da noite. São 9:11. Já a seguir no Explicador vai estar em debate a lei da manifestação de 1974. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque?
O presidente dos Estados Unidos sugere que as eleições presidenciais no Brasil foram fraudulentas, mas não apresenta qualquer prova ou indício de irregularidade. Foi em declarações aos jornalistas. Donald Trump diz que achou estranho o prolongamento do horário de voto. Kiev voltou a ser alvo de ataques russos esta madrugada. Um bombardeamento com mísseis balísticos fez um morto, pelo menos 15 feridos. Foram atingidas uma universidade, duas unidades de saúde e uma ponte sobre o rio Dnipro. "As Sombras de Duarte Lima" é o novo podcast Plus o Observador. O segundo episódio já está disponível.
É o resultado de uma investigação jornalística de vários anos. O jornalista Carlos Diogo Santos acompanhou o caso desde o início e, além de largas dezenas de notícias e reportagens, escreveu até um livro sobre a investigação ao crime.
Em "As Sombras de Duarte Lima", recuperamos entrevistas gravadas há mais de 10 anos, muitas com testemunhas-chave, que entretanto já morreram, e também a gravação da polícia brasileira da única chamada telefónica com Duarte Lima.
Ao longo da conversa, que dura cerca de uma hora, Duarte Lima recusa responder se desembarcou em Belo Horizonte no dia 5 de dezembro de 2009 para se encontrar com outro cliente. Diz que fez a viagem entre Lisboa e o Brasil sozinho e reafirma que foi Rosalina que, sabendo que ele ia ao país, lhe pediu uma reunião presencial no Rio de Janeiro. Apesar de dizer que alugou um carro para viajar entre as duas cidades, diz que não se lembra de onde o fez e irrita-se quando lhe perguntam em que hotel ficou no Rio.
Vou fazer uma pergunta: qual é a natureza dessa conversa? Eu estou a ser ouvido em audiência? Eu não estou a perceber.
Não, a gente está conversando.
"Só vai sobrar um suspeito" é o título do segundo episódio do novo podcast Plus do Observador, "As Sombras de Duarte Lima".
O ator João Reis é o narrador desta série, que conta com música original do pianista Filipe Raposo. Há um episódio novo a cada terça-feira, mas a partir de hoje, se for assinante Standard ou Premium do Observador, já tem acesso aos seis episódios.
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