7h.PSP e GNR em protesto por salários e revisão de carreiras
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Muito bom dia. Notícias às 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. O Presidente da República começa daqui a pouco a receber os partidos com assento parlamentar, numa altura em que continuam as manifestações pelo direito à habitação. António José Seguro quer discutir a coesão social.
O tema e a data das audiências foi anunciado na quarta-feira passada, já com o movimento acampada nas ruas e com críticas à atuação da polícia. Seguro só falou publicamente sobre o assunto há dois dias. Disse que não gostou do que viu e apelou aos partidos para que adotem medidas urgentes e duradouras na área da habitação, através do diálogo e sem recurso à violência. O chefe de Estado garante que tem estado ativo e vigilante. Ontem recebeu, no Palácio de Belém, representantes dos inquilinos, proprietários e construtores. Também sobre o tema da coesão social, convocou um Conselho de Estado para a próxima segunda-feira. Os partidos vão começar a ser recebidos por ordem crescente daqui a pouco, às 08h30, com o JPP. As audiências terminam às 13h30 com o PSD.
E vamos acompanhar ao longo da manhã as declarações dos partidos no Palácio de Belém. Foi mais uma noite de manifestações pelo direito à habitação, sem incidentes na Praça Dom João I. A PSP autorizou a permanência dos manifestantes, desde que não montassem tendas e ficassem em silêncio.
A subcomissária da PSP, Eduarda Fan, transmitiu estas indicações aos manifestantes.
Podem permanecer aqui na Praça Dom João I. Aquilo que vos solicitamos é que estejam em silêncio, não produzam ruído e, se não houver tendas, não há inconveniente em permanecerem aqui na Praça Dom João I.
Os manifestantes acataram as indicações da PSP, retiraram as cerca de 10 tendas que estavam na Praça Dom João I. Em Lisboa, o protesto desmobilizou mais cedo. Os manifestantes deixaram o Rossio no final de uma série de concertos, mas foi marcado um novo protesto para sábado, semelhante ao do último fim de semana. Os manifestantes vão descer a Avenida da Liberdade.
E hoje são os agentes da PSP e os militares da GNR que saem à rua. Está marcada para logo à tarde uma manifestação em Lisboa para exigir aumentos salariais e a revisão das carreiras.
O protesto junta os sindicatos da PSP e as associações da GNR. Começa às 17h30, no Largo do Carmo, em Lisboa. Termina junto à residência do primeiro-ministro. Este protesto é o culminar de um ciclo de manifestações que começou em setembro em várias cidades por todo o país. O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Paulo Santos, explica que o objetivo é pressionar o governo a responder às principais reivindicações. As associações da PSP e da GNR lembram que estas reivindicações já estavam previstas no acordo assinado em 2024, mas ainda não foram alcançadas, passados mais de dois anos.
O líder parlamentar do PSD volta a garantir que o governo está disponível para negociar a Lei das Rendas com o PS durante a discussão na especialidade.
O documento foi aprovado durante o debate que decorreu no Parlamento. O líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, acusa o secretário-geral do PS de nunca ter querido negociar a lei e lembra que os socialistas bloquearam a discussão logo na generalidade. Ainda assim, em entrevista à RTP, Hugo Soares garante que os partidos ainda vão a tempo de dialogar.
É mentira, porque ele não quis negociar antes da aprovação da lei para poder ser discutida na especialidade. Honra seja feita, como todos os senhores defeitos, e são muitos. Se quiser falar sobre isso, falaremos. Mas o único partido que esteve disponível para discutir foi o Chega, e por isso é que viabilizou na generalidade para poder discutir na especialidade. Se o Partido Socialista quiser, ainda hoje, discutir na especialidade a lei, claro que nós estamos disponíveis, como sempre estivemos. Ora, é mentira! O Partido Socialista não quis mudar a lei do arrendamento urbano. Achou que como estava, estava bem.
Hugo Soares, ontem à noite, na RTP. O líder parlamentar do PSD sublinha que o desejo do governo é baixar os preços da habitação, aumentando a oferta através desta nova legislação.
O secretário-geral do PS acusa PSD e CDS de destratar e desconsiderar o Partido Socialista.
O líder dos socialistas diz que foi alvo de ataques políticos incompreensíveis no debate de ontem à tarde, no Parlamento, a propósito do orçamento. José Luís Carneiro deixa um aviso a Montenegro. Diz que o primeiro-ministro tem que definir como quer tratar o PS.
