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Sunday, October 4, 2026

Microcrédito: Como recurso pode auxiliar MEIs e gerar inclusão produtiva

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Os números mostram a dimensão dos pequenos negócios no Brasil. No segundo quadrimestre de 2025, eles representavam 93,8% das 24,2 milhões de empresas ativas no país, segundo o Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo.

Essa proporção revela a importância do empreendedorismo para a economia brasileira. Ainda assim, muitos negócios enfrentam dificuldades para se manter nos primeiros anos.

A gestão costuma ficar concentrada nos donos, já que as equipes são pequenas e muitas tarefas dependem deles. Algumas estratégias, porém, podem ajudar a impulsionar os negócios.

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O crédito produtivo orientado pode ajudar pequenos negócios a transformar planos em ações concretas: comprar equipamentos, ampliar a produção, renovar um espaço ou lançar novos produtos.

Com orientação para avaliar as necessidades, organizar o uso dos recursos e planejar os pagamentos, o empreendedor pode tomar decisões mais alinhadas à realidade do negócio.

Nas histórias dos empreendedores Rodrigo Lemos Knibel e Thaís Wiater, o crédito apoia investimentos definidos e novos passos de crescimento, ajudando a fortalecer as operações e a criar condições para gerar renda e trabalho.

Quando direcionado à atividade produtiva, pode transformar a coragem em ação e inspirar outras pessoas a fazer seus projetos avançarem.

Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, o negócio de eventos de Rodrigo Lemos Knibel precisou se adaptar à crise econômica, à pandemia e às chuvas que atingiram a cidade.

Ele está à frente do Café e Pitanga, uma casa de festas que atende casamentos, festas de 15 anos, formaturas e eventos corporativos. Com os eventos suspensos durante a pandemia, Rodrigo precisou vender itens do estoque separadamente e fazer entregas por conta própria.

Um primeiro crédito do Estímulo ajudou a recompor o caixa e a manter a empresa funcionando enquanto a retomada ainda era incerta. Depois, a diversificação tornou-se parte da estratégia: além do espaço e do buffet, o Café e Pitanga passou a oferecer doces finos e decoração.

A mudança também reduziu a dependência dos casamentos, cuja procura, segundo Rodrigo, perdeu estabilidade. Formaturas, festas de 15 anos e confraternizações empresariais ampliaram o calendário.

O negócio mantém cerca de seis pessoas na equipe fixa, mas mobiliza aproximadamente 30 profissionais em um evento comum. Em uma grande formatura, Rodrigo chegou a coordenar 105 pessoas em um único dia.

Agora, um novo crédito de R$ 25,6 mil, aprovado pelo Estímulo, será destinado à reforma da casa de festas e à ampliação do acervo de decoração temática. Rodrigo quer renovar os ambientes e desenvolver experiências personalizadas.

Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, Thaís Elisabete do Amaral Wiater transformou uma ideia incentivada pelo pai em uma marca própria de cosméticos. Em 2018, ele sugeriu que Thaís e o marido, Cristian, criassem uma marca própria em vez de apenas distribuir cosméticos.

Ela pesquisou os procedimentos, mas deixou o projeto de lado. Em 2020, depois que o pai foi morto ao tentar separar uma briga de rua, Thaís retomou a ideia. A marca recebeu o sobrenome da família: Wiater.

“Não é apenas uma marca, é um propósito. É o que mantém meu pai vivo perto de mim”, diz Thaís.

A empresa, que começou em 2015 com a distribuição de cosméticos, hoje combina uma linha própria com produtos de outras marcas. Também reúne loja virtual, vendas diretas e um centro de treinamento integrado ao salão de beleza da empreendedora.

A experiência como cabeleireira ajuda Thaís a demonstrar os produtos e a conversar com profissionais sobre as necessidades do setor.

Como pequena indústria, a Wiater enfrenta a concorrência, os custos de produção e a tributação, além das oscilações na demanda e da inadimplência. Para manter a operação enxuta, Thaís e Cristian dividem as frentes criativa, financeira e comercial, com ajuda pontual de familiares.

O próximo passo é lançar gradualmente uma linha própria de coloração, que poderá reunir cerca de 60 tonalidades.

O crédito produtivo orientado de R$ 40 mil concedido pelo Estímulo apoiará o desenvolvimento dos novos produtos e futuros lançamentos. A empresa também prevê apresentar a linha em encontros e cursos para profissionais da beleza.

Em negócios de diferentes portes e setores, o financiamento está ligado a objetivos concretos: preservar o caixa em um período sem receita, renovar um espaço ou ampliar um portfólio.

Mas as histórias de Rodrigo e Thaís também apontam para o trabalho que acompanha o recurso: diversificar as fontes de renda, conhecer o próprio público, controlar os custos e planejar a operação para os meses de menor movimento.

Neste 5 de outubro, data dedicada às micro e pequenas empresas, essas experiências lembram que a continuidade de um negócio não depende de um único grande momento.

Ela se constrói em decisões sucessivas, muitas delas tomadas enquanto a empresa atende clientes, paga fornecedores e ajusta o plano seguinte.

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