SenLinYu chora ao falar da fantasia 'Alchemised' na Bienal do Livro de São Paulo
Mais uma vez, o "dark" foi tema central na Bienal do Livro de São Paulo. SenLinYu, sucesso do TikTok com a fanfic transformada no livro "Alchemised", trouxe a "dark fantasy" ao palco principal.
Diferente do "dark romance", esse é um subgênero derivado da fantasia, no qual a parte mais adulta e sombria fica na construção de mundo —podendo, ou não, ter uma trama romântica.
A mediadora Julia Queiroz chamou a atenção para o fato de "Alchemised", um livro de mais de mil páginas, ter conquistado vários leitores –muitos presentes em uma arena cheia, mas não lotada– e também levá-los a releituras.
SenLinYu, que se define como uma pessoa não binária, diz ter planejado um livro para ser lido várias vezes, construído com personagens não confiáveis, uma guerra de moralidade cinza e uma trama "cheia de ilusões de ótica", como diz. "Eu gosto de como cada pessoa nota uma coisa diferente."
Muito do público chegou a "Alchemised" e à mesa por causa de "Harry Potter", já que o livro nasceu primeiro como uma história alternativa onde os personagens Hermione e Draco, criados por J.K. Rowling, eram os protagonistas.
Mesmo após uma pergunta sobre a semelhança dos livros, Sen seguiu o protocolo de toda a campanha do livro e não mencionou a polêmica autora britânica. Rowling perdeu muitos fãs após se posicionar abertamente contra pessoas trans.
Agradecendo aos fãs que "acabaram com sua solidão", Sen chorou no palco e disse que continuará escrevendo por eles. A plateia foi aos gritos ao ouvir que seu próximo livro já está sendo escrito e será uma ficção científica baseada em mitologia.
Outros sucessos do TikTok que também passaram pela Bienal neste sábado foram as canadenses Hannah Bonam-Young, autora de "Minha Melhor Parte", e Bal Khabra, de "Em Rota de Colisão". São duas escritoras que abusam de clichês do gênero romântico.
O tema do hóquei, muito popular em livros e séries, aparece nas obras de Khabra e também contagiou visitantes do Distrito Anhembi —que usavam uniformes e blusas com nomes de jogadores fictícios.
Bonam-Young, por outro lado, se arriscou em "Minha Melhor Parte" com um tipo de trama que costuma frustrar fãs do gênero: a gravidez inesperada.
A autora, que também é mãe, defendeu seu livro dizendo que escreve sobre a possibilidade de a mulher ser autônoma e fazer suas próprias escolhas —entre elas, ser mãe.
Mais cedo, outra conversa com escritores sombrios passou na mesma arena. Raphael Montes voltou à Bienal para falar a um público um pouco menor —ainda lotando a arena principal— e menos barulhento do que na sua aparição de sexta-feira (4).
O grupo mais calmo de visitantes permitiu ao evento, desta vez, organizar melhor a multidão e preservar a circulação no entorno da plateia.
O autor do recém-lançado "A Estranha na Cama" conversou com Ana Paula Maia, autora de "Assim na Terra como Embaixo da Terra", que ganhou destaque neste ano após ser indicada ao prêmio Booker Internacional.
A companhia e a maioria de adultos na plateia despertaram um lado mais sério de Montes, que ainda arrancou algumas risadas da plateia ironizando suas obras.
"Eu sou uma escritora mais quieta", disse Maia, ao que Montes respondeu com humor: "É mais escritora". Ela descreveu o colega como "um empreendedor de conteúdo".
Mesmo com a chuva e os alagamentos em São Paulo, o Distrito Anhembi recebeu um público grande, que hoje se concentrou mais nos estandes do que na programação principal. A 28ª edição da Bienal do Livro continua até este domingo.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.