O PS tem um primeiro dever, que é o dever com o país, com as portuguesas e com os portugueses que já vivem momentos muito difíceis nas suas vidas e que exigem responsabilidade, grande sentido de responsabilidade. Naturalmente que nós tivemos ataques políticos incompreensíveis, vindos de responsáveis e de pessoas muito próximas do primeiro-ministro. E o primeiro-ministro tem que definir também um perfil na forma como trata e como se relaciona com o PS. Não pode destratar um partido que mostra esta atitude de responsabilidade para com o país e também para com o governo que, como se vê, está cada vez mais fragilizado.
José Luís Carneiro, com críticas à forma como o PS tem sido tratado por PSD e CDS. As declarações foram feitas ontem à noite, à entrada para uma sessão com militantes socialistas em Loures.
Falamos agora neste jornal do caso do deputado do PSD, Carlos Silva Santiago, que em 2024 atropelou uma criança enquanto conduzia embriagado. Dois anos depois, a investigação do Ministério Público continua em aberto e não há qualquer conclusão.
O deputado e ex-presidente da Câmara de Cernache, Carlos Silva Santiago, atropelou uma criança de nove anos numa passadeira em Vila Nova de Paiva, distrito de Viseu, na tarde do dia 08/11/2024. O social-democrata acusou, na altura, uma taxa de álcool crime. O próprio confirmou depois o acidente e o Ministério Público abriu um inquérito no Tribunal de Sátão, em Viseu, mas praticamente dois anos depois, a Rádio Observador apurou que não há qualquer conclusão na investigação, nem sequer a constituição de arguidos. Maria Miguel Marques.
O Tribunal de Sátão, em Viseu, confirma que o inquérito do Ministério Público continua aberto e em segredo de justiça. Já o visado, Carlos Silva Santiago, garante que foi apenas ouvido na altura como testemunha e queixa-se que desde aí não recebeu qualquer informação sobre o estado do processo. Em declarações à Rádio Observador, admite mesmo que desconhecia o estado da investigação até ao momento do nosso contacto e garante que se tivesse sido constituído arguido, teria sido notificado, sendo que de acordo com o que é conhecido da investigação, isso não aconteceu. O presidente da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados, Rui Paulo Sousa, também confirma à Rádio Observador que não há nenhum parecer publicado relativo a este deputado.
Eu já sou presidente da comissão há cerca de dois anos, estes últimos dois mandatos, e não penso que nunca recebemos nada relativamente ao deputado em questão. De facto, também ouvimos falar no caso na altura, mas até agora a comissão nunca recebeu nada relativamente ao deputado, nem a este inquérito em questão.
Rui Paulo Sousa, deputado do Chega. Carlos Silva Santiago manteve sempre as funções como deputado do PSD, eleito pelo círculo de Viseu. A Rádio Observador contactou também os pais da criança atropelada, que não quiseram prestar declarações. O menor tinha, na altura, nove anos.
Maria Miguel Marques, com o caso do deputado Carlos Silva Santiago. Há dois anos atropelou uma criança enquanto conduzia embriagado. Passado todo este tempo, a investigação continua em aberto, sem qualquer avanço. É o tema do Onde Para, o caso da Rádio Observador.
Um programa para ouvir na íntegra logo a seguir ao jornal das 17h, da Tarte Política. Hoje é o primeiro de três dias de luto nacional em Espanha, na sequência do acidente ferroviário de ontem. Pelo menos 68 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.
Foi na colisão entre dois comboios de alta velocidade. Um estava parado na linha, na zona de Urda, província de Toledo. A Guarda Civil trabalhou durante toda a noite para tentar localizar e resgatar eventuais vítimas que ainda possam estar nas carruagens. Os trabalhos prolongam-se durante o dia de hoje, com a ajuda de cães e equipas de busca e salvamento. O balanço do número de vítimas mortais ainda é provisório. As autoridades admitem que possa subir. Para já, 53 pessoas continuam a ser tratadas nos hospitais de Castela-La Mancha, 56 já receberam alta. Entretanto, Hugo Fernado de Oliveira, ontem à noite foram revelados áudios que poderão corroborar a tese de erro humano.
As gravações reveladas pelo jornal "El País" registam as comunicações entre o controlador ferroviário da estação de Atocha e os maquinistas dos dois comboios envolvidos neste acidente. Num dos áudios, ao todo foram tornados públicos três, o controlador dá instruções ao maquinista do comboio da Renfe, que viria a embater no comboio da Iryo, para desligar e voltar a ligar o sistema de segurança ferroviária e a retomar a marcha normal.
