Análise: com Rebeca, Brasil volta ao pódio do Mundial de ginástica e dá passo por medalha nas Olimpíadas


Rebeca Andrade fala sobre a volta com ouro no Mundial de Ginástica Artística
O retorno de Rebeca no topo
A campeã olímpica Rebeca Andrade retornou ao Mundial depois de um ano longe das competições para recuperar o corpo e a mente do desgaste para conquistar quatro medalhas nas Olimpíadas de Paris 2024. Em Roterdã, a ginasta de 27 anos mostrou que está sendo bem-feito o planejamento pautado em uma evolução gradual até Los Angeles 2028.
Rebeca Andrade é ouro no salto sobre a mesa no Mundial 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herman
Ela sempre passou dos 9,300 pontos em execução no salto neste Mundial, uma precisão que lhe garantiu o tricampeonato mesmo sem apresentar os voos das medalhas olímpicas. Rebeca está sobrando no salto, em técnica e altura. Tem tudo para recuperar o Cheng e o Amanar. Com eles, só não vai chegar às Olimpíadas como favorita se Simone Biles voltar a competir e recuperar seu Yurchenko Double Pike - a americana não descarta um retorno e deixa seu futuro aberto.
Rebeca também se apresentou na trave e deve ganhar consistência no aparelho com mais tempo de treinamento ano que vem. O plano é voltar a competir nas barras assimétricas em 2027, o que vai ajudar bastante a equipe brasileira na busca por uma vaga olímpica durante o Mundial de Chengdu.

Confira o primeiro salto de Rebeca Andrade no Mundial de Ginástica Artística
Evolução feminina
A equipe feminina do Brasil também teve desempenho positivo. Embora tenha saído do pódio depois do bronze de Paris 2024, o quinteto verde-amarelo se manteve entre as melhores do mundo, com a quinta posição no Mundial de Roterdã. Foram cinco vagas em finais na Holanda - no ano passado, só Flavinha foi a uma disputa por medalha, na trave. E há margem de crescimento para a equipe em 2027. É possível inclusive voltar a brigar pelo pódio.

Mundial de Ginástica: Flávia Saraiva conquista bronze na trave
Flavinha está cada vez mais consistente na trave. Ela só teve uma queda nos dois últimos anos e foi precisa no aparelho nos momentos mais importantes do Mundial, a classificatória e a final do aparelho, que lhe rendeu o bronze. A ginasta de 27 anos competiu com um desconforto muscular na coxa, que a fez apresentar um salto com valor de dificuldade menor do que o planejado. Também pode crescer nas acrobacias do solo. É peça fundamental da equipe.
Lorrane Oliveira retornou muito bem ao individual geral, voltando à final da prova depois de 11 anos. Thais Fidelis foi mais um grato retorno ao Mundial, com seis séries firmes entre classificatórias e a decisão por equipes. Mesmo a caçula Sophia Weisberg, que teve falhas no primeiro dia, executou um ótimo salto na final por equipes.
Sophia Weisberg, Lorrane Oliveira, Gabriela Bouças, Thais Fidelis, Rebeca Andrade e Flávia Saraiva — Foto: MeloGym/CBG
Outras peças ainda podem ganhar vaga no quinteto brasileiro, como a medalhista olímpica Julia Soares, que lidou com uma lesão neste segundo semestre. Gabriela Bouças, Julia Coutinho e Carolyne Pedro correm por fora.
Equipe masculina em alerta
Se por um lado houve uma evolução entre as mulheres, o cenário do Brasil na ginástica masculina é preocupante. A equipe brasileira foi a 19ª colocada, quase cinco pontos atrás do top-12, zona de classificação para as Olimpíadas de Los Angeles. Além disso, nenhum brasileiro avançou a uma final. A última vez que isso aconteceu em uma grande competição foi no Mundial de 2010, também em Roterdã.

Arthur Nory sai sangrando da barra fixa durante Mundial de Ginástica Artística em Roterdã
No ano passado, Diogo Soares e Caio Souza colocaram o Brasil em três finais. Neste ano, Diogo teve falhas, ficando fora da decisão do individual geral pela primeira vez - ele não teve uma grande temporada em 2026. Caio, por sua vez, sofreu uma ruptura no bíceps direito um mês antes do Mundial e precisou passar por uma cirurgia, sendo cortado da lista de Roterdã. Ter os dois em boa forma vai ser fundamental para a equipe brasileira tentar a vaga que escapou por menos de dois décimos para Paris 2024.
Medalhista olímpico e campeão mundial, Arthur Nory fazia uma boa série de barra fixa quando bateu de cara no aparelho. Ele precisou abandonar a competição (ainda faria solo e salto) e tomar quatro pontos na testa. Recuperado, o ginasta de 33 anos ainda pode contribuir bastante para a equipe, embora os pontos fracos do Brasil sejam justamente os pontos fracos de Nory: o cavalo com alças e as argolas. Crescer nesses aparelhos vai ser a chave para ter uma chance de classificar a equipe completa como na Rio 2016 e em Tóquio 2020.
Johnny Oshiro, Diogo Soares, patrick Corrêa, Arthur Nory, Vitaly Guimarães e Bernardo Miranda; Brasil ginástica Mundial — Foto: MeloGym/CBG
Caso não se classifique por equipes, o Brasil ainda tem chance de levar até três vagas individuais - conseguiu duas em Paris 2024. Mesmo para esses postos, o cenário não é bom para os brasileiros. Tomando como base os resultados de Roterdã, o Brasil ainda está no páreo, mas precisa evoluir.
Enquanto as mulheres miram as medalhas, os homens brigam por classificação olímpica. Apenas Arthur Nory ainda se coloca entre os candidatos a uma final por aparelho. Pouco para uma equipe que na Rio 2026 classificou todos os ginastas para as finais individuais e faturou três pódios.
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