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Friday, October 23, 2026

Novo Podcast Plus Observador: "As sombras de Duarte Lima"

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora o Explicador das manhãs 360, hoje sobre o novo podcast Plus, As Sombras de Duarte Lima, acusado de matar Rosalina Ribeiro a tiro em dezembro de 2009, no Rio de Janeiro. São nossos convidados Filipe Raposo, pianista e responsável pela música do podcast, João Reis, narrador do podcast, e o Carlos Diogo Santos, autor deste novo podcast Plus. Muito bom dia aos três, muito obrigada por estarem conosco.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Carlos, acompanhaste o caso desde o início. És também coautor de um livro sobre a investigação. O julgamento está finalmente marcado para 5 de novembro, quase 17 anos depois do crime. Ao fim de tanto tempo, o que este podcast revela que a Justiça ainda não conseguiu esclarecer?

Bom dia.

Bom dia, Carlos.

Eu acho que mais do que o que a Justiça não conseguiu ainda esclarecer, era importante percebermos que, de facto, ao fim de 17 anos, é muito difícil percebermos, nós como sociedade, que qualquer decisão que venha a ser tomada é 100% justa. E isso acontece com todos os grandes processos, mas este é particularmente interessante perceber este atraso, porque estamos a falar de um homicídio, um crime que não é complexo, que tem aqui alguma complexidade acrescida porque a investigação é feita num outro país, no Brasil, e o processo depois é transferido para Portugal.

E a relação entre as autoridades nem sempre é a mais célere.

Sem dúvida, mas o caso não é um caso complexo.

Sim, não é aqueles casos de criminalidade económica ou financeira, que são muito complexos. Então, qual será a razão para esse atraso?

A razão de todo este atraso, em primeiro lugar, no Brasil, prendeu-se com vários. Obviamente, um tempo de investigação, que não foi longo, porque a acusação estava pronta em 2011. Se tivermos em conta que começou em 2010, demorou um ano e tal. Mas os sucessivos recursos, primeiro da parte da defesa em relação a aspectos da investigação que foram interpostos tanto na justiça local, em Saquarema, como depois na justiça estadual, no Rio, e depois nacional, em Brasília, nos tribunais superiores, faz com que este caso vá andando. E primeiro são recursos em relação ao objeto da investigação e depois, já numa segunda fase, quanto à transferência para Portugal, porque é muito interessante que a defesa de Duarte Lima no Brasil começa por pôr em causa esta investigação e os métodos da polícia e da justiça brasileira. Mas depois há uma parte em que quando se decide que o melhor é então transferir, depois da acusação para Portugal, para não se correr o risco de impunidade e de haver aqui o perigo de ele até ser condenado no Brasil, mas nunca poder cumprir pena, porque os portugueses não podem ser extraditados para o Brasil. Quando se decide transferir o processo, a defesa Duarte Lima diz: "Não, mas o Brasil oferece melhores condições de defesa e melhores garantias". E portanto, o que é que acontece? Mais uma leva de recursos para tentar evitar essa transferência.

E assim se chegam aos 17 anos.

E assim se chegam aos 17 anos, porque há aqui um ponto que a defesa começou a dizer, é que no Brasil seria um tribunal de júri a julgar Duarte Lima e em Portugal é um coletivo. E portanto, o júri daria melhores garantias. A justiça brasileira considerou que se Duarte Lima quisesse ter essas garantias que a lei brasileira lhe oferece, não teria saído do país ou então voltaria para o julgamento e que portanto a única forma de evitar a impunidade seria a transferência e foi o que aconteceu. Chegou em 2020 e a partir daí, novamente, começou no Tribunal de Sintra, grandes problemas. Falta uma página, depois resolveu-se, mandava-se para Brasília, depois já faltava uma gravação, vinham os fotogramas, mas a defesa dizia: "Não, mas não queremos só fotogramas do elevador, queremos o vídeo original da vítima a descer e falta também outros."

Mas parece que é desta, não é, Carlos? 5 de novembro.

Parece que é desta, pelo menos o juiz marcou para 5 de novembro. É verdade, já foi adiado outras vezes, mas esperemos que comece, porque quanto mais demora, menos justa é a justiça.

João Reis, bom dia, bem-vindo.

Bom dia.

