13h. Sarmento diz que o mercado da habitação vai estabilizar
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Jornal da Uma na Rádio Observador, edição do Miguel Vidara. Miguel, já vamos a Jerusalém ao encontro dos enviados especiais do Observador, Pedro Jorge Castro e João Porfírio, numa altura em que o governo de Israel decretou o fecho dos acessos à Cisjordânia. Mas antes disso, o arranque da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para o próximo ano.
Com a presença do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, no Parlamento, que pede tempo para que as medidas do governo para o setor da habitação possam começar a produzir efeito. O debate sobre o Orçamento do Estado acabou por ser muito centrado no tema da habitação, com os protestos nas ruas também a exigir isso mesmo. O ministro defende o trabalho feito pelo governo até aqui para tentar resolver as dificuldades de acesso às casas.
Nós já colocámos muitas medidas na questão da habitação, mas é um problema que demora tempo, porque, obviamente, construir casas demora tempo, colocá-las no mercado demora tempo. Mas nós já fizemos um número de medidas muito significativo nestes dois anos e meio.
Foi o que disse Joaquim Miranda Sarmento há instantes, durante a sessão plenária dedicada ao arranque do debate do Orçamento do Estado na generalidade. O ministro das Finanças não se compromete com prazo, mas acredita, Joaquim Miranda Sarmento, que em breve o mercado da habitação vai estabilizar.
Dez anos não é o que está no nosso horizonte. Eu creio que todas estas medidas já estão a surtir efeito no aumento da oferta. Vão continuar a surtir cada vez mais efeitos e nós não demoraremos muito a ver uma maior estabilização dos preços.
É essa a convicção de Joaquim Miranda Sarmento, o ministro das Finanças, que continua a defender a esta hora a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano.
Foram, entretanto, conhecidos esta manhã novos dados sobre a evolução do preço das casas em Portugal. No segundo trimestre do ano, registou-se uma subida mediana de 18,4%.
Na comparação com o mesmo período do ano passado. Ainda assim, o ritmo de subida abrandou face àquilo que aconteceu no primeiro trimestre, quando os preços medianos aumentaram quase 20%. Ora, apesar do ritmo ter abrandado a nível nacional, a verdade, Ricardo Lopes, aqui conosco em estúdio, é que em 10 dos 24 municípios mais populosos, o ritmo de subida continua imparável. Que municípios lideram esta lista?
Loures e Matosinhos dividem os lugares cimeiros. Aí os preços subiram, respetivamente, 9,5 e 9,7 pontos percentuais. Isto não significa, Miguel, que tenham sido os municípios onde as casas mais encareceram, mas sim, onde o ritmo de subida dos preços mais acelerou. Como referias, em 10 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, o preço das casas acelerou. No segundo trimestre, aumentou a um ritmo mais rápido do que nos primeiros três meses do ano. Nos restantes 14 municípios, o ritmo manteve-se ou chegou mesmo a abrandar. Guimarães registou a maior desaceleração, desceu 3,4 pontos percentuais. Lisboa e Porto também apresentam um abrandamento significativo. Falamos de cerca de -8,9 na capital e -5,4 na cidade Invicta. Em termos medianos, o preço das casas vendidas em Portugal atingiu os 2.445 €/m². O cenário na capital é ainda mais dispendioso. Falamos de mais de 5.300 €/m². É o valor mais elevado do país. Dar nota que com os preços a subir, venderam-se menos casas. O número de transações caiu 9% face ao mesmo período do ano passado.
Dados do Instituto Nacional de Estatística, aqui sintetizados pelo jornalista do Observador, Ricardo Lopes. O preço das casas continua a aumentar em Portugal, mas o ritmo de subida abrandou ligeiramente.
O presidente do IHRU, o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, reconhece que as declarações que fez ontem sobre os protestos pelo direito à habitação não foram felizes.
E foi isto que disse Benjamim Pereira.
Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa. E a casa, apesar de estar prevista, o direito à habitação, é um desiderato que todos os governos- Não, não diria isso. Eu estou a dizer é que nós não estamos disponíveis para esse nível de sacrifício. Os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida. Não, nada disso. Não estou a dizer isso. Estamos a perguntar o que está a dizer. Mas tem que me deixar concluir o meu raciocínio. E fizeram porque a casa era efetivamente uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje.
Uma declaração que tem suscitado nas últimas horas várias críticas, desde logo do ministro Miguel Pinto Luz, que tutela o IHRU.
As declarações são absolutamente infelizes. Estes jovens, muitos que se manifestam, outros que não se manifestam, que é uma minoria silenciosa, claro que se sacrificam, claro que têm um esforço enorme. Já pedi esclarecimentos.
Esclarecimentos é o que pede também o Bloco de Esquerda. O deputado único, Fabian Figueiredo, já anunciou que vai pedir uma audição com caráter de urgência de Benjamim Pereira no Parlamento. Útil, diz Jorge Pinto do LIVRE, e não apenas por causa destas declarações.
Nós queremos que o senhor presidente venha aqui, mas é para explicar por que o IHRU tem tantos atrasos, mais do que as declarações ofensivas, que nos explique se é ou não a pessoa indicada para estar à frente do IHRU num momento tão sensível.
Declarações do porta-voz do LIVRE, Jorge Pinto, esta manhã à Rádio Observador.
E face a estas críticas que aqui ouvimos, Miguel, que esclarecimentos vem agora prestar Benjamim Pereira no comunicado que foi enviado há pouco às redações?
