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Friday, October 23, 2026

Startup diz ter usado vírus criado por IA para tratar infecção resistente a antibióticos

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Uma startup dos Estados Unidos afirma ter utilizado vírus desenvolvidos por inteligência artificial para tratar um paciente com uma infecção bacteriana resistente a antibióticos. O procedimento foi anunciado na última terça-feira, 20, pela Radical Numerics, responsável pela tecnologia.

Segundo o comunicado técnico publicado pela empresa, os vírus conseguiram eliminar, em laboratório, bactérias retiradas do paciente. Posteriormente, uma combinação desses microrganismos foi administrada como tratamento experimental.

A Radical Numerics afirma que essa foi a primeira aplicação clínica de bacteriófagos projetados por IA. Entretanto, os resultados no paciente ainda não foram divulgados. O relatório foi disponibilizado no site da startup, sem publicação em revista científica ou revisão por pares.

Como funciona o vírus criado por inteligência artificial

Os vírus utilizados são chamados de bacteriófagos, também conhecidos como fagos. Diferentemente dos vírus que infectam seres humanos, esses microrganismos atacam bactérias específicas.

Para desenvolver novas versões, a Radical Numerics utilizou um modelo de inteligência artificial chamado Omnii-1, treinado com sequências genéticas e outros dados biológicos. O sistema foi empregado para modificar partes do DNA de fagos responsáveis pelo reconhecimento das bactérias.

Uma das experiências descritas no relatório envolveu o bacteriófago T7, capaz de infectar determinadas cepas de Escherichia coli (E. coli). Os pesquisadores modificaram uma proteína localizada na estrutura utilizada pelo vírus para se fixar à superfície bacteriana. O objetivo era criar variantes capazes de reconhecer diferentes cepas sem perder a capacidade de infectá-las.

Em testes laboratoriais, a empresa afirma ter identificado fagos viáveis mesmo após alterações significativas em suas sequências genéticas.

Como os vírus foram usados no paciente

A Radical Numerics informou que desenvolveu uma combinação de fagos adaptados a uma infecção resistente a antibióticos. Antes da administração, os pesquisadores testaram os vírus contra bactérias isoladas do próprio paciente. Segundo o relatório, a combinação eliminou o isolado bacteriano em testes realizados em laboratório, procedimento conhecido como in vitro.

Após essa etapa, os fagos foram administrados sob um regime de uso compassivo, com autorização regulatória e acompanhamento médico. Essa modalidade permite o acesso a tratamentos experimentais fora de ensaios clínicos convencionais em determinadas situações, sobretudo quando pacientes apresentam doenças graves e não dispõem de alternativas satisfatórias.

A empresa não revelou a identidade do paciente, o tipo de infecção ou os resultados clínicos, alegando a necessidade de preservar a privacidade. Também não informou se houve melhora do quadro ou eliminação da bactéria após o tratamento.

Por que os bacteriófagos podem combater bactérias resistentes?

A terapia fágica utiliza vírus capazes de infectar e destruir bactérias. A abordagem é investigada como alternativa para casos em que os antibióticos não apresentam os resultados esperados.

Quando um fago encontra uma bactéria compatível, pode se fixar à superfície, introduzir seu material genético e utilizar a célula para produzir novas partículas virais. Em determinados tipos de infecção, esse processo termina com a destruição da bactéria.

Uma das principais dificuldades é encontrar fagos compatíveis com a cepa responsável pela doença. Como a ação costuma ser específica, um vírus eficaz contra determinada bactéria pode não funcionar contra outra cepa da mesma espécie.

A proposta da Radical Numerics é utilizar a IA para identificar e desenvolver variantes direcionadas a infecções específicas, reduzindo a necessidade de procurar vírus adequados entre grandes coleções.

O que os testes com a IA Omnii-1 mostraram?

Além da aplicação experimental no paciente, o relatório apresenta resultados de testes realizados com o modelo Omnii-1. Em uma das avaliações, os pesquisadores analisaram variantes do bacteriófago T7 com alterações em proteínas responsáveis pela ligação às bactérias.

Entre as versões com 11 a 15 alterações em aminoácidos, 69,9% foram recuperadas nos experimentos, em comparação com 4,8% dos controles gerados aleatoriamente.

A empresa também avaliou a capacidade do sistema de prever quais fagos poderiam infectar diferentes cepas bacterianas. Os experimentos incluíram bactérias como E. coli e Pseudomonas aeruginosa, ambas utilizadas nas avaliações do modelo.

Esses resultados dizem respeito ao desempenho da tecnologia em laboratório e não demonstram, por si só, a eficácia do tratamento em seres humanos. A própria empresa reconhece que as terapias investigadas não receberam aprovação para uso clínico generalizado e que a experiência com um único paciente não permite estabelecer segurança ou eficácia.

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