Bom dia. Esta é uma história que foi muito midiática, mas nem todos a conhecem em detalhe. Houve algum momento da história que te tenha impressionado, particularmente, durante as gravações?

Eu fui sendo constantemente surpreendido à medida que ia recebendo a informação e que ia avançando na narração da história, porque enquanto narrador, eu não posso transformar uma suspeita numa certeza, nem uma acusação num facto provado, mas ao mesmo tempo também não tenho de retirar à história a sua dimensão dramática. Porque há qualquer coisa de profundamente shakespeariano nesta história, e agora reconheço que estou a puxar a brasa para minha sardinha, mas estamos a falar de um homem que conheceu os corredores do poder. Há uma fortuna, uma herança, uma morte violenta, acusações, um passado que não deixa de regressar. É uma comparação literária, naturalmente, e isto não implica qualquer conclusão sobre a culpa ou a culpabilidade.

João, mas essa dimensão shakespeariana está mais nos factos ou na personalidade de Duarte Lima?

Eu acho que há aqui várias personagens: o Tomás Feteira, a filha, a Olímpia, o próprio Duarte Lima, a Rosalina.

É um coletivo.

É um coletivo shakespeariano, isto é completamente shakespeariano. E realmente, Duarte Lima assume esse lado trágico das tragédias, passa a redundância, shakespearianas. Porque, de facto, há muitas informações e muitas contradições. Há coisas muito surpreendentes, porque há sempre uma tensão entre aquilo que as personagens sabem, aquilo que escondem, aquilo que dizem, aquilo em que os outros acreditam ou não. Isto é uma teia absolutamente fantástica.

Mas João Reis, no fundo, é a realidade a desafiar a ficção e os melhores ficcionistas.

Exatamente. Tem exatamente essa dimensão.

Filipe Raposo, bom dia também, bem-vindo. Como é que foi construir a identidade sonora ao piano para acompanhar uma narrativa que tem, de um lado, a tensão de um crime no Rio de Janeiro e, do outro, a realidade, a frieza de um processo judicial que o Carlos descrevia há pouco?

O João Reis falava em Shakespeare, eu falo em Hitchcock que é uma referência cinematográfica. E eu trabalho com cinema, portanto, trabalhar para este podcast, nunca tinha feito música para um podcast, mas foi muito parecido, de facto, a trabalhar um guião de cinema, porque a narrativa está lá toda. Temos uma trama e queremos resolvê-la. Neste caso concreto, tinha os dados todos. Conhecia já a partir do caso BPN, 2011, em que de repente, um ex-líder parlamentar do PSD, uma pessoa de referência, é acusada. E não foi só acusada, como cumpriu pena. De repente, fui aprofundando também, mais tarde, o caso do Rio. E para mim, tudo isto ganha uma dimensão visual. Enquanto eu estava a ler o livro do Carlos e o guião, que depois me foi entregue, fui construindo essa narrativa musical, sabendo mais tarde também que o próprio Duarte Lima era organista.

Há umas imagens muito célebres dele num programa de televisão a tocar piano, precisamente. Isso também acabou por ter alguma influência?

O Carlos Diego Santos falava há pouco também das várias intervenções ao órgão em diferentes igrejas. Não é por acaso que o tema principal musical deste podcast é uma espécie de inversão de um tema de Bach, de um prelúdio em ré menor. Há a dimensão ligada à prática e depois temos um lado também muito telúrico, que são as percussões do outro lado do oceano, ligado também a esta influência afro-brasileira. Tentei fazer aqui uma ponte, um diálogo que estabelecesse de certa forma e que nos fizesse entrar neste caso bem sombrio e que espero, muito em breve, como falávamos há pouco, possa ser resolvido.

Ouviste já o primeiro episódio?

Ouvi ontem à noite.

E qual é a sensação?

É ótima, é ótimo ouvir a voz do Carlos.

Ouvir esta banda sonora que estamos a ouvir agora.

É a primeira vez que vocês ouvem o conjunto todo, a música, a voz do João Reis, o guião do Carlos e toda a sonorização que é feita.

Falava há pouco de Hitchcock. Quando vamos fazer o primeiro visionamento de um filme, cada equipa trabalha separadamente até este encontro, nesta primeira visualização. E aconteceu ontem também. Neste caso, é sonoro, mas tem muito cinema. Eu acho que este guião seria um ótimo filme.