Admite que as referências à capacidade de sacrifício dos mais jovens foram infelizes. Explica que não estava a sugerir que as gerações mais novas deviam ter a mesma capacidade de sacrifício de gerações mais antigas. Escreve também que em momento algum sugeriu que os jovens deviam emigrar face às dificuldades para encontrarem casa em Portugal.
O primeiro-ministro de Israel mandou fechar os acessos à Cisjordânia na sequência de um ataque na cidade de Hebron.
Pelo menos seis soldados ficaram feridos, alguns em estado crítico, foram atingidos por disparos feitos a partir de uma viatura. Dois palestinianos foram mortos por militares israelitas após este ataque. Horas depois, o governo ordenou às forças de segurança que cercassem Hebron e se preparassem para encerrar todos os acessos à Cisjordânia. Israel fala num ataque terrorista. A equipa de enviados especiais do Observador para acompanhar as eleições a Israel, jornalistas Pedro Jorge Castro e João Porfírio, estão a esta hora em Jerusalém, mas passaram o início da semana precisamente na Cisjordânia, a fazer uma reportagem sobre ataques de jovens colonos aos palestinianos durante a apanha da azeitona. Ora, junta-se em direto a esta edição da 13h da Rádio Observador, o Pedro Jorge Castro. Pedro, boa tarde, bem-vindo. Ajuda-nos a perceber o que significa no terreno este bloqueio da Cisjordânia declarado por Benjamin Netanyahu.
Boa tarde, Miguel. Na verdade, estamos a falar de uma região que já é fortemente bloqueada precisamente por estes checkpoints, que são controles regulares das forças de defesa israelita a toda a gente que circula, mas em particular aos carros de matrícula palestiniana. Há checkpoints que são permanentes, toda a gente sabe onde eles existem, onde eles estão. E depois há checkpoints que são móveis, que são colocados e desmontados no próprio dia de surpresa, o que torna uma aventura quase para os palestinianos conseguirem deslocar-se dentro da Cisjordânia. Tivemos esta experiência a circular de carro com um condutor palestiniano durante três dias na Cisjordânia e imagina viagens que deveriam demorar se calhar 10, 15 minutos, acabavam por demorar três horas, sempre a tentar contornar checkpoints, porque depois aquilo que muitos condutores fazem é, em vez de ficarem à espera na fila, tentam mesmo evitar que haja o checkpoint e vão dar voltas gigantescas até conseguirem chegar ao seu destino. A isto acresce, de facto, o pavor de muitos condutores palestinianos de enfrentarem checkpoints. Este condutor que nos levava tinha uma oração para os checkpoints. Cada vez que parava num checkpoint ou que sabia que ia ter que enfrentar as forças de defesa israelita, ele começava literalmente a rezar. E depois quando passava o checkpoint, sentia um alívio gigantesco. Uma patrulha de militares que nos pediu os passaportes e viu que éramos de Portugal e que falou naturalmente de Ronaldo, como se fala sempre nestas situações fora do país. Ele agradeceu a Ronaldo por ter sobrevivido e ter saído com vida daquele checkpoint. Eu sei que isso parece um exagero para nós, mas traduz a forma vívida como os palestinianos encaram estas situações e este apego. Há centenas de checkpoints por toda a Cisjordânia. O que acontecerá neste momento é um reforço desses checkpoints e uma interdição de passagem entre os dois pontos, em particular junto à zona de Hebron, mas também por todo o resto da Cisjordânia. Deixa-me notar ainda que obviamente esta situação de fragilidade de segurança que aconteceu hoje encaixa, digamos assim, na promessa de Netanyahu de prometer segurança. Ontem assistimos a um discurso dele no mercado central de Jerusalém, que acabou precisamente com isso. A dizer às pessoas que querem segurança, votem no Likud. E aquilo que ele está a fazer é precisamente isto. Está a tomar conta do caso, garantindo que são tomadas as devidas precauções e esta interdição de circulação dirigida à população palestiniana, com esta justificação de encontrar e apanhar eventuais outros suspeitos de envolvimento no ataque desta manhã, acaba por ser utilizada por ele para reforçar esta imagem de que tem esta preocupação extrema com a segurança dos israelitas e usar isso como um trunfo para as eleições da próxima terça-feira.
Eleições que vão ser acompanhadas aqui na antena do Observador pelos enviados especiais Pedro Jorge Castro, que aqui ouvíamos, e também o fotojornalista João Porfírio. Importantes eleições para se perceber se Benjamin Netanyahu consegue ou não resistir aos protestos ou se, porventura, a forma como tem lidado com os ataques de 7 de outubro são um trunfo para este ato eleitoral. Saída. Hoje temos uma anteestreia. Nelson, já é possível ouvir o primeiro episódio do novo podcast Plus do Observador, chama-se "As Sombras de Duarte Lima" e revela toda a história da investigação ao homicídio de Rosalina Ribeiro em 2009 no Brasil.
É a história de uma herdeira milionária, de um assassinato violento no Brasil e de um suspeito chamado Duarte Lima, um homem enigmático. Nasceu pobre, tornou-se um político poderoso e construiu uma fortuna difícil de explicar.
Os guias e as entrevistas, algumas delas de testemunhas-chave do processo, que entretanto já morreram, são do jornalista Carlos Diogo Santos, que acompanha o caso desde o início e é o coautor de um livro sobre a investigação. Primeiro episódio do novo podcast Plus do Observador, já está disponível.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.