Nordeste sofreu 14,7 milhões de menções ofensivas após vitória de Lula

A crítica não ficou no campo do debate político. Ela desencadeou um vocabulário ofensivo que atinge o povo nordestino como grupo: palavras que questionam sua inteligência, associam a região à miséria e à dependência, comparam pessoas a animais e a doenças e chegam a defender a separação do território do restante do país. Esse discurso tem alcance nacional. A análise abrangeu o Brasil inteiro, e os ataques partem de usuários de todas as regiões do país, com forte presença de perfis do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, que se dirigem ao Nordeste como se a região fosse um corpo estranho ao país.
Trecho do estudo
O número de ataques no segundo turno representa uma queda de 43% em comparação ao primeiro turno, quando foram capturadas 32,8 menções, sendo 27 milhões (82% do total) de ataques nas 72 horas após a votação do dia 4 de outubro.
"Somados, os dois períodos reúnem 51.446.082 menções sobre o voto nordestino, das quais 41.750.211 têm tom crítico à região."

O monitoramento foi feito com menções nas redes Facebook, Instagram, TikTok e X, além de comentários no YouTube e no Kwai. Ele abrangeu postagens, comentários, links e compartilhamentos que relacionavam o Nordeste, os nordestinos ou os estados da região ao resultado de cada turno.
"A hostilidade recuou apenas 2,9 pontos percentuais [em comparação ao primeiro turno], e os ataques seguem em posição claramente minoritária. Quando o tom quase não muda entre um turno e outro, não estamos diante de uma reação. Estamos diante de uma convicção", afirma Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab.
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