"Centro de controle de Atocha para o maquinista do comboio 2080, às 08h36. Desligue e volte a ligar o sistema de controle de segurança ferroviário e retome a marcha ao abrigo do bloqueio de sinalização lateral com marcha normal."
O Executivo de Madrid considera que houve uma violação dos protocolos de segurança. O controlador terá autorizado o comboio da Renfe a avançar sem confirmar que o comboio da Iryo estava a uma distância de segurança. Além disso, o operador deveria ter ordenado ao maquinista que circulasse a uma velocidade máxima de 40 km/h e não em marcha normal. Ontem, o ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, classificou este episódio como inexplicável. As gravações estão agora no centro da investigação para apurar se houve falhas nos procedimentos de segurança que possam ter contribuído para a colisão. A juíza responsável pelo processo proibiu o acesso à zona do acidente para preservar as provas e ordenou também a apreensão e custódia das caixas pretas dos dois comboios. Entretanto, o Sindicato dos Maquinistas Espanhóis já deu início à greve de 24 horas na Renfe, convocada ainda antes deste acidente, para exigir melhores condições de segurança na ferrovia. Este é já o segundo grande acidente ferroviário este ano em Espanha.
Hugo Fernado de Oliveira, com as principais atualizações do acidente de ontem em Espanha. Pelo menos 68 pessoas morreram. Foram decretados três dias de luto pelas vítimas do acidente.
São 7h10, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Em Israel, com cerca de 90% dos votos apurados, o bloco de Benjamin Netanyahu conta com 53 assentos parlamentares. É uma ligeira vantagem face ao de Gantz, que conta com 48. O jornal Times of Israel destaca ainda que os partidos árabes sobem para uns históricos 19 assentos no Parlamento. Flávio Bolsonaro declara-se o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Foi o que escreveu o candidato derrotado numa carta divulgada na rede social X, a partir dos Estados Unidos. Numa segunda versão da carta, Bolsonaro diz apenas ser líder do Brasil. Flávio Bolsonaro alega que a vitória foi anulada por um golpe eleitoral orquestrado por Lula e pelo Supremo Tribunal Federal. Falamos agora da Caça ao Estripador de Lisboa. Ontem foi a estreia da peça de teatro imersivo. Por acaso, algum dos senhores aqui presentes-
Algum dos presentes.
Algum dos presentes.
Ainda não.
Ainda.
Ainda.
Fizeram mal, é uma pena. A Rita Camarneiro já foi, ela esteve na estreia desta peça que decorre no parque de estacionamento da comunidade hindu em Lisboa e conta-nos como foi.
O parque de estacionamento da comunidade hindu de Portugal foi transformado num autêntico cenário que nos transporta até ao início dos anos 90 em Portugal. Esta é a história de três vítimas mortais: Valentina, Maria Fernanda e Maria João. A peça é encenada por Simão Biernat, do elenco fazem parte 10 atores que se desdobram em múltiplas personagens. Os cenários são muitos e cabe ao observador, ao público, escolher qual das cenas vai dar mais atenção.
Quis também criar aqui uma homenagem às vítimas e honrar e, portanto, criar aqui um espetáculo que fosse sobre elas e não sobre ele. Aqui temos 1500 metros quadrados, portanto, o público pode circular livremente, como quiser. E o objetivo do imersivo também neste caso é esse, ou seja, o difícil aqui é escolher qual cena é que querem acompanhar e qual parte da investigação é que querem ouvir.
No final da peça, a opinião era bem consensual: foi extraordinária.
Adorei. Achei superlegal a gente poder estar no centro e escolher qual é o tema que queremos ouvir e as pessoas que queremos ouvir.
O fato de as pessoas estarem mesmo deitadas no local do crime, acho que cria sempre um impacto em quem tem a oportunidade de estar lá ao pé.
Eu adorei. No fundo, eu gosto imenso de ir ao teatro. Acho que sinto que isto foi, no fundo, quebrar a quarta parede que eles tanto dizem. Nós podemos escolher onde queremos estar e, no fundo, isso condiciona o que sentimos e o que pensamos.
A Caça ao Estripador de Lisboa vai estar em cena de quinta a sábado, até ao dia 19 de dezembro, na comunidade hindu de Portugal. Garanta já o seu bilhete. Às vezes adiamos por achar que temos muito tempo e depois, como sempre, o tempo esgota-se.
É ouvir os conselhos da Rita Camarneiro, que esteve na estreia da Caça ao Estripador de Lisboa, agora em teatro imersivo.
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