Réu é solto após júri concluir que ele não quis matar namorada ao empurrá-la de carro em movimento

Em julgamento encerrado durante a noite, os jurados condenaram o réu por lesão corporal grave e por descumprimento de medida protetiva no lugar de tentativa de feminicídio, acusação que o manteve preso desde março de 2025 e que o levou ao júri popular.
Como a pena para esses crimes é menor do que 4 anos, em regime aberto, um alvará de soltura foi expedido para que o acusado possa recorrer em liberdade.
"Entendendo dessa maneira, a condenação se dá em regime aberto, já expedido alvará de soltura. A defesa recebe a notícia com enorme satisfação", informou o advogado de Denis, Mauricio Ferraz.
Empurrada de carro em movimento
As agressões contra Gabriele ocorreram em janeiro de 2025, na Rua Capitão José Ferreira Diniz, no Centro de Cajuru.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram que o casal havia discutido durante a "Festa de São Sebastião", um tradicional evento da cidade, e Gabriele decidiu ir embora a pé para casa, mas o namorado foi atrás dela até encontrá-la.

Justiça de Cajuru julga homem por tentativa de feminicídio contra a namorada
De acordo com a Promotoria, além de ter sido atingida com um soco no olho, a mulher foi puxada pelos cabelos e obrigada a entrar no carro dele, onde continuou sendo agredida.
A vítima relatou que, para tentar se livrar das agressões, tentou sair do veículo, mas percebeu que não conseguiria porque ele estava em movimento. Ela passou a gritar por socorro até chamar a atenção de pessoas na rua.
Segundo Gabriele, após várias tentativas, ela conseguiu abrir a porta do automóvel e acabou sendo jogada para fora pelo namorado.
“Eu não me joguei, eu tenho certeza absoluta que eu não me joguei. Eu me lembro exatamente de tudo o que ele me fez, dele me jogar para fora. Foi difícil. É um milagre estar andando, conversando novamente. Deus foi bom comigo por me deixar viva pra eu poder contar o que houve comigo”, disse a comerciante na época.
A comerciante Gabriele Carolina Gonçalves foi vítima de tentativa de feminicídio em Cajuru, SP — Foto: Aurélio Sal/EPTV
A Promotoria registrou na denúncia que, após ser arremessada do veículo em movimento, Gabriele chegou a ser arrastada por alguns metros pelo carro do agressor, porque o pé havia ficado preso no banco do automóvel.
Em seguida, segundo o MP, o suspeito parou o carro, desceu e segurou a namorada de modo agressivo.
Gabriele foi socorrida com a ajuda de testemunhas e levada inicialmente para a Santa Casa de Cajuru, de onde foi transferida para o Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto devido à gravidade das lesões.
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O que diz a defesa
Durante o julgamento foram ouvidas dez testemunhas, sendo cinco de acusação e cinco de defesa, e o réu.
Advogado de Denis, Maurício Ferraz diz que Gabriele tentou criar uma narrativa falsa contra o companheiro para incriminá-lo. A defesa alegou que a comerciante já apresentava comportamento alterado em diversas situações.
“Ela queria sair do carro e ela se aproveitou de um determinado momento. Ela disse: “eu vou pular”. Ela abriu o carro, o carro estava com velocidade um pouquinho mais reduzida, e ela pulou. Ele falou que só viu o pé dela passando para cima e ela caindo. Imediatamente, ele para o carro e tenta socorrer, apavorado, desesperado, e segue na tentativa de socorro médico. Isso o abalou muito emocionalmente”, diz.
O que diz a acusação
Segundo o advogado de acusação Djalma Fregnani Junior, Denis acumula três medidas protetivas, o que comprova o histórico violento dele. Ele chegou a desrespeitar uma determinação para se manter distante de Gabriele após a tentativa de feminicídio, o que o levou à prisão em março de 2025.
Fregnani Junior também considerou uma carta escrita por uma ex-namorada de Denis. Na época, ela relatou ter vivido um relacionamento abusivo com ele de 2012 a 2016.
Segundo a mulher, que preferiu não ser identificada, Denis agiu para afastá-la dos amigos e de familiares. A mulher relatou diversas agressões físicas, inclusive em lugares públicos, como festas. De acordo com o relato, parentes dela também eram ameaçados por Denis.
O relato foi apresentado pela acusação no julgamento desta quinta-feira.
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