Lula critica Flávio, e aliados falam em 'perseguição'

Após Flávio Bolsonaro (PL-SP) deixar de cumprir o prazo de 24 horas para entregar seu passaporte, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), surgiram especulações e informações de bastidores sobre seu paradeiro.
Fontes da BBC confirmaram, no início da noite desta terça-feira (27/10), que Flávio viajou para os EUA, aterrissou na Flórida e se encontrou com o irmão Eduardo.
Mais cedo, um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos já havia dito ao jornalista Tom Bateman, da BBC, que o órgão "concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares e permitirá entrada deles no país".
O senador do PL foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25/10) por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito. Na mesma noite, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal.
O prazo para entregar o documento se encerrou nesta terça-feira por volta das 12h. A decisão de Moraes faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
Ao longo do dia, enquanto ainda não havia a confirmação da viagem, aliados e opositores de Flávio Bolsonaro, incluindo o presidente Lula, manifestaram-se publicamente sobre a situação envolvendo o senador. Confira abaixo as reações do mundo político.
Lula, presidente reeleito
Durante comemoração em Brasília por seu aniversário de 81 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua possível saída do Brasil rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira
"Estou sabendo agora que meu adversário foi embora, eu não sei... Veja, eu perdi eleição para o Collor, eu fiquei no Brasil. Eu perdi a eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes e eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim, ficou no Brasil", disse Lula.
Pule Mais lidas e continue lendo
Mais lidas
Fim do Mais lidas
Pule Promoção Resultados eleição 2026 e continue lendo

Fim da Promoção Resultados eleição 2026
"Eu tive muitos convites para sair do Brasil. Eu tive muitos convites para ir para embaixada. Eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar na Polícia Federal, porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência", prosseguiu.
"Por isso eu queria dizer para vocês: quem não deve não teme, o cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa."
Lula afirmou que sua decisão de permanecer no Brasil após suas derrotas eleitorais foi um "respeito à democracia".
"Eu lamento que ele [Flávio] tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar e provar que as acusações contra ele que estão na imprensa não são verdadeiras", disse o presidente, referindo-se em seguida à proposta de quebra de sigilo feita a Flávio durante a campanha.
"Eu tentei fazer com que ele provasse que é honesto entregando minha papelada na Justiça eleitoral, da minha mulher e dos meus filhos. Ele não entregou, numa demonstração de que esse cidadão, que foi a pessoa mais mentirosa que já vi no planeta Terra, não tem nenhum compromisso com a verdade. É impressionante as desfaçatez dele", disse Lula.
"Esse ato [de sair do Brasil] é vergonhoso. Quando pediram para entregar meu passaporte, eu entreguei. Ele deveria ter entregue", continuou.
"Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria é lamber bota dos Estados Unidos, como eles estão acostumados a fazer."
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio

Crédito, Reuters
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL), afirmou na tarde desta terça-feira que foi surpreendido pela notícia de que o senador teria saído do Brasil e disse desconhecer seu paradeiro.
Segundo Marinho, Flávio enviou uma mensagem de texto por volta das 8h dizendo que tiraria o dia para descansar e que os dois conversariam mais tarde. Desde então, não houve novas informações sobre o senador.
"Não fomos comunicados", afirmou Marinho, em entrevista coletiva.
Alfredo Gaspar, vice na chapa presidencial do PL
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, publicou no X uma mensagem de solidariedade ao senador.
"Diante da perseguição implacável sofrida pelo presidente Flávio Bolsonaro, presto minha solidariedade a ele, a Fernanda e às suas duas filhas, rogando a Deus pela segurança e pelo bem-estar dessa família amada", escreveu Gaspar, sem mencionar, contudo, a possível saída da família do Brasil.
Minutos antes, o deputado havia publicado um vídeo em que agradeceu os quase 60 milhões de votos recebidos pela chapa e afirmou que "algumas derrotas são verdadeiras vitórias".
Gaspar também disse que, a seu ver, o sistema mudou as regras da eleição no segundo turno, mas que eles permaneceram firmes. Ele agradeceu a Flávio pelo convite para ser candidato a vice e afirmou que a derrota não foi em vão.
"Nossa trincheira de luta está pronta. Agora vamos adiante, lutar para classificar PCC e CV como terroristas, lutar pela proibição das drogas", disse, ao defender a continuidade das bandeiras da campanha no Congresso.
"Permanecemos firmes ao que acreditamos e, num futuro próximo, o Brasil vai vencer", concluiu.
Renan Santos, ex-candidato à presidência

Crédito, EPA
O ex-candidato à presidência Renan Santos (Missão) divulgou uma nota nesta terça-feira em que critica a decisão de Flávio Bolsonaro de ir para o exterior.
"Flávio é alvo de uma disputa política. A briga no STF e as investigações vão todas seguir critérios políticos. O Brasil está uma várzea. Entretanto, esta não é a postura de um líder", disse Renan Santos, derrotado na disputa presidencial no primeiro turno.
"Fuja se você for fraco. Encare o problema se for homem, e pague pelas consequências, mesmo quando inocente. Liderar, querer mudar o teu país, é um fardo muito grande. Homens que estão dispostos a puxar cana, mesmo quando injusto, por aquilo em que acreditam, são homens que colocam o nome deles na história".
Para Santos, o senador vai continuar atuando politicamente, mas com uma postura de "exilado" no exterior.
"Vai ter muita gente achando bonito, vamos dizer que ele é um herói no exílio, e na prática ele vai continuar manipulando a política do Brasil direto dos Estados Unidos. Triste destino para quem achava que esse cara seria um herói", concluiu.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.



