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Tuesday, October 27, 2026

Marcha da apuração tem duas viradas e termina com a maior votação já registrada para um candidato à Presidência

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A votação acabou às 19h. A apuração durou exatamente duas horas e quatro minutos. Lula abriu na liderança. Às 19h44, Flávio Bolsonaro passou à frente. O candidato do PL ficou 40 minutos em primeiro lugar e voltou a ser superado por Lula às 20h24. O petista se manteve à frente até a vitória. Às 21h08 veio a confirmação da virada:

“Nós temos agora a definição de presidente da República. Candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, reeleito presidente da República do Brasil com 51,74% dos votos. Candidato Lula vai governar o país por mais quatro anos, a quarta vez em que ele vai governar o país”.

No segundo turno, Lula teve a maior votação já registrada para um candidato à Presidência da República. Ultrapassou 64,2 milhões votos. Flávio Bolsonaro, que havia liderado a disputa no primeiro turno, recebeu 59,8 milhões votos. Com 100% das urnas apuradas, Lula foi eleito com 51,79% dos votos válidos. Flávio teve 48,21%. A diferença entre os dois foi de 4,4 milhões votos, o equivalente a 3,58 pontos percentuais.

Em relação ao primeiro turno, Lula ganhou 10,3 milhões votos a mais. Já Flávio, só 3,7 milhões a mais. Essa foi uma das grandes surpresas da apuração. No primeiro turno, os três outros candidatos de direita - Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos – receberam, somados, 8,7 milhões votos. Os números mostram que a maioria destes votos não foi transferida para Flávio Bolsonaro, como podia se esperar por serem do mesmo campo político.

Marcha da apuração tem duas viradas e termina com a maior votação já registrada para um candidato à Presidência — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Lula venceu a votação em 13 estados. Em outros 13 e no Distrito Federal, Flávio Bolsonaro teve mais votos. Mas, na comparação com o primeiro turno, em todos os 26 estados e no Distrito Federal, Lula ampliou a votação em um montante maior do que Flávio. E, em seis estados, mais uma surpresa: Flávio teve menos votos no segundo turno do que no primeiro - Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Tocantins e Maranhão. Ou seja, perdeu eleitores de um turno para o outro.

Uma das mudanças mais significativas ocorreu em Minas Gerais, único estado em que Lula virou no segundo turno. O presidente havia ficado atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. No domingo (25), conseguiu vencer com 50,43% dos votos. Com isso, Minas Gerais e Amazonas continuam sendo os únicos estados em que o resultado local coincide com o nacional em todas as eleições desde 1989.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a distância a favor de Flávio caiu de 3,4 milhões para 2 milhões de votos entre um turno e outro.

Lula aumentou a votação em todas as regiões. No Sudeste, recebeu 4,8 milhões votos a mais do que no primeiro turno. No Nordeste, Lula teve 2,9 milhões votos a mais.

A maior participação dos eleitores também ajuda a explicar o resultado. No primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não foram às urnas. No domingo (25), esse número caiu para 30 milhões. Foi o segundo menor índice de abstenção para um segundo turno desde 2006, quando Lula venceu a disputa contra o então concorrente Geraldo Alckmin, à época no PSDB.

Os votos brancos e nulos também caíram do primeiro para o segundo turno: de quase 6 milhões para 4,1 milhões. A tática adotada pela campanha de Lula, na visão do cientista político Murilo Medeiros, teve influência direta no resultado. Houve avanço da participação nas redes sociais e um reforço nas ruas, capazes de sensibilizar os eleitores mais jovens e os mais velhos. Na contagem final, o apoio das mulheres chefes de família das grandes cidades também foi decisivo.

“A mobilização eleitoral nas ruas e no campo digital, atrelada ao discurso do medo, encorajou o brasileiro a sair de casa para votar. Principalmente os idosos e os jovens de baixa renda. Também tem as mulheres, principalmente as que moram nas grandes periferias urbanas das grandes capitais e das grandes cidades brasileiras. É o eleitorado que define o voto mais próximo do dia da eleição, e era uma parcela do eleitorado também mais indecisa e mais sensível a temas concretos, do cotidiano dos brasileiros”, diz Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília.

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