Ó Carlos, estamos aqui a falar Shakespeare, Bach e Hitchcock, e as pessoas reais. Foi fácil falar com as pessoas, testemunhas, agentes da polícia, envolvidos em todo este caso, para este podcast, porque tu já tinhas escrito um livro sobre o caso.

Sim, para este podcast, várias pessoas participaram e, de facto, foi fácil. Obviamente que passado 17 anos, e se nós tivermos em conta que a própria Rosalina já tinha 74 anos em 2009, obviamente que muitas pessoas já morreram. Pessoas que eram amigas dela e, portanto, da idade dela e outras até bastante mais novas, tipo delegados de polícia que tinham até 30 e tal, 40 anos, acabaram por morrer. Obviamente que havia aqui um grande arquivo de entrevistas que eu fui fazendo ao longo do tempo, algumas delas para o livro "Rio de Radeiro", que também vão ser ouvidas pela primeira vez. E são entrevistas em que as pessoas falam sobre tudo o que aconteceu naqueles dias, até com uma memória muito mais presente, porque estávamos muito mais próximos. Esse é também um risco de se fazer justiça ao fim de algum tempo, é que as memórias também se vão apagando. E para o podcast, nós falámos com muitas outras pessoas e foi fácil perceber exatamente que ao fim deste tempo todo, por exemplo, neste caso, o comissário da polícia que esteve envolvido nesta investigação e tudo mais, continuam a querer apenas participar com a justiça, colaborar e que haja um desfecho. Quer seja uma condenação ou uma absolvição, mas que se feche este caso.

Haverá uma dificuldade também deles, porque o caso está aberto ainda.

Claro, o caso está aberto. Apesar de, obviamente, a polícia acredita que tem todas as provas, isso foi validado pelo Ministério Público e mesmo pela Justiça do Brasil, porque há um juiz de instrução criminal que o pronuncia. Depois da acusação, um juiz diz que este caso tem que ir a julgamento porque as provas, de facto, são suficientes. Mas, apesar dessa primeira validação na fase de instrução, é preciso haver um desfecho, um julgamento que seja justo e que termine.

João Reis, já ouviste o primeiro episódio?

Não, ainda não ouvi. Estou à beira de uma estreia. Estreio amanhã, estou em Aveiro. E, portanto, não ouvi, mas vou ouvir.

Claro.

E agora com esta descrição do Filipe Raposo também aguçou ainda mais o meu apetite.

Aproveitando, o que é que vais estrear em Aveiro?

Vou estrear, não é bem uma peça de teatro, não é bem um concerto, é um encontro com um músico e compositor, que é o Nuno Aroso, que é percussionista, com textos da Andreia Safaria. Portanto, é um híbrido, como eu costumo dizer. Um formato diferente. É, um formato diferente. Em podcast, foi a tua primeira experiência, narração de podcast? Não, já tinha feito uma coisa pra Rádio Comercial com o jornalista Rui Tomás, sobre o 25 de Novembro, mas tem uma dinâmica muito diferente. Pra mim, como experiência, foi obviamente muito interessante.

Ah, pensava que ia dizer muito melhor. Foi quase.

Foi, de certeza. São contextos diferentes. É difícil acertar o tom. E desse ponto de vista, tive obviamente a ajuda preciosa da Tânia.

Da Tânia Treirinha, sim.

A Tânia está ali fora do estúdio a verificar se vocês dizem as coisas certo. O Artur, o sonoplasta, que também tem um ouvido clínico, digamos assim, na construção dos podcasts.

João Reis, Filipe Raposo, Carlos Diogo Santos, muito obrigada aos três que tenham estado connosco. Obrigada, um bom dia. O Observador tem um novo podcast Plus. Hoje estreou o primeiro episódio de "As Sombras de Duarte Lima". Está disponível no site do Observador e nas várias plataformas de podcast.

Dois homens saem apressados do carro com uma Bíblia na mão. Quem já chegou ao local onde vai ser feita a última despedida de Rosalina, não reconhece aquelas caras. Aurílio e Rogério infiltram-se no velório. Ouvem várias conversas e tentam entender quem é quem. Por lá também anda o advogado brasileiro do Rosalina, Normando Marques, que por esta altura já falou com a última pessoa conhecida a ter estado com ela em vida: Duarte Lima.

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